Dourados – MS quinta, 03 de dezembro de 2020
Dourados
29º max
22º min
Imaculada-Desk
Imaculada-Mobile
Comportamento

Procura por livros cresce durante a pandemia

Mesmo com diversos setores comerciais em crise por causa da pandemia do novo coronavírus o consumo de livros teve aumento considerável no município; cerca de 10% segundo as livrarias

28 Out 2020 - 13h29Por Lilian Rech, Especial ao O PROGRESSO
Procura por livros cresce durante a pandemia - Crédito: Divulgação Crédito: Divulgação

O ano de 2020 começou mundialmente atípico. Assolado por um vírus, até então pouco conhecido e que mudou não apenas questões sanitárias ou econômicas, mas também a rotina das pessoas e principalmente o comportamento. Com o distanciamento social, práticas antes esquecidas por muitos, como a leitura, acabaram voltando à tona. Parceira de uma livraria que em Dourados está há 21 anos no mercado, a empresária Elaine Messias afirma que de um modo geral a procura por livros vem aumentando nos últimos dois anos, principalmente por títulos de desenvolvimento pessoal, mas que agora com a pandemia, houve crescimento na procura. “Toda essa situação pandêmica no início trouxe uma fuga imediata de leitores, parte do público é de mães que tiveram que assumir responsabilidades do ensino em casa e à distância, ou de leitores que estão se sentindo mais dispersos, ansiosos até mesmo por causa da preocupação com as notícias sobre o contágio pelo vírus, inclusive os leitores foram colocados de surpresa no sistema home office e não conseguiram inicialmente se organizar para manter a rotina de leitura”, relata Messias. 

Foi preciso um período de adaptação para que a rotina de leitura fosse retomada e com isso o consumo literário. Passados três meses do início da pandemia, os leitores habituais começaram a voltar e inclusive surgiram novos leitores. Segundo Messias, aqueles que antes focavam muito em séries e filmes deixaram um pouco a tela de lado e uma opção para entreter foi a literatura.  Nos últimos quatro meses, ainda conforme Messias, a procura tem aumentado constantemente e comparando ao mesmo período de 2019, houve um crescimento de 10% na venda de livros. “Posso inclusive afirmar que tivemos uma mudança de foco nos títulos mais procurados, antes as pessoas pediam muito por temas de desenvolvimento pessoal e agora buscam mais leitura de entretenimento como romances, sagas de fantasia e ficção cientifíca”, relata a empresária. 

Ler sempre foi um dos passatempos preferidos da pequena Yasmin, de 8 anos. A menina que está no 3º ano do ensino fundamental “devora” livros infantis, entre os preferidos estão os que contam histórias de reinos encantados, princesas e plebeus. Durante a pandemia do novo coronavírus o gosto pela leitura aumentou ainda mais. A mãe, Elisângela Ferreira Castro, que é auxiliar-administrativa, afirma que sempre incentivou Yasmin a gostar de livros, mesmo quando era bem pequena e ainda sequer sabia ler. “O incentivo à leitura em casa sempre foi primordial. Crescemos em uma família de leitores e a Yasmin sempre teve contato com as letras desde bem pequena (...) perdi as contas de quantos livros ela teve durante todos esses anos e agora na pandemia a leitura acabou se transformando em uma alternativa para passar o tempo e sair um pouco da frente das telas, até porque ela continua os estudos de forma remota e em frente ao computador e essa é uma alternativa também de distração e de aflorar ainda mais a imaginação, além é claro de prepará-la para o futuro cultivando o gosto pela leitura”, conclui a auxiliar-administrativa. 

Por ser um ano atípico, justamente por causa da pandemia, diferentes pesquisas não oficiais estão sendo feitas por estudiosos da área, para verificar se houve ou não aumento com relação à prática de leitura do brasileiro. A Yasmin acaba sendo um diferencial dentro do universo da literatura. É incentivada desde a infância e provavelmente quando adulta manterá a paixão pela leitura. Idealizadora do Instituto Educacional Travessia Literária, a professora Andréia Iguma é doutora em Estudos Literários pela Universidade Federal de Uberlândia e afirma que ainda é cedo para termos uma resposta mais categórica com relação ao acesso e desenvolvimento da leitura. “Acredito que uma parcela da sociedade continuou sem acesso aos livros, mesmo que diferentes ações tenham sido travadas, em especial por meio das plataformas digitais, ainda há um expressivo número de pessoas que vivem excluídas desse universo tecnológico, pela falta de acesso (...) em contrapartida, acredito que o cenário tem sido movimentado por muitas ações - individuais e coletivas - que estão disseminando uma literatura além da escolarizada e isso é motivo de celebração, afinal, a arte é a grande possibilidade de suportar o peso da existência humana, de todo esse período que estamos passando e os que ainda vamos passar”, ressalta Iguma.

Enquanto mediadora de leitura, a professora ainda lembra que muitas pessoas aproveitam a situação pandêmica para o consumo de títulos sobre autoconhecimento, o que pode fomentar o acesso para outros momentos histórico-sociais que trazem situações e construções similares a atual. “Posso citar alguns livros como, por exemplo ‘Ensaio Sobre a Cegueira’, de José Saramago; ‘A Peste’, de Albert Camus; ‘O amor nos Tempos do Cólera’, de Gabriel García Márquez, entre outros, foram títulos que tiveram uma expressiva vendagem, justamente pelas temáticas. As narrativas distópicas também apresentaram uma crescente em número de procura (...) o que eu pude perceber, tanto no universo virtual quanto no pessoal é que houve uma oscilação muito grande no comportamento do leitor brasileiro”, finaliza Iguma.

Deixe seu Comentário

Leia Também

Campanha pelo fim da violência contra mulher começa amanhã
Mulher

Campanha pelo fim da violência contra mulher começa amanhã

24/11/2020 14:49
Campanha pelo fim da violência contra mulher começa amanhã
Empresas fazem ações em prol da AApoiadores de Dourados
campanha

Empresas fazem ações em prol da AApoiadores de Dourados

15/10/2020 13:49
Empresas fazem ações em prol da AApoiadores de Dourados
Dia das Crianças

Crianças relatam saudade de contato próximo com professores e colegas

12/10/2020 15:03
Geração conectada ainda gosta de brincar de bonecos
Dia das Crianças

Geração conectada ainda gosta de brincar de bonecos

12/10/2020 14:39
Geração conectada ainda gosta de brincar de bonecos
A pessoa com deficiência e o direito à acessibilidade: um grito de socorro
acessibilidade

A pessoa com deficiência e o direito à acessibilidade: um grito de socorro

10/10/2020 07:10
A pessoa com deficiência e o direito à acessibilidade: um grito de socorro
Últimas Notícias