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Réu que matou petista em festa de aniversário no PR vai a júri popular nesta semana

Assistência de acusação sustenta violência política como agravante do assassinato do guarda muncipal, morto a tiros em sua festa de aniversário, em julho de 2022

01 Abr 2024 - 10h30Por Roberta Canetti | Bombai Comunicação
Os advogados Daniel Godoy Junior e Andrea Jamur Pacheco Godoy, assistentes da acusação - Crédito: Claudia GuadagninOs advogados Daniel Godoy Junior e Andrea Jamur Pacheco Godoy, assistentes da acusação - Crédito: Claudia Guadagnin

Está marcado para a próxima quinta-feira (4), em Foz do Iguaçu (PR), o júri popular do homicídio do guarda municipal Marcelo Arruda, assassinado na própria festa de aniversário, em 2022. A vítima comemorava 50 anos com a família e amigos, quando teve a festa invadida pelo réu, Jorge Guaranho, e foi morto a tiros no local da confraternização.  


O réu foi denunciado pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) à Justiça por homicídio doloso duplamente qualificado, por motivo fútil – em função da violência política motivada pelo desrespeito às diferenças – e perigo comum, já que os disparos foram efetuados no local da festa e poderiam ter vitimado os convidados presentes. “O crime é de ódio e tem como pano de fundo a violência política. O contexto foi esclarecido não apenas pelo testemunho dos convidados e da família da vítima, mas também pelas imagens registradas por câmeras de segurança, posicionadas dos lados de dentro e fora do salão. Foi um homicídio cometido a sangue frio e o julgamento terá caráter sancionador da responsabilização do acusado, com consequências de natureza pedagógica para toda a sociedade, já que envolve um contexto de violência política insuflada na campanha de 2018 e seguintes, que precisa ser cessada no nosso país”, defende o advogado Daniel Godoy Junior.


A assistência de acusação, formada pela equipe do escritório Godoy Advocacia representa a família da vítima desde a etapa de inquérito policial e auxiliou a construção do conjunto probatório do homicídio e das qualificadoras. A atuação do Ministério Público, representado pelos promotores Marcelo Mafra e Tiago Mendonça, promoveu a denúncia em face do crime que ocorreu no dia 09 de julho de 2022. Na época, a vítima, Marcelo Arruda, atuava como tesoureiro do diretório municipal do PT de Foz do Iguaçu.


A comemoração do aniversário de 50 anos ocorria em uma área reservada da Associação Esportiva Saúde Física Itaipu, na Vila A. De acordo com a denúncia do MP-PR, o réu – desconhecido da vítima e familiares – se aproximou da porta do salão de festas de carro, com o som do veículo em alto volume, reproduzindo uma música de campanha do então candidato Jair Bolsonaro. De acordo com as testemunhas, Guaranho havia saído de um churrasco com mulher e filho e soube que o festejo tinha como tema decorativo o Partido dos Trabalhadores e o então candidato à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva. Aos gritos de "Bolsonaro" e "mito", o réu, que estava acompanhado da esposa e do filho – um bebê de colo – ameaçou Arruda mostrando que estava armado e afirmou que voltaria para matar a vítima.


Aproximadamente uma hora  depois, Guaranho retornou ao local da festa, sozinho, e começou a disparar contra o alvo e convidados ainda da porta do salão. A ação foi registrada pelas câmeras de segurança. As imagens mostraram que a vítima tentou se esconder debaixo de uma mesa, onde foi alvejada à queima roupa. “Marcelo, era guarda municipal e tentou se defender, mas Guaranho executou a vítima, que já estava no chão. Havia potencial para uma tragédia de proporções ainda maiores naquela noite. Marcelo foi um herói, pois tentou defender os demais. O autor dos disparos atirou várias vezes, desde a porta de entrada do local da festa e poderia ter acertado os familiares e amigos da vítima, incluindo crianças que estavam na festa”, relata a advogada Andrea Jamur Pacheco Godoy.


O réu, Jorge José da Rocha Guaranho, está preso no Complexo Médico Penal de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (PR). Recentemente, ele foi demitido do cargo de policial penal por decisão do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, por uso de recurso material da repartição em atividade particular (arma), improbidade administrativa e incontinência pública. A decisão é resultado de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) instaurado à época do crime, para apurar a atuação do ex-agente da penitenciária federal de Catanduvas, no Paraná.


O início do júri do caso Marcelo Arruda está marcado para quinta-feira (4), às 8h00, na Vara Plenário do Tribunal do Júri de Foz do Iguaçu, no Polo Centro. O julgamento terá transmissão ao vivo pelo canal do Tribunal de Justiça do Paraná.

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