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Paz e segurança

Gaza e Cisjordânia tiveram milhares de crianças sem atenção médica em 2023

Agência da ONU para Assistência aos Refugiados Palestinos alerta que menores pagam alto preço pelo conflito

14 Jun 2024 - 20h45Por ONU News
Criança sentada entre as ruínas de uma escola no centro de Gaza - Crédito:  Unrwa/Fadi ThabetCriança sentada entre as ruínas de uma escola no centro de Gaza - Crédito: Unrwa/Fadi Thabet

A Agência da ONU de Assistência aos Refugiados Palestinos, Unrwa, revelou que mais de 3 mil autorizações para que crianças palestinas deixem a Faixa de Gaza e a Cisjordânia para tratamento médico foram rejeitadas ou adiadas em 2023.

Em publicação feita nesta sexta-feira, a entidade humanitária destaca que desde o início da guerra, as autoridades israelenses reduziram ainda mais o acesso humanitário e “cada vez mais, as crianças pagam o preço mais alto pelo conflito”.

Fornecimento de assistência médica em Gaza “está por um fio" - Foto: UNICEF

 

Operações humanitárias 

Com a continuação dos ataques na Faixa de Gaza, o Escritório das Nações Unidas para a Assistência Humanitária, Ocha, disse que as populações de áreas que mais sofrem com as operações militares não serão abandonadas.

Fazendo ecoar vozes de parceiros locais, o escritório destacou afirmações do responsável da equipe de uma ONG Palestina. Bahaa Zaqout disse que a ação de auxílio “não será abandonada e continuará até que a guerra termine, apesar dos ferimentos e do sacrifício do pessoal”.

Em nota separada, especialistas em direitos humanos da ONU* condenaram com veemência a ação das forças israelenses em Gaza durante uma operação de resgate de reféns no Campo de Refugiados de Nuseirat.  

O comunicado publicado nesta sexta-feira, em Genebra, deplora a morte de pelo menos 274 palestinos durante o ato e o ferimento de quase 700 pessoas. Entre as vítimas fatais estavam 64 crianças e 57 mulheres.

Entrada ao acampamento

O grupo de peritos ressalta detalhes do evento de 8 de junho, enfatizando que forças israelenses teriam sido apoiadas por “estrangeiros na entrada ao acampamento em um caminhão disfarçadas de deslocados e trabalhadores humanitários”.

Os especialistas destacaram ainda a invasão violenta da área, com ação dirigida aos moradores e a intensa atividade militar terrestre e aérea. 

Os relatos de sobreviventes indicam que as ruas de Nuseirat estavam cheias de mortos e feridos, incluindo crianças e mulheres, deitados em poças de sangue. Várias marcas na parede tinham órgãos e partes de corpos espalhadas após múltiplas explosões e casas bombardeadas.

Operação militar e o ataque de Israel em Gaza ficam registrados como “os mais longos, maiores e mais sangrentos desde 1948” - Foto: © OMS

 

Operações do PMA 

Os especialistas alertaram que o tipo de ação limita e coloca em risco a ação humanitária, aos trabalhadores e a entrega de auxílio. Um exemplo é o Programa Mundial de Alimentos que cortou suas operações devido a “preocupações com a segurança” na doca flutuante.

Para os especialistas, a adoção da Resolução 2735 do Conselho de Segurança da ONU nesta semana é uma “saída para o horror”. Eles pedem um embargo de armas contra Israel para que seja travada a violência contra os palestinos.

Outra expectativa é que a decisão do Conselho “abra caminho para uma paz duradoura para o povo palestino e liberdade para os reféns” mantidos por grupos armados locais e para os milhares palestinos detidos arbitrariamente por Israel.

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