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Opinião

Padre Crispim: Laicismo e secularismo, sinais dos tempos

06 Jul 2011 - 14h28
Pe. Crispim Guimarães


O mundo sempre foi regido por filosofia, numa tentativa humana de encontrar respostas à insa-tisfação que o permeia. Na era cristã de XX séculos, no mundo ocidental, muitas foram as cor-rentes que imbuídas de religiosidade ou não, tentaram delinear a felicidade a partir de seus princípios.

Neste século XXI, na chamada pluralidade existencial, duas correntes norteiam os caminhos humanos, mas são sutis e quase imperceptíveis, pois estão misturadas a muitos outros modos de vida, abraçados facilmente pela humanidade contemporânea. A pluralidade é, talvez, a maneira mais velada e maquiada de revelar o secularismo, por exemplo.

Mas o que realmente caracteriza o laicismo? Estamos falando de um mundo - até pouco tempo - cristianizado, onde valores e hierarquia dos mesmos e da realidade eclesiástica se mantinham dentro da estrutura eclesial e até na esfera civil. Na atual conjuntura social do ocidente, vê-se uma mudança substancial, quando os leigos, isto é, aqueles que não são ordenados, que não exercem ministérios como padres, bispos, papa, no caso católico, ou como pastores nas outras tradições cristãs, não aceitam mais certos valores evangélicos.

O papel do leigo nas estruturas eclesiásticas é essencial, mas nas últimas décadas, além do im-portante papel que exercem, começa a surgir um crescente questionamento às verdades estabe-lecidas pelo próprio Evangelho, do qual a Igreja vive e para qual exerce todo seu ministério. A hierarquia não existe para si mesma, seu papel é preservar aquilo que do próprio Cristo recebeu, mas na concepção laicista, a hierarquia não teria sentido se não fosse para fazer funcionar uma estrutura nos moldes da democracia civil, porque o poder, nesta concepção vem da base popular, portanto da maioria, enquanto que no cristianismo, o poder vem de Deus, foi Deus Filho que desceu do céu e se encarnou, não foi o homem que conquistou sua salvação, ela foi doada gra-tuitamente, daí que todo conceito de Igreja, Povo de Deus, do Concílio Vaticano II, não pode ser interpretado como mera associação de pessoas de boa vontade que por si só salvam a si mesmas.

Secularismo é outro conceito impregnado na sociedade atual. Semelhante ao laicismo, o secula-rismo se caracteriza por retirar todo o sagrado da percepção humana, pois o destino do homem, segundo o mesmo, não estaria preso a doutrinas religiosas, mas simplesmente a instituições laicas e meramente associativas por consenso. As duas concepções são as matrizes de várias outras maneiras de conceber o mundo e a existência humana, portanto, não existem mais verda-des absolutas ou leis divinas, Deus passa a ser fruto daquilo que me oferece prazer, e se não oferece ou o poda, deve ser excluído do cotidiano humano.

Basta que a lei civil dê aval para qualquer comportamento, para que ele seja considerado legitimo e bom, quando na concepção da hierarquia de valores, a lei civil, por mais que tente representar a justiça, ainda é carente de ser verdadeiramente sua promotora. O que se observa por todos os lados é a propagação desta liberdade laica, livre de tudo e de todos, num subjetivismo exacerbado, onde o comum torna-se regra. Mas as pseudo-verdades passam, a Verdade perma-nece! Entretanto, pelos prismas destas correntes, alguém deve estar fazendo a mesma pergunta que Pilatos fez a Jesus: “e o que é a Verdade”? Jesus não diz uma palavra, simplesmente mostra a si mesmo!

O autor é Pároco da Paróquia Cristo Rei - Laguna Carapã-MS

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