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Arquitetura & Decoração

Uso de container como habitações cresce no Brasil

07 Mar 2016 - 09h15
Para ser utilizado na arquitetura, o container passa por um processo de tratamento e recuperação que inclui limpeza, funilaria, serralheria, pintura, revestimentos e acabamentos. Além do fator sustentabilidade, o container garante economia. - Crédito: Foto: DivulgaçãoPara ser utilizado na arquitetura, o container passa por um processo de tratamento e recuperação que inclui limpeza, funilaria, serralheria, pintura, revestimentos e acabamentos. Além do fator sustentabilidade, o container garante economia. - Crédito: Foto: Divulgação
O uso do container na construção como elemento arquitetônico atende demandas de novas práticas construtivas e garante o reaproveitamento desses cofres de cargas que ficam abandonados em portos. Trata-se de uma solução sustentável e de baixo custo para residências, escritórios e até comércios.


Muito comum no Japão e na Europa — principalmente na Holanda e na Inglaterra – esse tipo de aplicação se destaca pela facilidade no deslocamento e expansão do projeto. "Já se tornou uma prática consolidada que atende a uma grande diversidade de usos", afirma Túlio Tibúrcio, professor adjunto do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Viçosa.


Segundo Arthur Norgren, engenheiro de produção mecânica e sócio-fundador da contain[it] no Brasil, a onda de projetos arquitetônicos com esse elemento demorou para crescer. "Eles eram usados de forma mais rudimentar, para escritórios e depósitos de canteiros de obras", constata. Tibúrcio completa: "no Brasil, o conceito ganhou força por meio da apresentação de protótipos em eventos de arquitetura e decoração".


O container tem vida útil aproximada de 20 anos – varia conforme o tipo de material que transporta e fatores externos aos quais ele fica sujeito, como a maresia. Após esse período, seu reuso aponta potencial como estrutura modular para construção civil, pois é um material superdimensionado. "Dado que é feito para suportar até 25 toneladas de carga e pode ser empilhado em até 8 unidades em cima de um navio", argumenta Norgren.


Para ser utilizado na arquitetura, o container passa por um processo de tratamento e recuperação que inclui limpeza, funilaria, serralheria, pintura, revestimentos e acabamentos. "Tudo varia em função do projeto e do que o cliente quer", explica Norgren. A preparação da estrutura é feita na fábrica e in loco, dependendo das características de cada projeto — como as dimensões do container utilizado. Guindastes e caminhões muncks transportam o material para o local de instalação. Laudos de habitabilidade e de descontaminação contra agentes químicos, biológicos e radiativos são documentos que certificam a segurança do container como estrutura da construção. A aplicação do container na construção civil é sustentável pelo próprio reuso do material. O aproveitamento representa um descarte a menos na natureza. No entanto, práticas socioeconômicas devem ser adotadas para validar esse conceito. "Não adianta fazer um projeto que dependa de muito ar condicionado (e, portanto, energia) e achar que, só porque reusa containers, é sustentável", alega Norgen.


Além do fator sustentabilidade, o container garante economia. Na instalação, por exemplo, não requer serviços de fundação e terraplenagem. "Os containers se apoiam nos quatro cantos, então é possível calçá-los", explica Norgren. Por ser uma estrutura modular, possui maior velocidade na execução do projeto em comparação a métodos convencionais. Dispensa, ainda, o canteiro de obras.


A construção modular também simplifica ampliações à planta original sem demandar grandes reformas e permite que o container seja desmontado e transportado para outro terreno. "O projeto pode ser facilmente modificado, atendendo a demanda por flexibilidade", conta Tibúrcio.

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