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Perfuração de poços começa e põe fim a bloqueio

28 Jul 2016 - 06h00
Geraldo Resende, que intermediou a perfuração dos poços, acompanhou a chegada de máquinas. - Crédito: Foto: Hedio FazanGeraldo Resende, que intermediou a perfuração dos poços, acompanhou a chegada de máquinas. - Crédito: Foto: Hedio Fazan
Depois de três dias de protestos, indígenas das aldeias Jaguapiru e Bororó liberaram a MS 156 entre Dourados e Itaporã que estava interditada. A medida aconteceu na tarde de ontem quando maquinários da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) chegaram na reserva para fazer a perfuração de dois novos poços. De acordo com as autoridades, a previsão é de que em 5 dias seja feita a perfuração dos poços, um na aldeia Jaguapiru e outro na Bororó. Concluída esta etapa, a comunidade indígena já poderá utilizar a água.


Depois dessa fase a Funasa fará ainda a ligação na rede adutora, que vai para o reservatório para que a água seja distribuída e chegue às torneiras das residências. Esta etapa está prevista para ser concluída em 90 dias, mas até lá, a comunidade poderá utilizar os novos poços para abastecer as casas.


De acordo com o indígena Fernando de Souza, com os novos poços, a comunidade totaliza oito reservatórios, alguns com mais e outros com menos vazão. Paralelo a isto, a Sanesul também tenta "salvar" um dos reservatórios que apresentou problemas de falta de manutenção, o que deve melhorar ainda mais a distribuição da água nas aldeias de Dourados.


Termo de cooperação


Conforme mostrou ontem O PROGRESSO, atendendo solicitações do deputado federal Geraldo Resende (PSDB), a Funasa e Sesai assinaram no último dia 23, um termo de cooperação técnica para a perfuração dos novos poços na Reserva Indígena de Dourados. A assinatura aconteceu na Câmara de Vereadores e contou com a presença de lideranças indígenas. Para Geraldo Resende, a medida vai amenizar o problema, mas é preciso resolver de vez este desabastecimento com outras ações que garantam água na reserva. Os novos poços terão uma profundidade de 112 metros e será perfurado próximo a um antigo, que desabou e está desativado e possivelmente deverá ter a mesma vasão, que era de 17.100 litros/hora.


Transtornos


A falta de água na Reserva provocou uma série de transtornos. O primeiro deles é que as escolas estavam dispensando os alunos mais cedo. O segundo, são os postos de saúde superlotados com crianças apresentando problemas de saúde devido a falta de água. Recentemente o indígena Levanir Machado, coordenador de Esportes da Associação Indígena Douradense (Assind), disse que as escolas não têm como fazer a limpeza, nem fornecer água para as crianças beber e lavar as mãos. "Eles estão saindo por volta das 9h pela manhã porque passam cede na escola, já que todas as torneiras estão secas", destaca.


Nos postos de saúde, a falta de água também influencia. "As crianças acabam tomando água de poços contaminados. Em nossa Reserva não há rede de esgoto, que muitas vezes fica a céu aberto e próximo dos poços. Há aumento significativo no número de crianças doentes", destacou.

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