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Seis cidades de fronteira em MS têm queda em leitos do SUS

24 Jun 2016 - 07h00
Apenas Bela Vista apresentou um aumento no número de leitos. - Crédito: Foto: DivulgaçãoApenas Bela Vista apresentou um aumento no número de leitos. - Crédito: Foto: Divulgação
Dos 12 municípios de Mato Grosso do Sul que fazem fronteira com o Paraguai ou Bolívia, seis tiveram redução em números de leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) nos últimos cinco anos. Dos 435 leitos do SUS que existiam até 2011, hoje são 368 (-15,40%).


As informações fazem parte de um relatório do Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgado essa semana. A cidade mais prejudicada foi Sete Quedas, que faz divisa com o Paraguai. De 49 leitos caiu para 18, uma redução de 63%. Em seguida foi a cidade de Mundo Novo, de 47 leitos para 23, queda de 51%. Aral Moreira, de 15 leitos foi para 11 (-27%); Porto Murtinho de 20 para 16 (-20%); Aral Moreira, de 15 para 11 (-27%); Ponta Porã, de 109 para 104 (-5%); Corumbá dos 143, caiu para 138 (-3%). Dos municípios fronteiriços de Mato Grosso do Sul, apenas Bela Vista apresentou um aumento no número de leitos, de 22 subiu para 28, ou seja, mais 27%. As informações fazem parte de uma radiografia divulgada pelo CFM na terça-feira passada, durante o I Fórum de Médicos de Fronteiras, realizado em Brasília.

Desigualdades


De acordo com o CFM, um quarto dos 122 municípios brasileiros que fazem fronteira com outros países não possui nenhum leito de internação disponíveis no SUS. Nessas cidades, que perfazem 15,7 mil quilômetros de fronteiras, também é baixa a oferta de estabelecimentos e de profissionais de saúde na rede pública e alta a incidência de doenças já erradicadas em muitos locais do Brasil.


"Por serem localidades distantes dos centros urbanos, muitas vezes de difícil acesso e acolher um grande fluxo de estrangeiros que buscam por tratamentos, a oferta de serviços públicos de qualidade tem sido prejudicada", alerta Carlos Vital, presidente do CFM.


Para ele, além de sobrecarregar a assistência em saúde, muitas vezes o acolhimento massivo aos estrangeiros não é contabilizado pelo Ministério da Saúde no cálculo do repasse de verbas para o SUS, que em alguns casos segue critérios de contingente populacional.


O presidente do CFM, Carlos Vital e a coordenadora da Comissão de Integração de Médicos de Fronteira, conselheira Dilza Ribeiro, expuseram os principais desafios enfrentados pelos médicos nos 15,7 mil quilômetros de fronteiras. Nessas regiões vivem aproximadamente 3,5 milhões de brasileiros, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


Pelos dados oficiais também é possível verificar que os municípios da região fronteiriça possuem juntos 5.269 leitos de internação no SUS, número 5% menor que o registrado em 2011.


"Sabemos que muitos destes municípios não têm estrutura e nem demanda para manter um hospital geral, mas é imprescindível que se ofereça condições mínimas de atendimento em casos mais graves. Em muitos lugares um paciente tem que esperar dois ou três dias por um transporte que possa levá-lo ao hospital mais próximo", explicou Dilza Ribeiro.

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