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Editorial

Cidade dos Desafios

14 Jan 2011 - 07h27
Os quatro candidatos em disputa pela Prefeitura de Dourados já devem ter tomado ciência e, portanto, estariam conscientes dos desafios a que se propõe. Dourados, uma cidade devastada por uma verdadeira onda de corrupção, onde a falta de credibilidade esteve acima da auto-estima dos cidadãos. Por mais que a cidade tenha forças para reagir, principalmente pelo seu potencial de desenvolvimento, as feridas do Furacão ainda não foram cicatrizadas.

O próximo administrador, a ser eleito em seis de fevereiro deste ano, assumindo em março, um mandato de um ano e 10 meses, tecnicamente e psicologicamente deve estar preparado enfrentar uma dívida que hoje deve estar em aproximadamente 175 milhões de reais, ou seja, cada douradense já nasce devendo R$ 1.000,00.

Divida esta, contraída ao longo dos 30, dos 75 anos de Dourados, que mais cedo ou mais tarde acaba “Pipocando”. Daí é que entra o quesito preparo psicológico do próximo prefeito para lidar com as tempestades da herança maldita.

Não podemos deixar de ser realistas com relação a esta questão, que afeta diretamente a população de Dourados que nor-malmente sé vem à tona justamente quando quando surgem as ameaças de intervenção. Dentre tantos precatórios destaca-se a eterna divida do Banco Pontual.

O próximo prefeito, eleito pelo voto direto, para um mandato tampão de menos de dois anos também deverá agir com muito equilíbrio face aos problemas estruturais que o município enfrenta, aliado, é claro, a crise moral, considerada a mais grave de todas as crises, pois esta acaba se transformando em desafio ético, dos mais complicados que se possa imaginar.

Os prefeitos interinos que sucederam o “desastroso” Ari Artuzi, apenas contribuíram para “estancar” o sangramento da máquina pública, após o desmoronamento da cidade depois das revelações da Polícia Federal em setembro do ano passado.

Grande parte do dinheiro desviado poderia pelo menos amenizar as dividas da Prefeitura, pois segundo o que foi comprovado somente na administração do ex-prefeito Ari Artuzi foram desviados mais de 34 milhões de reais, rateados entre ele e mais 44 pessoas físicas e empresas denunciadas que posteriormente tiveram seus bens bloqueados pela Justiça. Sem contar os outros R$ 1,4 milhão já foram bloqueados ou apreendidos com os envolvidos durante a operação policial.

Porém os sentenciados podem recorrer da decisão da Justiça e agora o município de Dourados, de devedor passou a credor destes 34 milhões, cerca de 20% do que Dourados deve.

Ser realista não é torcer contra o progresso de uma cidade, muito pelo contrário, a solução para os problemas só surgem somente quando ele é exposto à sociedade de forma prática. Ainda mais nos dias de hoje onde o acesso a informação rápida e precisa passou de artigo de luxo a necessidade e com isso a sociedade foi se tornando cada vez mais critica, participativa e politizada.

Hoje, tentar tapar o sol com a peneira é pior para o homem púbico, uma vez que quando a verdade vem a tona ele é massa-crado moralmente e jamais conseguirá seu restabelecimento a vida pública e é com esta realidade que o próximo prefeito de Dourados terá que trabalhar. Caso contrário estará ludibriando a população, pois os números da contabilidade não mentem.

As vezes, o artifício da realidade custa caro ao homem público porque poucos querem se arriscar em cair na antipatia popular e a sinceridade é facilmente confundida com antipatia.

Mas como negar tantos problemas do cotidiano, sentidos na pele por todos os cidadãos douradenses, a começar pela dificul-dade em vencer os buracos da cidade, tão difíceis de serem solucionados, o déficit na educação infantil, na saúde pública, o casos no trânsito, em uma cidade que pólo, que além de seus problemas acaba sendo obrigado a assumir os dos municípios vizinhos.

Este é o preço de administrar a mais importante cidade do interior de Mato Grosso do Sul. Analisando este quadro real, de uma coisa temos certeza, sozinho, o próximo prefeito nem sairá do lugar.

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