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Editorial

Demissão de Bancários

30 Jun 2016 - 06h00
Demissão de Bancários -
Números da Pesquisa do Emprego Bancário com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e divulgada ontem pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, revelam que mais que dobrou o volume de demissões de bancários em todo o Brasil em relação ao mesmo período do ano passado, com crescimento de mais de 105%. Significa dizer que entre janeiro a maio de 2016 foram fechados 5.998 postos de trabalho nos bancos públicos e privados de todo o país, com 15.048 desligamentos contra 9.050 contratações, fator que acaba penalizando ainda mais os consumidores dos serviços bancários. A pergunta que não quer calar é uma só: que justificativa os banqueiros têm para demitir esses trabalhadores se os bancos figuram entre as poucas empresas nacionais que aumentam a lucratividade mesmo em tempos de crise? A indústria têxtil, metalúrgica, montadoras de veículos, fabricantes de eletrodomésticos e eletroeletrônicos, entre outras, têm motivos de sobra para demitir em tempo de recessão, mas nada justifica o fechamento de um único posto de trabalho no sistema financeiro nacional.


O Brasil é o paraíso dos banqueiros, tanto que o lucro dos bancos fica maior a cada novo trimestre. Números da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) revelam que o Banco Itaú Unibanco registrou um lucro líquido de R$ 5,184 bilhões somente nos três primeiros meses deste ano, seguido pelo Bradesco com lucro líquido de R$ 4,121 bilhões em apenas três meses e o Banco do Brasil que lucrou R$ 2,359 bilhões no mesmo período. O Santander registrou lucro liquido de R$ 1,660 bilhão no primeiro trimestre deste ano, enquanto a Caixa Econômica Federal lucrou apenas R$ 838 milhões no trimestre e o Paraná Banco ficou com um lucro ainda menor, somente R$ 60,945 milhões no mesmo período. Se no primeiro trimestre deste ano os banqueiros não tiveram do que reclamar, imagine então ao longo de todo ano passado quando somente o Itaú Unibanco acumulou lucro líquido de R$ 23,35 bilhões, seguido pelo Bradesco com lucro de R$ 17,19 bilhões e pelo Banco do Brasil que lucrou R$ 14,4 bilhões. No ano passado, a Caixa Econômica Federal acumulou lucro líquido de R$ 7,2 bilhões, seguido pelo Santander com lucro de R$ 6,624 bilhões, pelo Banrisul com R$ 848,8 milhões e pelo Paraná Banco com lucro líquido de apenas R$ 141,9 milhões.


Ainda assim, os banqueiros não pensam duas vezes para fechar postos de trabalho em todo o país, tanto que somente os bancos múltiplos, aqueles que exploram carteira comercial como o Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e HSBC foram responsáveis pelo fechamento de 4.637 vagas, o que corresponde a 77% do total. Por outro lado, a Caixa Econômica Federal fechou sozinha 1.368 postos, o que equivale a 23% do total. A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro alerta que houve saldo negativo de emprego em 18 das 27 Unidades da Federação, com o maior volume de demissão sendo registrado em São Paulo, com fechamento de 3.512 vagas, ou 58,5% do total de dispensas, seguido pelo Rio de Janeiro, com 981 demissões, o que equivale a 16,4% do total de desligamentos, e Minas Gerais, com 396 empregos a menos, ou 6,6% do total. O levantamento revela que somente 8 Estados registraram saldo positivo de emprego no sistema financeiro.


A situação é muito crítica, mesmo porque 61% das demissões no sistema financeiro ocorreram por demissão sem justa causa o que significa que partiu dos próprios bancos a intenção de fechar postos de trabalho, enquanto apenas 29% das demissões foram por decisão do bancário, com 4.321 pedidos de demissão. O levantamento revela ainda que o salário médio dos admitidos pelos bancos foi de R$ 3.629,58, contra o salário médio de R$ 6.652,68 dos desligados, comprovando que os banqueiros estão apostando na rotatividade para reduzir seus custos e elevar ainda mais seus lucros. Essa realidade fica clara na confirmação que os novos contratados para trabalhar nos bancos receberam valor médio equivalente a 54,6% da remuneração dos bancários que saíram, além do mais os admitidos concentraram-se nas faixas etárias de até 24 anos enquanto entre aqueles com mais de 25 anos de idade ocorreram 8.060 demissões. Ainda que exista liberdade de mercado, de contratar e demitir, o Banco Central bem que poderia intervir para evitar fechamento de postos de trabalho, mesmo porque ao demitir os banqueiros penalizam sobretudo quem usa os serviços bancários.

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