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Editorial

Petrobras Prejudicada

13 Abr 2016 - 06h00
Em meio aos escândalos de corrupção que minaram os cofres da estatal e depois de acumular prejuízo recorde de R$ 34,8 bilhões no ano passado, a Petrobras iniciou 2016 com investimentos em baixa, ou seja, toda solidez construída desde a criação da empresa está sendo jogada por terra em pouco mais de 13 anos de governo do Partido dos Trabalhadores. A situação financeira da estatal que viu seu valor de mercado despencar nos últimos anos é crítica, tanto que os investimentos em obras e na compra de equipamentos foram reduzidos em de 25% somente no primeiro bimestre de 2016 na comparação com o mesmo período de 2015. Enquanto em janeiro e fevereiro deste ano a Petrobras aplicou R$ 9,1 bilhões em obras e equipamentos, no mesmo período do ano passado foram investidos R$ 12,2 bilhões, de forma que os gastos em 2015 se configuram como os menores desde 2008 para os meses de janeiro e fevereiro. Situação muito diferente da vivida em no mesmo período de 2010, quando foram investidos R$ 17,8 bilhões, quando os escândalos de corrupção e desvios do dinheiro estatal ainda não tinham sido revelados.


No fundo, ainda que tenha sido vítima da quadrilha que se instalou no poder, a queda de investimentos não atinge apenas a Petrobras. Somente na primeira metade do ano passado, as 72 empresas estatais brasileiras cortaram mais de R$ 9 bilhões em investimentos, quando, juntas, as estatais investiram R$ 30,6 bilhões no período, contra R$ 39,7 bilhões aplicados no semestre anterior. O total investido nos 320 projetos e 263 atividades previstos no Orçamento de Investimento de 2015 equivaleram a 17,4% da dotação autorizada, ou seja, quase 83% dos recursos reservados para obras e compras de equipamentos ficaram contingenciados pelas empresas estatais. Levantamento feito pelo portal Contas Abertas revela que a execução foi a menor verificada para o período desde 2005 e que dificilmente as estatais fecharam o ano sem conseguir aplicar o orçamento de R$ 141,4 bilhões, prejudicando 19 empresas do Grupo Eletrobras, 23 ao Grupo Petrobras e as 23 restantes que estão distribuídas entre os mais diferentes ministérios.


O detalhe é que das 68 empresas que tiveram programação de dispêndios aprovada no âmbito do Orçamento de Investimento de 2015, apenas sete apresentaram desempenho em termos percentuais superior à média geral de 17,4%. Entre as estatais que tiveram o orçamento cortado, as mais prejudicadas então no Grupo Petrobras, onde foram investidos R$ 29,9 bilhões no contra R$ 33,1 bilhões aplicados no mesmo período de 2014, configurando o menor volume de investimentos desde 2000. Com um orçamento de R$ 111,3 bilhões para obras e compras de equipamentos, as estatais do Grupo Petrobras fecharam 2015 sem conseguir cumprir suas metas, penalizando, sobretudo, o desenvolvimento da produção de petróleo e gás natural na camada pré-sal, que contou com orçamento de R$ 17,3 bilhões, mas que investiu somente R$ 7,9 bilhões. Em situação ainda pior está a rubrica de exploração de petróleo e gás natural em bacias sedimentares marítimas, que contou com orçamento de R$ 12,3 bilhões, mas aplicou R$ 4,6 bilhão.


Essa tendência já vinha se consolidando em 2014, quando as empresas estatais deixaram de investir R$ 40,1 bilhões, de forma que os recursos que poderiam garantir maior infraestrutura, competitividade, emprego e renda ficaram parados nos cofres públicos ou por incapacidade do Estado em gerenciar seus projetos ou por contigenciamento para pagamento de juros da dívida. O Contas Abertas revela ainda que a execução dos recursos orçamentários previstos para os investimentos no Grupo Eletrobras apareceu como a pior dos últimos 15 anos, com aplicação de R$ 3,5 bilhões em obras e compra de equipamentos, o equivalente a apenas 23% da dotação autorizada de R$ 14,5 bilhões. O valor investido foi 10% inferior ao aplicado no mesmo período de 2014, fator que comprometeu a principal iniciativa do Grupo Eletrobras em 2015, que foi a Implantação da Usina Termonuclear de Angra III, no Estado do Rio de Janeiro. A plataforma recebeu apenas R$ 934,5 milhões dos R$ 4,4 bilhões autorizados para a usina que, quando entrar em operação comercial em 2018, terá potência de gerar 12 milhões de megawatts-hora por ano, energia suficiente para abastecer as cidades de Brasília e Belo Horizonte durante o mesmo período.

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