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Editorial

Armas Entregues

08 Jul 2011 - 07h16


O governo federal está atingindo o objetivo de desarmar as pessoas de bem, enquanto os marginais seguem armados até os dentes, tanto que em apenas dois meses a nova Campanha Nacional do Desarmamento tirou 9.160 armas e 30,9 mil munições de circulação em todo o Brasil.

Dados do Ministério da Justiça revelam que a grande maioria das pessoas que atenderam ao chamamento da campanha são cidadãos que adquiriram a arma para proteger o patrimônio da ação de marginais, enquanto outra camada tinha na arma de fogo uma tranquilidade contra a violação do seu domicílio pelos amigos do alheio, mas o fato é que com a nova lei das prisões preventivas, onde nem mesmo os arrombadores de residência po-derão mais serem presos em flagrante delito, deverá crescer também o volume de entregas de armas de fogo, afinal, o pai de família que disparar contra um desses marginais ainda corre o risco de responder por homicídio doloso, já que estão discriminalizando o crime de furto.

A prova que as pessoas de bem estão se desarmando é que do total de 9.160 armas recolhidas, exatas 2.436 eram re-vólveres calibre 38, justamente os modelos preferidos para segurança patrimonial. A Polícia Federal recebeu ainda 32 fuzis, quatro metralhadoras e duas submetralhadoras, com o Ministério da Justiça gastando R$ 835 mil em reparações, pagando entre R$ 100 e R$ 300 por arma entregue. A campanha prossegue até o dia 31 de dezembro e qualquer pessoa poderá entregar a arma em Delegacias de Polícia Civil, postos da Polícia Rodoviária Federal, batalhões da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros e unidades das Forças Armadas.

Os números revelam que o Estatuto do Desarmamento está surtindo efeito prático: a sociedade está se desarmando por conta própria, ou seja, estão procurando as autoridades para entregar suas armas, mesmo porque os valores indenizatórios são quase simbólicos. Com isso, aquelas pessoas que ti-nham uma arma sem registro em casa e não sabiam o que fazer com ela, estão procurando as autoridades para entrega-la por R$ 100.

Ainda que mereça destaque a iniciativa dos brasileiros de boa fé em se desarmarem, resta saber se a polícia fará o mesmo com o bandido, ou seja, quem tem arma em casa está entregando para a polícia, mas como fica o marginal que está armado até os dentes e, nem em sonho, pensa em trocar a pistola automática por R$ 200 ou a metralhadora por R$ 300? É essa resposta que as autoridades de segurança pública devem dar à sociedade.

Ao invés de se preocupar em tirar a arma das pessoas de bem - ainda que o desarmamento seja positivo – o governo deveria se preocupar em criar mecanis-mos de combate ao tráfico de armas, ao crime organizado, às quadrilhas que dominam os grandes centros. Mais impor-tante que desarmar o cidadão honesto é desarmar o bandido. As polícias, bem como as políticas públicas de segurança, têm se mostrado ineficiente nessa missão. O poder de fogo dos marginais é cada vez maior, enquanto a sensação de segu-rança é cada vez menor.

Em meio a isto tudo fica uma questão: será que o cidadão que, de boa fé, entregou o revólver à polícia estará mais se-guro no interior da própria residência? Talvez não. Mesmo porque, toda vez que é chamada para atender uma ocorrência, a polícia não consegue fazer isto em menos de 30 minutos, ou seja, se o cidadão está à mercê da polícia e a polícia não consegue atender o cidadão na hora que ele precisa de socorro, é porque alguma engrenagem está fora do lugar. Mas não basta apenas desarmar o cidadão comum e o bandido.

É preciso encontrar formas de armar melhor a polícia que usa pistolas para enfrentar bandidos armados com M4 - uma versão mais curta e leve do fuzil AR-15, fabricada nos Estados Unidos e facilmente encontrada com bandidos brasileiros -, ou com o modelo argentino FMK3, a submetralhadora cali-bre 9 milímetros com capacidade para disparar até 650 tiros por minuto.

Isso para não falar do uso indiscriminado por marginais de armas como o belga Fuzil Automático Leve (FAL), o russo AK-47, que pode atingir uma pessoa a 1.500 metros de distância, ou o norte-americano Colt AR-15, que tem um alto poder de penetração e é usado em assaltos à car-ros-fortes. É este tipo de arma que o governo tem que tirar de circulação e não os revólveres calibre 38 que o cidadão usa em casa.

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