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Potencial produtivo atraiu produtores de todas as regiões para Dourados

Na década de 70, o chamado latosolo vermelho, com alto teor de argila, atraiu produtores para o interior do MS; hoje, município se destaca pela localização geográfica e diversificação da produção

20 Dez 2021 - 08h00Por Ana Paula Amaral, especial para O Progresso
Potencial produtivo elevou Dourados a um dos principais produtores de soja e milho no MS; diversificação da produção rural também é marca registrada do município - Crédito: Rubens Moreira NetoPotencial produtivo elevou Dourados a um dos principais produtores de soja e milho no MS; diversificação da produção rural também é marca registrada do município - Crédito: Rubens Moreira Neto

O potencial produtivo do solo douradense foi, na década de 70, um dos grandes responsáveis por atrair produtores rurais das mais diversas regiões do país. Na época, devido ao conceito de que as culturas só poderiam ser produzidas em solos com alto teor de argila, o município se destacou pelo chamado ‘latosolo vermelho’, que são solos minerais, homogêneos e com alta permeabilidade à água. Quem explica é o presidente do Sindicato Rural de Dourados, Ângelo Ximenes. Segundo ele, além das boas condições do solo, outro fator decisivo para o desenvolvimento da agropecuária nesta região foi a boa localização geográfica e a diversificação das culturas. 

Segundo ele, o tipo de solo presente no município de Dourados foi fundamental para garantir a expansão da atividade agrícola. “A produção de grãos é um ponto muito forte do município. Soja e milho são commodities que independem do mercado local para ter bom preço, e hoje a atividade com maior rentabilidade econômica com certeza é a dobradinha soja no verão e milho na safrinha de inverno”, destaca.

A alta produtividade pode ser comprovada em números: na safra de verão 2020/2021, Dourados elevou a produção de soja em 106 mil toneladas no comparativo com as duas temporadas anteriores. Em 2021, foram colhidas 791 mil toneladas da oleaginosa, diante de 684,5 mil toneladas na safra 2019/2021. Para a safra 2021/2022, que está em pleno desenvolvimento, a área plantada com soja alcançou 225 mil hectares no município. 

Segundo o ruralista, outro ponto que favorece a produção agropecuária no município é a boa localização geográfica, devido à proximidade com o Paraguai e com Estados importantes como São Paulo, Paraná e Mato Grosso. “Além disso, Dourados é um polo para pelo menos 33 municípios do entorno. E isto com certeza atrai não só produtores como também investidores, interessados na grande influência do município para toda a região”, acrescenta.

Ximenes destaca, ainda, a diversificação da produção rural, o que inclui não somente a atividade agrícola, mas também a pecuária. “As terras em Dourados são muito valorizadas e aqui conseguimos associar pequenas propriedades em várias atividades diferentes, como piscicultura e suinocultura, por exemplo”, afirmou, ao reforçar o avanço da suinocultura diante do mercado internacional.

O produtor Antônio Carlos de Almeida, de 68 anos, natural do Rio Grande do Sul, foi atraído pelo potencial produtivo de Dourados há 45 anos. O ano era 1976, quando ele decidiu arriscar tudo e apostar todas as fichas na pequena cidade do Mato Grosso do Sul. Aqui, formou família, estudou e hoje produz grãos e tem uma pequena criação de gado leiteiro. “Foi a melhor decisão que eu tomei naquela época. Era jovem, e resolvi seguir os conselhos de outras pessoas que já estavam nesta região e produzindo bem. A terra douradense é muito boa; o que a gente planta aqui, nasce!”, garante. 

Industrialização

Nos últimos anos, além de produzir mais e com melhor eficiência, Dourados também ganhou destaque na industrialização, através da vinda de grandes cooperativas para processamento de óleo vegetal. Segundo avaliação de especialistas, com isso, a produção do município tem maior valor agregado, transformando o grão em proteína animal – o que é importante para que o produto já saia de Dourados processado.

Um destaque para este segmento é a Inpasa, unidade em construção em Dourados e que deve entrar em operação em abril de 2022. O complexo industrial possui 200 mil m² de área construída e contempla os processos de fabricação de etanol anidro e hidratado, óleo bruto e refino de óleo, além de duas fontes distintas para geração de energia elétrica.

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