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Editorial

Primeiro passo

30 Dez 2015 - 09h43
O anúncio da liberação para comercialização por parte da Anvisa da primeira vacina contra a dengue registrada no Brasil: a Dengvaxia, do laboratório francês Sanofi Pasteur é o primeiro passo, no combate a doença pois a dimensão de pessoas a serem imunizadas é pequena para um momento tão critico como agora.


Ainda não há previsão para a vacina ser adotada no SUS, conforme informou o Ministério da Saúde. A aprovação anunciada no início do verão não significa que o medicamento estará disponível para compra de laboratórios nas próximas semanas. A vacina precisa ainda passar por regulação de preço para estar disponível na rede particular de saúde, o que deve ocorrer ao longo do primeiro semestre de 2016.


O Ministério da Saúde e o laboratório fabricante informam que a vacina tem 65,6% de eficácia global no combate aos quatro sorotipos do vírus da dengue. É um índice de eficácia menor ao de outras vacinas adotadas na rede pública de saúde, a exemplo da que protege contra a febre amarela: mais de 90%.


Durante o ano de 2015 o Brasil viveu uma epidemia de dengue, mais uma vez. Pelo menos 1,5 milhão de pessoas foram infectadas com o vírus da doença, o que significa aumento de 176% em relação a 2014. O país sofre ainda um surto causado pelo zika vírus. Os dois vírus são transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti.


Após o anúncio da aprovação da vacina, muitos brasileiros se perguntaram se ela também vai ajudar na luta contra o zika vírus. Os especialistas respondem: “A vacina não protege contra zika e chikungunya, apenas contra o vírus da dengue”.


Trocando em miúdos o anuncio da vacina não pode em hipótese nenhuma significar um alívio para as famílias brasileiras que devem continuar atentas aos seus quintais, ao próprio meio ambiente, ao trabalho de multiplicação entre os vizinhos, a mobilização da coletividade, porque a água parada virou sinal de alerta para todos e água parada é o que mais se observa com essa temporada de chuvas que começaram bem antes do verão chegar.


A guerra contra a dengue é travada em um momento de muita chuva em Mato Grosso do Sul e justamente em período de férias de final de ano. Aí é que também mora o perigo. O Poder Público não pode se descuidar nesta época e as férias dos servidores do setor de endemias, devem ser suspensas. Em Dourados por exemplo, a guerra ao mosquito transmissor da dengue continua sem trégua por parte dcas equipes do Centro de Controle de Zoonozes (CCZ).


A primeira vacina contra a dengue registrada no Brasil a Dengvaxi, sem duvida significa um grande avanço, porém, significa apenas um passo para o longo caminho que deve ser percorrido contra a dengue.


Caminho que deve ser seguido em conjunto entre a comunidade e o poder público, cada um fazendo a sua parte para a prevenção do aedes e outros vetores. A luta tem que ser diária independente de epidemia. Infelizmente o governo brasileiro gasta muito mais em tratamento contra a dengue do que em prevenção. Remediar que prevenir parece ser habitual por parte do brasileiro e o mal hábito começa de onde não deveria começar: por parte do governo.


O Brasil gastou duas vezes mais para tratar as vítimas da dengue do que com a prevenção das doenças que são transmitidas pelo Aedes aegypti. O resultado dessa matemática foi a explosão no número de casos. E olha que a dengue não é nem mais a única ameaça, tem outras doenças graves transmitidas pelo Aedes aegypti.


Uma conta que está em um estudo internacional mostra o seguinte quadro: o Brasil gastou R$ 2,7 bilhões com a doença, sendo R$ 1,2 bilhão com prevenção. Enquanto isso os estados e municípios reclamam que ficam com a responsabilidade de combater o mosquito, mas não recebem ajuda financeira suficiente do Governo Federal.


Pesquisadores de instituições brasileiras e internacionais fizeram um estudo que mostra o impacto econômico da dengue no Brasil. Foram quase três bilhões de reais. A maior parte não foi investida em prevenção, e sim em tratamento dos doentes.


De acordo com cálculo feito pelos pesquisadores só com exame e internação no SUS, cada paciente custou, em média, R$ 535, 00 mais os dias sem trabalho, custo de transporte para chegar a um posto de saúde e afastamento da escola. No ano, tudo deu um total de R$ 2,7 bilhões, a maior parte só para cuidar dos doentes. Já para a prevenção, R$ 1,2 bilhões foram investidos. O estudo foi feito em seis capitais e levou em consideração os atendimentos em 2013.

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