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Editorial

Reprovação do Governo

31 Mar 2016 - 10h50
Pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) junto ao Ibope e divulgada ontem revela que 69% da população classifica o governo da presidente Dilma Rousseff como ruim ou péssimo, o maior percentual de desaprovação registrado desde o fim do governo José Sarney. Mais: apenas 10% dos brasileiros consideram a gestão petista ótima ou boa, de forma que para cada 100 entrevistados somente 10 aprovam a forma como a presidente Dilma Rousseff está conduzindo os rumos da nação. Como não poderia ser diferente, a Região Nordeste, onde a presidente recebeu votação maciça nas eleições presidenciais de 2014, ainda confere uma aprovação um pouco melhor ao governo federal, com 18% dos entrevistados avaliando o governo como ótimo ou bom. Por outro lado, na Região Sudeste, a aprovação da petista ficou em apenas 7%, de forma que, para cada 100 entrevistados, apenas 7 classificam o governo federal como ótimo ou bom. O inferno astral da presidente da República parece não ter fim, tanto que 80% disseram não confiar em Dilma Rousseff e 82% desaprovam a maneira como ela governa a nação.


O nível de instrução dos entrevistados também pesa na avaliação do governo, de forma que quanto maior a escolaridade, menor é a aprovação da maneira de governar da presidente Dilma Rousseff. Entre os entrevistados que têm até a quarta série do Ensino Fundamental, 70% desaprovam o governo federal e 24% aprovam a maneira de governar da presidente, enquanto entre os que têm educação superior, exatos 87% desaprovam e somente 9% aprovam a maneira de governar da presidente Dilma Rousseff. A Pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria aponta ainda que 80% dos brasileiros dizem que o segundo governo Dilma está sendo pior que o primeiro e 68% acham que o restante do mandato da presidente deverá ser ruim ou péssimo, de forma que a percepção de incapacidade administrativa da atual chefe do Palácio do Planalto. A situação do governo é muito crítica, tanto que 48% das pessoas que declararam ter votado em Dilma Rousseff no segundo turno das eleições presidenciais consideram seu governo ruim ou péssimo e 65% dos eleitores da petista desaprovam a maneira dela governar.


A insatisfação dos brasileiros está em todos os setores, desde as políticas públicas até as questões tributárias e políticas de juros. Exatos 91% dos entrevistados desaprovam a atuação do governo na área de tributos e 90% reprovam as taxas de juros, ou seja, os mecanismos que a equipe econômica está usando para conter a inflação acaba gerando ainda mais descrédito no governo federal. As ações na área de saúde pública são reprovadas por 87% dos entrevistados, enquanto as medidas de combate ao desemprego tem 86% de reprovação, números que são praticamente impossíveis de reversão no curto prazo, mesmo que haja uma grande coalizão em favor do governo federal. As medidas de combate à fome e à pobreza foram reprovadas por 69% dos entrevistados, enquanto as políticas públicas voltadas para o meio ambiente são rejeitadas por 68% da população e a educação é reprovada por 74% dos entrevistados. Esse cenário de reprovação deverá influenciar a votação do processo de impeachment na Câmara dos Deputados num momento em que a falta de apoio popular pode acelerar a saída de parlamentares da base de sustentação do governo.


A pesquisa Ibope apenas reflete o governo da presidente Dilma Rousseff, que parece ter se especializado em produzir escândalos, seguindo a cartilha que começou a ser escrita ainda na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva quando o dinheiro público foi usado para comprar apoio político no Congresso Nacional por meio de pagamento de mensalão aos deputados e senadores de partidos aliados. Se os escândalos no governo Lula não tiveram força para atingir o chefe do Palácio do Planalto, na gestão Dilma Rousseff, eles contaminaram a mandatária maior do Brasil, mesmo porque todo dia surge um novo episódio de corrupção. Por exemplo, cada dia que passa surgem informações ainda mais estarrecedoras sobre o esquema de corrupção armado para sangrar os cofres da Petrobras, a maior empresa pública brasileira e uma das gigantes do setor de petróleo no cenário mundial. Além de contratos de mais de R$ 50 bilhões com a estatal, as nove construtoras investigadas na Operação Lava Jato da Polícia Federal também receberam mais de R$ 11,3 bilhões para realizar obras no governo federal.

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