Dourados – MS terça, 11 de agosto de 2020
Dourados
34º max
19º min
Campanha Parcelamento Conta
Indios

Aldeias de Dourados têm déficit de 1,7 mil casas

13 Jun 2016 - 06h00
Muitas famílias vivem em barracos improvisados de madeira, de lona ou de sapê. - Crédito: Foto: Carlos BuckholzMuitas famílias vivem em barracos improvisados de madeira, de lona ou de sapê. - Crédito: Foto: Carlos Buckholz
As aldeias de Dourados, que concentram a maior população indígena do Brasil, têm déficit de 1,7 mil casas. A maioria das famílias vive em péssimas condições de moradia, em barracos de lona, sem saneamento básico e água potável, já que a reserva passa por desabastecimento. Em barracos de lona ou sapé, mães criam os filhos em condições precárias. O calor extremo, o frio e a sede constante são os desafios da comunidade.


De acordo com o presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena, Fernando de Souza, o fator preocupante é que em situações precárias de moradia, a vulnerabilidade em relação à saúde de crianças e idosos aumenta.




Na ultima sexta-feira O PROGRESSO entregou agasalhos, cobertores e alimentos que foram deixados pela população na sede da empresa durante a semana passada. Para a guarani Cristiane Machado, as doações chegaram em boa hora. "Eu estou desempregada e a situação fica muito difícil em épocas de frio. Se não fossem as doações, hoje eu só teria um punhado de macarrão para dar aos meus filhos. Para mim foi um socorro muito importante da população de Dourados. Obrigado a todos que ajudaram", agradece.


A guarani Caiuá Silvana de Souza, diz que há anos mora em um barraco de lona porque nunca conseguiu uma casa. "O frio castiga mais as famílias que não tem onde morar. Ainda mais quem não tem nem como se proteger. Que bom que ainda tem gente que se importa com a gente", disse.


Recentemente o Progresso mostrou a história da indígena Sebastiana Fernandes, que mora há seis anos num barraco de lona com os 10 filhos. São crianças de dois a 16 anos. Ela diz que não está cadastrada em nenhum programa social, porque nunca foi procurada por nenhuma instituição e não sabe como se cadastrar. Ela diz que criar os filhos em barraco é um desafio constante. Conta que foi abandonada pelo marido e que, de lá para cá, só tem esta alternativa.


A indígena caiuá terena, Luciana Aparecida Reginaldo, de 28 anos, sempre viveu em barracos de lona, desde criança até agora, depois que se casou e teve os dois filhos. Ela diz que os piores dias são os de chuva. "A água entra e inunda tudo. Molha comida e roupas", lamenta.


Um projeto entre a Prefeitura de Dourados e Fundação Nacional do Índio (Funai), que garantiria 440 novas casas para a aldeia de Dourados, ficou só no papel. Seriam 200 casas para a aldeia Bororó, 200 para a Jaguapiru e 40 para a do Panambi. Conforme Fernando de Souza, em 2013, foram elaborados projetos que contemplassem os requisitos para participar do Programa do Ministério das Cidades para as aldeias do Brasil. "Discutimos com a comunidade um modelo de casa que levasse conforto e ao mesmo tempo preservasse a cultura indígena. A Prefeitura, em conjunto com a Funai, enviou toda a documentação a Brasília. O projeto chegou a ser aprovado, mas de lá para cá nada aconteceu", explica.

Deixe seu Comentário