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Mostra expõe alegrias de mulheres e crianças indígenas

28 Abr 2016 - 06h00
As imagens foram captadas durante anos de vivências com mulheres e crianças indígenas das aldeias. - Crédito: Foto: Edemir RodriguesAs imagens foram captadas durante anos de vivências com mulheres e crianças indígenas das aldeias. - Crédito: Foto: Edemir Rodrigues
Em um instante, os milésimos de segundo de exposição a uma câmera fotográfica captam sorrisos, tristeza e amparo. Mas, em comum, revelam olhares calejados de luta, serenidade e aceitação. As imagens fazem parte da exposição fotográfica "Kuña Porã: Matriarcas Kaiowá e Guarani", da produtora cultural e graduanda em História Fabiana Assis Fernandes, aberta nesta semana no Museu da Imagem e do Som.


As imagens foram captadas durante anos de vivências com mulheres e crianças indígenas das aldeias Jaguapiru, Panambizinho e Bororó, em Dourados e nos Tekohá (acampamentos e áreas de ocupação recentes reivindicadas pela população) de Guyra Kambi´y e Ita´y, de Douradina e Apika´y, de Dourados.


"Nasci em Dourados, sei o tamanho do preconceito que os indígenas sofrem de alguns segmentos da sociedade da cidade. Isso me motivou a conhecer seu modo de vida, suas lutas e sua cultura. A mostra é fruto desta vivência, do meu envolvimento com essas mulheres e seus sentimentos", revela Fabiana.


Em fotos que exploram o colorido e a integração das mulheres que unificam a cultura indígena Guarani e Kaiowá, Fabiana registrou a força das rezadoras, parteiras, artesãs, professoras, jovens e crianças em suas práticas cotidianas. O dia a dia e uma insistência bendita em manter vivos os traços culturais de seu povo.
Cada painel, decorado por indígenas das próprias comunidades, apresentam em suas duas faces imagens que se complementam. Em um, uma jovem sendo treinada para assumir a função de rezaderia no futuro. De outro, uma anciã exercendo ofício do cotidiano. "É uma forma de mostrar que essa continuidade é mantida com muita honra, apesar das influências culturais e religiosas que incidem sobre essas populações", avalia a Fabiana Fernandes.


Ainda segundo a autora da mostra, cada vez mais atuantes na política, econômica e socialmente dentro e fora das aldeias, elas lutam por igualdade na diversidade e redefinem sua identidade ao mesmo tempo em que transmitem saberes tradicionais para as novas gerações.

Serviço


A mostra é aberta ao público no Museu da Imagem e do Som, que fica no Memorial da Cultura, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, 559, 3º andar, centro.

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