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Famílias passam fome à beira da MS 156

11 Jul 2011 - 22h05
Equipe do O PROGRESSO e Douradosagora entregam donativos - Crédito: Foto: Hédio Fazan /PROGRESSOEquipe do O PROGRESSO e Douradosagora entregam donativos - Crédito: Foto: Hédio Fazan /PROGRESSO
Valéria Araújo


DOURADOS - Sem opção, 18 famílias moradoras às margens da rodovia MS 156 amargam a extrema pobreza. A comunidade sem teto vive desolada, à espera de uma moradia digna. A catadora de papelão Nádia Regina Ximenez foi a primeira a montar barraco no local. Há 11 anos ela se inscreveu em programas sociais de habitação da prefeitura, mas segundo ela, nunca obteve resposta sobre quando vai receber o benefício.

Questionada sobre o que tinha para comer ontem, ela mostrou panelas vazias e chorou. Uma pequena porção de feijão, alguns pedaços de mandioca duros e já estragados foi tudo o que restou. A mulher lembra que está impedida de trabalhar porque furtaram o carrinho de catar papelão dela. “Estou almoçando e jantando no barraco da minha vizinha. Não tenho mais nada em casa”, lamentou.



O jardineiro Paulo Antônio de Souza, cadastrado no programa de habitação há 7 anos, diz que as famílias vivem em condições subumanas. Luciana Soares, está grávida de 7 meses. É o segundo filho e até agora ela não sabe as condições de saúde da criança porque nunca pode fazer um pré natal. “Somos atendidos apenas na unidade de saúde do Jardim Santo André e infelizmente não tenho condições de ir a pé até lá. Nas unidades mais próximas não somos atendidos”, lamenta.

Segundo ela, por conta da falta do pré natal, na semana passada uma mãe foi até o hospital para dar à luz e descobriu que a criança estava morta há quase uma semana na barriga dela. “Teve gente que já morreu aqui por inúmeros problemas de saúde. Quando alguém está em situação muito delicada, acionamos o Samu que nos leva para o hospital”, lembra.

O coordenador daquela comunidade, Edilson Arguelho Prudêncio, diz que as famílias sofrem sem respostas. Segundo ele, a maioria dos moradores fazem serviços diários para fora e vivem do que conseguem ganhar. São pedreiros, serventes, domésticas, entre outros. Alguns moradores com crianças recebem bolsa família. O valor é de R$ 145, que as famílias têm para se sustentar o mês inteiro.

No local vivem cerca de 30 crianças. Os pais pedem ajuda à sociedade. Roupas, calçados, agasalhos, cobertores e alimentos são bem vindos. Repórteres do jornal O PROGRESSO e o site Douradosagora estiveram no local, conversaram com as famílias e distribuiram 22 cestas básicas para os moradores, doadas pela população e entregues na sede deste matutino. Uma campanha feita por alunos do Anglo, da Unigran, resultou na arrecadação de 34 toneladas de alimentos. Destas, 60 cestas básicas foram destinadas ao O PROGRESSO, que está distribuindo junto às comunidades e entidades carentes de Dourados.

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