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O mapa da violência no Brasil

15 Jul 2011 - 05h44
Dom Redovino Rizzardo, cs*



Como faz todos os anos, no dia 24 de fevereiro de 2011, o Ministério da Justiça divulgou o “Mapa da Violência no Brasil”. Infelizmente, as notícias que se sucedem sobre ela são tão frequentes e estarrecedoras que não impressionam nem sobressaltam a ninguém. Enquanto escrevo esse artigo, pelos cálculos que me foram apresentados, são cinco as pessoas que estão sendo assassinadas num país que, até há pouco tempo, passava por pacífico, alegre e acolhedor.

O pior de tudo é que a imensa maioria de suas vítimas – e protagonistas – é jovem, pessoas frágeis e desorientadas, que não chegam a descobrir o sabor da vida. Os dados estão ali para serem conferidos: de acordo com o Ministério da Justiça, a causa principal da morte de pessoas entre os 15 e os 24 anos é o homicídio. Entre os anos de 1998 e 2008 – o período analisado –, ele foi responsável pela morte de 39,7% dos jovens, ao passo que, na população adulta, os óbitos por assassinato não passaram de 1,8%.
O “Mapa” se debruça também sobre as mortes por acidentes de trânsito e por suicídio. De acordo com as estatísticas, no mesmo período, a taxa de mortes no trânsito entre os jovens foi de 32,4% e, entre os adultos, 26,5%. Na mesma década, a taxa de suicídios na juventude aumentou 22,6%, passando de 1.454 em 1998, para 1.783 em 2008.

Nessa hecatombe de jovens que sucumbem todos os dias sob o olhar interrogativo e aterrador de seus familiares, estão incluídos brancos e negros, ricos e pobres. A violência não é mais privilégio das favelas do Rio de Janeiro ou do Recife. Ela se infiltrou até mesmo entre as classes mais favorecidas, não apenas de Brasília e São Paulo, mas até mesmo de cidades do interior que, até há pouco tempo, eram tidas como paraísos de paz e tranquilidade.

Contudo, a bem da verdade, deve-se reconhecer que, em todos os Estados do Brasil – excetuado o Paraná –, as maiores vítimas da violência são os afro-descendentes. Assim, se entre os brancos as mortes caíram de 18.852 para 14.650, entre os negros seu número aumentou de 26.915 para 32.349. No Mato Grosso do Sul, seu porcentual não é diferente: os assassinatos de brancos diminuíram 15,4%, e dos negros cresceram 7,8%.

Quanto aos suicídios, o “Mapa” revela que, no Mato Grosso do Sul, seu crescimento foi espantoso, sobretudo entre os indígenas. Os dados mostram que, nestes últimos anos, a taxa de suicídios na população desse Estado cresceu 39,3%. Em 1998, o índice de suicídios foi de 5,6 casos por 100.000 habitantes, enquanto em 2008 essa relação passou para 7,8.

O município de Dourados é o segundo do país em número de suicídios de indígenas. Ele só perde para Tabatinga, no Amazonas. Outras duas cidades da região estão no topo da lista: Paranhos e Amambai. Como se não bastasse, no ranking das 100 cidades com maior número de homicídios de jovens no Brasil, Dourados é a única do Mato Grosso do Sul que foi lembrada. Ela ocupa a 89ª posição, muito acima de Campo Grande, a segunda colocada, que ficou em 175º lugar.

O “Mapa” revela que, em 2008, sobre 100 óbitos por suicídio verificados no Brasil, 54 aconteceram no Mato Grosso do Sul. A situação chama ainda mais a atenção por destoar totalmente do quadro geral do país – o qual, se comparado com outras nações, inclusive muito desenvolvidas, como o Japão, a Suécia e a Suíça, pode ser considerado baixo.

Se os indígenas são brasileiros, são sujeitos dos mesmos direitos e deveres dos demais concidadãos. Não poucas vezes, em nome de uma cultura a ser preservada – mas que, infelizmente, já foi deturpada pelos meios de comunicação social (quantos são os índios do Mato Grosso do Sul que não têm TV ou celular?) – eles continuam a ser tratados como seres inferiores. Não podem ter qualificação para o trabalho, mas pouco ou nada se faz para combater a droga e a violência que crescem em todas as aldeias.

E não é por falta de dinheiro que as coisas estão assim, se, só no campo da saúde – como revelou o Portal da Transparência –, até o dia 11 de abril deste ano o Governo Federal já havia repassado para um hospital da Reserva Indígena de Dourados a quantia de R$ 18.300.927,13... A quem interessa manter um “status quo” que mais se assemelha a genocídio?!

Bispo de Dourados

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