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Deslocamentos em massa em Gaza agravam crise de saúde

Mais de 800 mil deslocados em Rafah enfrentam condições precárias; Unrwa e a OMS relatam aumentos alarmantes em doenças transmissíveis

23 Mai 2024 - 19h45Por ONU News
Uma criança recebe comida em uma cozinha apoiada pelo PMA em Khan Younis, Gaza - Crédito:  WFP/Ali JadallahUma criança recebe comida em uma cozinha apoiada pelo PMA em Khan Younis, Gaza - Crédito: WFP/Ali Jadallah

Com mais de 800 mil pessoas deslocadas de Rafah desde 6 de maio, quase 150 mil pessoas se registraram para os serviços da Agência da ONU para Refugiados Palestinos, Unrwa, em Khan Younis somente nos últimos 10 dias.

Houve um aumento de 36% no número de pessoas nas instalações da Unrwa na região. Segundo entidades da ONU, há famílias vivendo entre escombros em escolas danificadas, sem serviços essenciais e suprimentos.

Saúde

O impacto dos deslocamentos em larga escala gera preocupações de saúde, com a Unrwa reportando o aumento rápido de diversas doenças transmissíveis. Antes da operação em Rafah, os dados da OMS já mostravam um aumento acentuado nos casos de diarreia, infecções respiratórias e síndrome da icterícia. 

O diretor geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, vem repetidamente alertando para a situação sanitária no enclave. Esta semana, dois hospitais parcialmente funcionais no norte de Gaza corriam o risco de interromper suas operações. 

O Hospital Al Awda está sitiado desde 19 de maio, sem que ninguém tenha permissão para sair ou entrar no local, e 148 funcionários do hospital, além de 22 pacientes e seus acompanhantes, ainda estão presos lá dentro. 

Palestinos deslocados estão vivendo entre pilhas de lixo na área de Al Mawasi, no oeste de Khan Younis.Palestinos deslocados estão vivendo entre pilhas de lixo na área de Al Mawasi, no oeste de Khan Younis - Foto: © WHO

 

Em uma coletiva de imprensa em Genebra, o diretor-geral da OMS destacou que esta é a segunda vez que o Hospital Al Awda é sitiado desde o início do conflito e que a instituição já sofreu perdas significativas, incluindo a morte de 14 funcionários. 

Além disso, dos nove hospitais de campanha no sul, apenas sete continuam funcionando plenamente. Segundo a OMS, todas as evacuações médicas de pacientes gravemente permaneceram interrompidas desde 7 de maio e a escassez de combustível continua a ameaçar a prestação de serviços de saúde. 

Alimentos

O Programa Mundial de Alimentos, PMA, afirmou que nesta terça-feira, 17 caminhões chegaram ao armazém da agência por meio da doca flutuante instalada na costa da Faixa de Gaza. 

A entidade foi responsável por 11 deles, que incluíam porções prontas para consumo para serem distribuídas, e o restante era para outros parceiros humanitários. 

Nenhum incidente foi relatado e todas as mercadorias foram contabilizadas. O PMA está no processo de classificar as mercadorias e passar pelos procedimentos logísticos regulares. Outros 27 caminhões chegaram na quarta-feira e refeições quentes puderam ser distribuídas.

Em sua rede social, o PMA destaca que as milhares de famílias que estão fugindo de Rafah sofrem com a escassez alimentos e água potável. Para alcançar mais pessoas, a agência está usando os estoques de alimentos para fornecer até 400 mil refeições quentes por dia em Gaza. 

Direitos Humanos

Ainda nesta quinta-feira, a relatora especial* da ONU sobre Tortura, Alice Jill Edwards, instou o governo de Israel a investigar várias alegações de tortura e outros tratamentos ou punições cruéis, desumanos ou degradantes contra palestinos detidos desde 7 de outubro de 2023.

Ela lembra que as pessoas privadas de liberdade devem sempre ser tratadas com humanidade e receber as proteções exigidas pelo direito internacional humanitário e de direitos humanos, independentemente das circunstâncias de sua detenção.

Desde os ataques de 7 de outubro de 2023, estima-se que milhares de palestinos, inclusive crianças, tenham sido detidos. Os palestinos da Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, e de Gaza estão sendo mantidos em prisões administradas pelo Serviço Prisional de Israel e em campos das Forças de Defesa de Israel.

A relatora especial recebeu alegações de que indivíduos foram espancados, mantidos em celas com os olhos vendados e algemados por períodos excessivos, privados de sono e ameaçados com violência física e sexual. 

Outros relatos sugerem que os prisioneiros foram insultados e expostos a atos de humilhação, como serem fotografados e filmados em poses degradantes, enquanto o uso prolongado de algemas com zíperes teria causado ferimentos e lesões por fricção.

 

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