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Editorial

Outros carnavais

22 Jan 2016 - 11h09
O ano de 2016 chegou com noticias de cancelamento de folias carnavalescas não somente no Mato Grosso do Sul como nos demais estados. Embora o carnaval seja a alegria dos brasileiros, embora em muitos casos a vida só começa após o carnaval, embora seja uma tradição do Brasil Tropical, embora seja uma das paixões do brasileiro, cancelar o carnaval nas cidades de pequeno e médio porte não representa algo tão lamentável assim diante de tantas outras prioridades.


Para inicio de conversa em Mato Grosso do Sul o carnaval foi perdendo o ritmo e cada vez mais de desvirtuando de sua originalidade. Antes o evento no estado era motivado pelo carnaval de salão. Cada clube particular realizava o seu próprio carnaval, cobrava ingressos para manter as noites e as matinês contratando conjuntos que animavam ao vivo a folia.


Depois veio o som mecânico que aos poucos foi dispensando os grupos de musicais. De som mecânico a estrutura foi virando trio elétrico. Em outra fase vieram os grupos de axés que se misturaram aos carnavais e hoje em termos de ritmo o carnaval virou uma mistura improvisada onde o que importa é o barulho e não o ritmo, a magia de brincar.


Quando se fala em carnaval é necessário separar o carnaval das escolas de samba do Rio de Janeiro, de São Paulo, Bahia, Recife, grandes centros que são referências para o mundo em carnaval e os eventos carnavalescos que são realizados mais timidamente nas cidades de Mato Grosso do Sul. Trata-se de outro universo em termos de carnaval. A época é a mesma, mas a estrutura, a dimensão, o numero de pessoas envolvidas, a realidade é completamente diferente.


Quando se fala em carnaval embora a folia seja o termo é interessante observar a realidade de cada município brasileiro e até mesmo a posição geográfica. Nota-se, por exemplo, que em Mato Grosso do Sul as únicas cidades que conseguem lotar neste período são as cidades turísticas como Bonito e Jardim. São pessoas interessadas mais na paisagem e exuberância da natureza do lugar do que em brincar ou pular carnaval.


O que se procura aqui é tentar encontrar a identidade do carnaval que já foi até mania nacional. O período carnavalesco de antes era aguardado pelas pessoas. Havia muita expectativa em cair na folia e aproveitar as noites e matinês. As crianças, os adultos, todos escolhiam a sua fantasia para cair na folia.


Hoje na maioria das cidades os foliões pulam sem nada de fantasia e muito menos de roupa, e o ambiente fica cada vez mais difícil de frequentar pelo desrespeito. O melhor a fazer hoje em dia e o mais seguro para quem aprecia o carnaval e prefere não abrir mão dele é se fechar no quintal e realizar o seu próprio carnaval em família.


A Constituição nos permite o direito tanto a liberdade de ir e vir, como de pensamento, de expressão, portanto somos livres para pular, gritar e dançar. Porém tal liberdade encontra limites estabelecidos pela própria condição em que vivemos. Antes existiam determinados pontos isolados que eram considerados críticos em termos de violência. Hoje em todos os lugares as pessoas estão expostas e a qualquer momento estão sujeitas e serem desrespeitadas, baleadas e assassinadas por absolutamente nada.


Foi-se o tempo em que no carnaval o máximo que acontecia era de alguém exagerar na bebida, mas não ao ponto de colocar em risco a vida de terceiros, não ao ponto de derramar sangue de alguém, ao ponto de agir em bando de forma mal intencionada.


Enquanto essa violência não diminuir o carnaval jamais será o mesmo. O romantismo do carnaval acabou e, portanto não há o que se lamentar quando o carnaval é cancelado, ainda mais se tiver dinheiro público envolvido.


Embora seja um evento cultural importante que tenha a marca do Brasil é inaceitável e fica difícil de engolir dinheiro público sendo colocado no carnaval. Cada pessoa, cada grupo que promova a sua festinha de carnaval, mas sem comprometer a tão prejudicada verba pública.


Ainda mais neste momento critico não somente de crise econômica como também de ameaça de vetores que se multiplicam a cada fim de carnaval pela quantidade de garrafas vazias que são descartadas irregularmente nas cidades. Neste momento o Brasil não está preparado para ceder ao carnaval na grande maioria das cidades. As taxas de desemprego estão altas e a mascara mais disputada é a dos políticos corruptos que surrupiaram limparam os cofres públicos.

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