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Editorial

Operação Cadeado

11 Nov 2010 - 10h20
Operação Cadeado   -
Iniciada no último sábado pelo Exército Brasileiro, a Operação Cadeado está, mais uma vez, devolvendo a sensação de segurança que as pessoas de bem procuram quando saem em viagem pelas rodovias brasileiros, sobretudo quando se aventuram pelas estradas que demandam à região de fronteira com o Paraguai. Quando se depara com a força verde oliva na rodovia ou nas estradas vicinais, os criminosos não pensam duas vezes para abandonar a carga fruto de descaminho ou até mesmo os veículos carregados com drogas, armas e munições.

Foi o que aconteceu anteontem no município de Juti, quando o motorista de um veículo Saveiro, ano 2005, cor preta, com placas de Uberlândia (MG), ao constatar que os militares tinham erguido barreira na BR-163 abandonou o carro com 977 quilos de maconha que, após a apreensão, foi entregue à Polícia Civil de Juti. Desencadeada com o objetivo de coibir crimes transfronteiriços e ambientais na faixa de fronteira, a Operação Cadeado é amparada pela Lei Complementar nº 97 de 09 de junho de 1999, modificada pela Lei Complementar nº 117 de 02 de setembro de 2004 e pela Lei Complementar 136/2010.

Sob a responsabilidade da Brigada Guaicurus e do 20º Regimento de Cavalaria Blindado, ambos de Dourados, a ope-ração envolve 800 militares do Exército e 130 viaturas do Exército Brasileiro atuando em cerca de 650 quilômetros de faixa de fronteira. É fato que os homens do Exército não têm como objetivo principal exercer ou substituir o papel da polícia, já que a Operação Cadeado foi planejada com fins de treinamento da tropa, mas ao abordar os condutores e visto-riar os veículos que trafegam pela rodovia, os militares estarão impedindo crimes rotineiros como o tráfico de drogas e contrabando.

A operação serve, principalmente, para mostrar aos traficantes que o Mato Grosso do Sul tem poder de fogo e efetivo militar suficiente para impedir que o Estado continue sendo corredor para o tráfico de drogas, para o contraban-do de armas, para o tráfego de veículos roubados nos grandes centros do País e para o descaminho de produtos que en-tram no Brasil sem recolher os devidos impostos.

A Operação Cadeado renova uma antiga dúvida da sociedade brasileira: se as Forças Armadas ganharam poder de po-lícia para atuar no combate ao crime nas regiões de fronteira, como ficou claro na Lei Complementar 117, por que a pre-sença deste importante organismo não é mais ostensiva, sobretudo, nas regiões que servem como porta de entrada para drogas e armas no Brasil? Se operações como esta fossem mais frequentes, os narcotraficantes não encontrariam tanta facilidade para cruzar o Estado com drogas e armas que abastecem os grandes centros.

O governo federal não pode con-tinuar ignorando a importância de deslocar as Forças Armadas para atuar em áreas de fronteira, mas estas operações não podem ser esporádicas e breves, pelo contrário, precisam ser ostensivas para acabar com a farra que se instalou no Esta-do. Somente a presença firme das Forças Armadas em toda área de fronteira será capaz de devolver ao Mato Grosso do Sul a tranquilidade e a segurança necessárias para que a população viva em paz.

A atuação do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, com a participação conjunta de organismos como a Polícia Ro-doviária Federal (PRF), Polícia Rodoviária Estadual (PRE), Polícia Federal (PF), Departamento de Operações da Frontei-ra (DOF), Polícia Civil (PC) e Polícia Militar (PM), poderia não apenas devolver a paz à região de fronteira, mas, princi-palmente, reduzir o poder dos grupos criminosos que atuam nos grandes centros do País.

A união do Exército, Marinha e Aeronáutica com organismos estaduais e federais de segurança pública seria uma importante arma no combate ao crime organizado e afastaria, de vez, os cartéis colombianos, bolivianos e paraguaios que insistem em manter ramificações em solo brasileiro. A sociedade de bem não teme a presença do Exército Brasileiro nas estradas, pelo contrário, sente-se tranquila para prosseguir sua viagem porque sabe que dificilmente encontrará marginais pelo caminho. Tanto que qual-quer pessoa que tenha sido parada nas barreiras militares nestes primeiros dias de Operação Cadeado saberá precisar a sensação de segurança que sentiu naquele momento. Demais, o Serviço de Inteligência da 4a BCM realiza excelente tra-balho e tudo está catalogado nos mínimos detalhes.

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