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Editorial

07/12/2010 - Aquecimento Global

07 Dez 2010 - 07h30
No mesmo dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou o programa de rádio “Café com o Presidente” para garantir que o Brasil vai alcançar a meta de redução do desmatamento da Amazônia em 80% antes de 2020, o relatório apresentado na conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o clima, celebrada em Cancún, no México, informou que a partir de 2030 as mudanças climáticas no planeta causarão indiretamente a morte de cerca de um milhão de pessoas por ano, provocando ainda prejuízos anuais de US$ 157 bilhões aos países desenvolvidos e penalizando pro-fundamente as Nações mais pobres.

O estudo revela ainda que a miséria se concentrará em mais de 50 dos países mais pobres do planeta, com o maior peso recaindo sobre a economia dos Estados Unidos que deve entrar em colapso caso não adote medidas urgentes contra o aquecimento global.

Para a ONU, em menos de 20 anos, quase todos os países do mundo perceberão sua alta vulnerabilidade ante o impacto do clima, à medida que o planeta for ficando mais aquecido, ou seja, todos sofreram os impactos do aquecimento.

O alerta feito ontem pela ONU só não merece crédito maior porque foi compilado por uma organização humanitária de países vulneráveis a mudanças climáticas, de forma que essa entidade pode estar apenas defendendo seus interesses.

Mesmo assim, é preocupante saber que a partir de 2030 as 184 nações do planeta serão afetadas em suas políticas de saúde pública, por desastres climáticos, pela perda do hábitat humano devido à desertificação e à elevação do nível do mar, e, principalmente, em virtude do estresse econômico.

Entre os 54 países que sofrerão de forma mais aguda os efeitos nefastos do clima, aparecem aqueles classificados como pobres ou muito pobres, incluindo a Índia, mas essa tragédia poderá ser evitada com a adoção de medidas corretivas pelas Nações mais ricas.

O fato é que os países desenvolvidos devem assumir a culpa que lhes cabe pela elevação da temperatura no planeta, sob risco de sofrerem perdas anuais de mais de US$ 150 bilhões em suas economias, com o impacto maior ficando para os Estados Unidos, Alemanha e o Japão.

Como todo esse alarde foi feito pela Dara, uma ONG que tem sede em Madri e que pesquisa a situação a vulnerabili-dade das ilhas-nação e dos países mais expostos às mudanças climáticas, é preciso analisar os dados com desconfiança, mesmo porque todos sabem que essas Organizações Não-Governamentais, sejam elas brasileiras ou estrangeiras, usam de qualquer expediente para justificar sua existência.

Ainda que exista o risco de manipulação dos dados no estudo divulga-do pela ONU para, com isto, arrecadar mais fundos para as pesquisas e ações contra o aquecimento do planeta, é indis-cutível a necessidade de os países desenvolvidos adotarem medidas para impedir que o clima continue sofrendo influên-cia do ser humano.

As nevascas fora de época, os grandes incêndios florestais, os furacões e as enchentes que estão des-truindo centenas de cidades pelo mundo afora comprovam que a mãe natureza não anda muito satisfeita com as ações do homem e que não terá piedade na hora de cobrar a fatura.

Mais confiável foi a informação divulgada pela Organização Meteorológica Mundial, durante a Conferência das Na-ções Unidas sobre Mudanças Climáticas, dando conta que o ano de 2010 pode ser um dos três mais quentes já registrados em todo o planeta desde 1850 quando as medições tiveram início.

Já ficou definido que a década passada foi a mais quente desde que a medição começou, portanto 2010 pode superar as temperaturas médias registradas em 1998 e 2005, os dois anos mais quentes da história.

Essas altas temperaturas são evidência que as emissões de gases causadores de efeito estufa estão contribuindo para o aquecimento global, tanto que as temperaturas na terra e no mar estão 0,55 grau acima da média de 1961 a 1990, que é de 14 graus.

A atenção da ONU agora se concentra nas regiões que mais recente-mente vêm apresentando aumento de temperatura como a África, partes da Ásia e o Ártico, bem como nas maiores cida-des do planeta que, juntas, respondem por 80% das emissões de gases causadores de efeito estufa e que elas deverão re-ceber investimentos em adaptação às mudanças climáticas.

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