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Eleições

Faxina da corrupção inibe candidaturas e esvazia discursos em ano eleitoral

17 Mai 2016 - 06h00
Principal nome do PTB, Nelsinho Trad tem mantido conversações políticas. - Crédito: Foto: DivulgaçãoPrincipal nome do PTB, Nelsinho Trad tem mantido conversações políticas. - Crédito: Foto: Divulgação
A campanha eleitoral só começa para valer em agosto, como determina a legislação, mas a verdade é que a faxina da corrupção feita em âmbito nacional e estadual acabou inibindo algumas candidaturas e esvaziando discursos até de grupos políticos históricos em Mato Grosso do Sul.


Para analistas, vários fatores contribuíram para o recuo de partidos e pré-candidatos até então vistos como favoritos: o escândalo de corrupção na Petrobras, o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, a cassação do senador Delcídio do Amaral e a Operação Lama Asfáltica, que culminou com a prisão do ex-deputado federal Edson Giroto (PR) e outras peças importantes.


Por conta disso, o ex-governador André Puccinelli, líder maior do PMDB no Estado, foi chamado na Polícia Federal, em Campo Grande, para prestar esclarecimentos.


Por enquanto, apenas os candidatos do PSD, deputado estadual Marquinhos Trad, e do PSDB, vice-governadora Rose Modesto, se movimentam na Capital em torno da sucessão do prefeito Alcides Bernal (PP).


Ex-secretário de Obras da prefeitura e do governo de André Puccinelli, Giroto foi o primeiro a retirar sua candidatura a prefeito, deixando também a presidência regional do PR. Tudo isso deixou o PMDB e o PR órfãos na Capital, porque até o momento ninguém de habilitou a dizer publicamente que deseja concorrer à prefeitura.


Os senadores Waldemir Moka e Simone Tebet, por exemplo, já avisaram que não têm interesse em postular o cargo, coisa que no passado era motivo de disputa interna quando o PMDB era hegemônico na Capital.


No controle da prefeitura por mais de duas décadas, o partido de André Puccinelli encolheu a partir da saída de importantes quadros liderados pelo ex-prefeito Nelsinho Trad (PTB), Marquinhos Trad e o ex-deputado federal Fábio Trad (PSD).


O que restou ao partido em termos de opção foi o nome do deputado federal Carlos Marun, que se queimou ao defender publicamente o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), conforme analistas.


No último dia 5, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Teori Zavascki, afastou Cunha alegando que o deputado estava atrapalhando as investigações da Lava Jato, na qual o deputado é réu em uma ação e investigado em vários procedimentos.


Os peemedebistas até ganharam sobrevida a partir da ascensão do vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP), que assumiu o Palácio do Planalto interinamente a partir do afastado da presidente Dilma. No enquanto, voltaram a esfriar diante do episódio com André Puccinelli, que repercutiu negativamente na mídia nacional.


Já o recuo dos petistas deve-se ao escândalo envolvendo Delcídio, que foi preso pela Polícia Federal sob alegação de tentar obstruir os trabalhos da Operação Lava Jato. Em gravação telefônica, o senador sugeriu propina e fuga para um dos delatores da Operação, ex-diretor da Petrobrás, Nestor Cerveró.


Dias depois, o senador foi cassado por falta de decoro parlamentar. Esses episódios, portanto, acabaram refletindo negativamente em âmbito estadual.


Diante disso, o deputado federal Zeca do PT, além de lamentar o envolvimento do correligionário nesse tipo de cena, chegou a dizer à imprensa que não seria mais candidato na Capital, o que não significa que o petista não possa mudar de ideia dependendo do encaminhamento das discussões políticas.


Sem Zeca na disputa, resta ao PT o deputado estadual Pedro Kemp, que sempre sonhou em comandar a prefeitura da Capital. Integrante da ala xiita do partido, o deputado também calou-se sobre a ideia de candidatura.

Sequestro de bens


Em março deste ano, a Justiça decretou a indisponibilidade dos bens no valor total de R$ 315 milhões de Nelsinho Trad, do ex-secretário de Infraestrutura João Antônio De Marco e de outros 19 réus por desvio de recursos em contratos para a realização do serviço de tapa-buraco na Capital.


A decisão, em caráter liminar, é resultado de apuração feita pelo MPE (Ministério Público Estadual) em contratos da prefeitura com a Selco Engenharia Ltda., empresa flagrada por câmeras de segurança de um condomínio no Parque dos Poderes tapando buracos inexistentes.


O ex-prefeito, no entanto, nega as acusações. Principal nome do PTB, Nelsinho Trad tem mantido conversações políticas e aparecido nas inserções do partido em horário nobre de televisão convidando eleitores a se filiarem ao partido, prova de que se mexe de olho no cargo que já exerceu por dois mandatos consecutivos.


Resta saber, porém, se as acusações impedirão o petebista de disputar a prefeitura pela terceira vez.

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