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Renúncia não oficializada

Sem consolidação da renúncia, manifestantes continuam bloqueando BR entre Brasil e Bolívia

O Bloqueio é em Corumbá fronteira das cidades de Arroyo Concepción, Puerto Quijarro e Puerto Suárez

11 Nov 2019 - 11h48Por Diário Corumbaense
Fronteira entre Brasil e Bolívia, em Corumbá, continua fechada - Crédito: Diário CorumbaenseFronteira entre Brasil e Bolívia, em Corumbá, continua fechada - Crédito: Diário Corumbaense

Mesmo após a renúncia do ex-presidente Evo Morales e de seu vice, Álvaro Garcia Linera, a greve geral no País continua. Depois da comemoração de domingo, a fronteira das cidades de Arroyo Concepción, Puerto Quijarro e Puerto Suárez permanece fechada nesta segunda-feira (11). O bloqueio entrou hoje no 20º dia, informou o Diário Corumbaense nesta segunda-feira (11). 

O presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz de La Sierra, Luis Fernando Camacho, principal líder das manifestações, pediu mais dois dias de "resistência" até que renúncia do atual governo, seja consolidada oficialmente.

O líder cívico explicou que processos de responsabilidade serão iniciados contra autoridades estatais, como Morales e García Linera, que são apontados como responsáveis pelas três mortes ocorridas na Bolívia nos dias de protestos. “Não é ódio ou ressentimento, isso é justiça”, explicou Camacho em sua mensagem.

O líder cívico expressou sua desconfiança na Assembleia Legislativa Plurinacional e pediu aos manifestantes que continuem com as mobilizações. “Eu sei que queremos suspender a greve, mas agora precisamos ter uma data definida para o novo processo e claramente um governo transitório. Se levantarmos agora, o Congresso pode fazer alguma coisa que não será de agrado a todos nós bolivianos”, disse.

A ideia de Fernando Camacho é permanecer em La Paz até que a renúncia de Evo Morales, do vice-presidente, Linera e de seus ministros seja aceita pela Assembleia Legislativa. Além disso, ele  também quer retornar a Santa Cruz de La Sierra, com a data confirmada para novas eleições na Bolívia.

Fronteira

Sem nenhuma determinação, a fronteira entre a Bolívia e Corumbá segue fechada. Montes de terra, entulho, caminhões e carros de passeios continuam atravessados na ponte da Amizade, que separa os dois países. 

Ao Diário Corumbaense, a presidente do Comitê Cívico Feminino de Puerto Quijarro, Rosário Hurtado de Gallardo, reforçou que, de fato, a greve prossegue e que ainda não há previsão de reabertura da fronteira. “Esperamos determinações dos Comitês Cívicos. Tudo segue como antes, mesmo com a renúncia de Evo Morales que deve ser oficializada”, declarou.

A renúncia

A decisão de Evo Morales ocorreu vinte dias após a votação que teria lhe garantido o quarto mandato consecutivo à frente do governo boliviano já no primeiro turno, vencendo o opositor e ex-presidente Carlos Mesa. O resultado das eleições de 20 de outubro, no entanto, foram contestados pela oposição e deflagraram grandes protestos contra e a favor de Morales. Três pessoas morreram durantes os confrontos.

Na manhã de domingo (10), Evo chegou a convocar novas eleições e também anunciou a renovação dos membros do Supremo Tribunal Eleitoral. Também disse que não renunciaria, que iria cumprir seu papel constitucional. Isso depois que auditoria da OEA (Organização dos Estados Americanos) apontou irregularidades na eleição presidencial.

Porém, após anúncio do apoio de parte da Polícia Nacional Boliviana, que teve início na sexta-feira (08) em cidades daquele país e também do apoio declarado em rede nacional das Força Militares Bolivianas, ainda no domingo, Evo Morales, em rede nacional anunciou sua renúncia.

"Estou renunciando para que meus companheiros não sejam ameaçados e amedrontados", falou Morales. “Estou renunciando para que Mesa e Camacho não continuem com esse jogo, onde até mesmo casas dos meus aliados foram queimadas, por isso estou abrindo mão das nossas posições. Esperamos que esse tipo de ideologia nunca esteja além”, acrescentou  em seu discurso. O vice-presidente, García Linera também renunciou ao cargo.

Presidente interino

Nesta segunda-feira (11), a Assembleia Legislativa Plurinacional se reunirá para decidir quem ficará à frente do país nos próximos meses, depois de os presidentes do Senado e da Câmara, também renunciarem.

A sucessão constitucional indica que a senadora Jeanine Añez, dos Democratas, poderia assumir o Governo da Bolívia. Áñez nasceu em Trinidad, Beni, em 13 de junho de 1967. Em 2010, foi eleita senadora da Bolívia pelo partido Plan Progreso. Na última eleição (2015), ela disputou pelos Democratas.

Entre 2006 e 2008, atuou como membro da Assembleia Constituinte na elaboração da nova carta constitucional.

Jeanine Añez está em Beni e anunciou que poderá viajar para La Paz nesta segunda-feira à tarde para convocar a Assembleia Legislativa para discutir a renúncia de Morales. Uma vez a renúncia aceita, será instalado um novo governo que terá a missão de convocar novas eleições em um período de 90 dias.

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