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PAM em “colapso” castiga pacientes em Dourados

04 Abr 2011 - 05h07
foto: Hédio Fazan - foto: Hédio Fazan -
DOURADOS – O Pronto Atendimento Médico (PAM) entrou em colapso. São aparelhos quebrados, falta de medicamentos e materiais de trabalho para os profissionais de medicina, entre outros problemas crônicos, onde só quem sofre é o usuário do Sistema Único de Saúde (SUS).

Em vistoria do Conselho Municipal de Saúde, foi constatado que dos três aparelhos de raio-x existentes, apenas um estaria funcionando e de forma parcial. Isto porque depois de passar por manutenção, ele teria apresentado defeito novamente. Com isto, exames de tórax, cervical e ombro estariam sendo canceladas na unidade.

Um outro aparelho está completamente sem uso, danificado por completo e sem previsão de quando vai voltar a funcionar. Enquanto isto, um terceiro raio-x, novo e ainda encaixotado, está no local desde setembro do ano passado sem ao menos ser instalado. Existe a informação de que o município tinha interesse em levá-lo para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que ainda será implantado no final do ano.

O Conselho de saúde constatou ainda que dois eletrocardiogramas do PAM estão quebrados. Enquanto isto, os três cardiologistas que estão no local não conseguem liberar o paciente para cirurgias. Por mês o PAM registra 36 consultas. O paciente é obrigado a tentar vaga no Hospital da Vida.
O PAM conta com dois neurocirurgiões.

Os profissionais não conseguem tratar os pacientes porque não existe no lo-cal um aparelho de eletroencefalograma. A pessoa doente, que poderia ser prontamente atendido no PAM, é obrigado a esperar meses na fila do Sistema de Regulação de Consultas (Sisreg), para fazer o exame e voltar ao PAM com os resultados.

Na sala de urgência foi constatado um buraco na parede e fios. Além dos riscos de contaminação, fato deixa claro a fragilidade na estrutura do prédio, que não passa por reformas há anos.

Outro grave problema é a falta de medicamentos básicos. Até um simples anticoncepcional, o tipo ciclo 21, não está sendo fornecido. Na lista de esgotados na farmacinha destacam-se: paracetamol gotas e 500 ml, (tratamento contra febres), Metformia (tratamento de diabetes), Propranolol (hipertensão), colírios, Sabutaol (problemas respiratórios), Xaro-pe de guaco (expectorante), Nistatina solução, Omeprazol e Nicanozol (creme vaginal). Com essa falta mais de 40 paci-entes por dia voltam para a casa sem medicamentos.

O conselho constatou ainda que a grande parte dos materiais de escritório estão sucateados, assim como alguns leitos. Cadeiras, mesas, e outros objetos de patrimônio público e sem manutenção enferrujam do lado de fora do PAM.

Eroslava Ventorim, de 57 anos, reclama da falta de médicos e aparelhos. “Eles pedem para chegar cedo e só atendem na hora do almoço”, conta, dizendo que já estava há 4 horas na fila de espera.
A paciente Dalila da Silva Quevedo, luta há 4 anos por um aparelho que afere a pressão arterial diariamente, mas sem sucesso. “Sem o acompanhamento, o médico não pode dar continuidade ao tratamento de arritmia cardíaca”, comenta.

A Comissão de avaliação de serviço da saúde do Conselho é formada pelos conselheiros Joel Martins da Silva, João Alves de Souza, Nelson Salazar e Reverendo Beijamin.

#####OUTRO LADO

Em relação ao novo aparelho de raio-x encaixotado, a secretária de Saúde, Silvia Bosso, explica que ele só não foi instalado porque a rede elétrica do PAM não comporta a capacidade do aparelho. Ela disse que vai licitar uma empresa para fazer esse tipo de instalação. Em relação aos medicamentos, declarou que foi feita uma licitação em caráter de urgência e que os medicamentos devem chegar em uma semana.

Sobre os demais problemas encontrados, a secretária disse que iria aguardar um relatório oficial do Conselho, checar as informações para só depois se manifestar.

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