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Editorial

Patrimônio Histórico

09 Jan 2016 - 07h00
A Usina Filinto Muller pede socorro. A Usina Velha, uma ruína tombada pelo patrimônio histórico necessita de restauração urgente. Quanto dinheiro desviado da Petrobras, quantas verbas que poderiam ser destinadas a restauração deste patrimônio por parte do governo federal, porém nada foi possível pela falta de interesse político principalmente das autoridades que representam a esfera federal. O município evidentemente que tem outras prioridades e não teria condições de arcar sozinho com uma obra de restauração considerada uma obra com retoques especiais e por isso mais cara do que qualquer outra obra.


Vários projetos de restauração da Usina Velha não saíram da conversa. Um deles do ano de 2005. Onde estão os projetos apresentado em nível federal ao Ministério da Cultura naquela época. O filho de pioneiros Oduvaldo de Oliveira Pompeu ao visitar a Usina ontem, local onde passou toda a sua infância, ficou decepcionado com o que viu e logo foi indagando? Onde estão os nossos deputados?


A usina está sendo frequentada por pessoas que valorizam a história de Dourados, porém infelizmente também vem sendo frequentada por vândalos que deixam rastros de lixo por onde passam contribuindo para a proliferação do mosquito aedes que transmite a dengue, frebre Chikungunya e Zika Vírus.


Vândalos frequentam por frequentar, geralmente para fazer uso de drogas. Não tem sequer noção da importância da Usina no contexto histórico de Dourados, do símbolo que representa a chaminé que ainda está praticamente intacta, a caldeira e os demais espaços da construção histórica. Por trás daquelas ruínas existem muitas histórias do tempo em que a luz elétrica era apenas um sonho ou quem sabe uma possibilidade distante. Aos poucos a Usina Filinto Muller ia substituindo a lamparina e o lampião de gás.


Uma ideia interessante partiu do pioneiro Oduvaldo de Oliveira Pompeu o Dr. Telê. Uma vez restaurada a Usina com todas as características preservadas abrigaria o museu histórico. A Usina é a principal referência histórica de Dourados, o centro de todas as discussões em torno da história da cidade que completou 80 anos no ano passado com comemorações a altura da importância da data de 20 de dezembro.


Um trabalho de resgate histórico em torno do aniversário de Dourados foi realizado com relatos de pioneiros que ainda estão entre nós para contar esta história e esta história passa pela Usina Filinto Muller. Não se trata de voltar ao passado e sim de valorizar a história da própria cidade, valorizar o que ainda resta de patrimônio histórico. Eternizar a Usina Velha que de tão velha está soltando blocos de concreto que aparentemente podem cair a qualquer momento.


É preciso se unir em torno da Usina Velha, porém com movimentos sem vínculos partidários, sem interesses eleitoreiros. Movimentos desprovidos de qualquer objetivo se não o compromisso com a história, com o respeito e valorização de nosso patrimônio histórico-cultural.


É sabido que na correria do dia a dia dificilmente sobra tempo suficiente para se dedicar a história da cidade. Inclusive muita gente passa despercebido e sempre com pressa em frente a Usina Velha na rua Albino Torraca. Com o desenvolvimento da cidade a Usina está hoje entre grandes edificações na área nobre.


Pela Rua Albino Torraca inclusive muita gente tem acesso a rodovia que demanda a Itaporã, Maracaju, Bonito e outras cidades, além do Jardim Europa e rua Hayel Bom Faker. Isso no sentido centro bairro. No sentido contrário tem acesso a tradicional Escola Imaculada Conceição e a área central de Dourados passando pelo Incra e as ruas Ponta Porã e Monte Alegre. É difícil perceber qual o significado da Usina Velha. Com a correria do dia a dia fica complicado parar para descobrir qual o significado daquelas ruínas. A julgar pela aparência, de longe a estrutura não passa de uma construção antiga, na época em que os materiais de construção eram bem mais resistentes que os de hoje em dia. Infelizmente a Usina Velha voltou a ser assunto por causa do perigo dos mosquitos e dos vândalos que com certeza na maioria das vezes desprezam o quanto a Usina Velha é importante no sentimento de pioneiros, como o delegado aposentado Oduvaldo de Oliveira Pompeu, o “Dr. Telê” filho da pioneira Ercília de Oliveira Pompeu que até os últimos dias de sua vida defendeu a história da cidade com sinceridade e acima de tudo, amor por Dourados.

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