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Saúde mental ainda é ‘tabu’ no ambiente corporativo

A OMS em 2016 afirmava que a depressão seria a maior causadora de afastamento no trabalho até 2020

14 Out 2020 - 13h24
Saúde mental ainda é ‘tabu’ no ambiente corporativo - Crédito: Divulgação Crédito: Divulgação

Falar sobre depressão, ansiedade, síndromes ligadas à condição mental, ainda é tabu nas empresas brasileiras. Uma pesquisa realizada pela 99Jobs com 1,5 mil profissionais indica que a maioria, especialmente os jovens, possuem dificuldades de expor suas deficiências relacionadas à saúde mental. Cerca de 50% dos entrevistados afirmaram possuir algum tipo de psicopatologia relacionadas ao estresse da rotina de trabalho.
A psicóloga e analista de Recursos Humanos Valéria Teixeira Souza Gubiani afirma que o mercado de trabalho tem se despertado para debater o assunto. Apesar de delicado, pois exige das corporações investimento em algo que não possui conexão direta com lucros financeiros, o tema é relevante e tem maior abrangência durante o mês do Setembro Amarelo.

“Durante o mês de setembro existe uma mobilização internacional para conscientizar as pessoas sobre os cuidados com a saúde mental e como ajudar quem sofre, porém pouco se fala sobre como o trabalho pode influenciar no adoecimento mental. Esse assunto é importante, pois no trabalho é onde passamos uma parte significativa de nossa vida, sendo este um componente fundamental para nossa construção e desenvolvimento. Se houver incidência de um estresse contínuo ou outro tipo de sofrimento ligado à função laboral, provavelmente o colaborador poderá desenvolver transtornos psicológico que podem repercutir tanto nos resultados profissionais, como na vida além do trabalho”.

Em Mato Grosso do Sul, a DouraGlass, uma indústria que atua no beneficiamento do vidro plano, percebeu que investir em políticas de bem-estar seria relevante para a qualidade de vida dos funcionários e para o futuro do negócio. Quem gerencia os processos produtivos é o engenheiro industrial Willian Carlos Fernandes, que tem buscado implementar ações para tornar as atividades da fábrica cada vez mais humanizadas. Isso resultou num crescimento importante para o negócio.

“A humanização da indústria é um processo cada vez mais necessário. Nesse ano de pandemia as empresas perceberam ainda mais a necessidade disso. Hoje nós cultivamos posturas internas que proporcionam o bem-estar das pessoas. Eu não posso olhar para a fábrica e ver apenas máquinas, são pessoas ali trabalhando. Essas pessoas têm limitações, desafios pessoais, elas possuem uma família, uma história. Dessa forma nós buscamos manter um ambiente cada vez mais harmonioso e colaborativo, temos uma relação empática com nosso time dando a oportunidade de cada um expor as suas ideias e insatisfações, sem que isso gere retaliações ou consequências negativas. E tem dado certo: em 5 anos duplicamos o nosso quadro de funcionários, investimos em tecnologias que facilitam o processo e consequentemente nosso faturamento também cresceu. Então hoje a gente sabe que o investimento no bem-estar do colaborador é sim bastante proveitoso a longo prazo, influenciando diretamente nos resultados financeiros inclusive”.

A empresa realizou uma pesquisa interna neste mês para mensurar a proximidade do tema com os colaboradores. Foram ouvidos 86 funcionários, sendo que 93% afirmaram saber sobre o Setembro Amarelo. 25,6% afirmaram já ter sofrido com alguma síndrome psíquica. Metade dos entrevistados convivem com pessoas acometidas por esse problema e 96% garantem que o ambiente de trabalho valoriza a saúde mental.

A Organização Mundial da Saúde alerta que uma em cada quatro pessoas acabará sofrendo com um transtorno da mente ao longo da vida. Porém, apesar desses dados tão alarmantes, são poucas as empresas que mantêm um programa de saúde psicológica e emocional para seus empregados.
A OMS em 2016 afirmava que a depressão seria a maior causadora de afastamento no trabalho até 2020. Além disso, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) estima que 20% ou 25% da população em algum momento da vida teve ou terá um quadro de depressão.

Os transtornos mentais adquiridos em decorrência do trabalho foram o quarto maior motivo de afastamento de trabalhadores nos últimos quatro anos, segundo Boletim Quadrimestral sobre Benefícios por Incapacidade, organizado pelo Governo Federal, divulgado em 2017.

Ainda não há dados atualizados que confirmem essa realidade relacionada ao trabalho, porém os casos de transtornos mentais no Brasil avançam de forma escalada. Com mais de 12 milhões de pessoas com depressão, o país ocupa o primeiro lugar no ranking entre os países da América Latina. Ao todo no mundo são mais de 264 milhões de pessoas acometidas pela doença.


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