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Secretário da Saúde nega risco de entrada do cólera com haitianos

14 Fev 2011 - 22h15
Grupo de haitianos que vive em Tabatinga - Crédito: Foto: Luciana Rossetto/G1Grupo de haitianos que vive em Tabatinga - Crédito: Foto: Luciana Rossetto/G1
O secretário da Saúde de Tabatinga (AM), Marlem Riglison Silva Ferreira, afirmou ao G1 que não há risco da entrada do cólera com imigrantes haitianos que chegam ao Brasil pela cidade. De acordo com os dados da Polícia Federal, de fevereiro até dezembro do ano passado, entraram na cidade 475 haitianos. Neste ano, foram registrados 294. Estima-se que um grupo com cerca de 50 pessoas ainda não tenha sido identificado.


“Não tivemos em um ano qualquer registro de pacientes com cólera nem de casos suspeitos. Com a chegada dos haitianos, nós orientamos a população a procurar a rede pública quando apresentar sintomas, mas nada foi registrado”, afirma Ferreira.

O secretário acredita que somente os homens saudáveis partem do Haiti em busca de emprego no Brasil, capazes de enfrentar os sofrimentos da viagem, que dura até dois meses. “O cólera se manifesta até sete dias depois da contaminação. Se alguém estava doente, já manifestou esses sintomas antes e não conseguiu chegar ao Brasil. A doença provoca uma desidratação grave e, quem não recebe cuidado adequado, morre”, diz.

De acordo com o secretário, as doenças que os haitianos apresentam em Tabatinga são consequência da falta de estrutura dos locais onde estão vivendo. “Moram muitas pessoas dentro de uma casa com instalações precárias. A higiene nem sempre é adequada. Quando o dinheiro acaba e começam a passar fome, eles comem alimentos que não estão bons e não consomem água potável. Comem o que conseguem.”

Para os haitianos, a prefeitura oferece acesso aos mesmos serviços da população local. Não há uma estimativa de quantos procuram atendimento médico. Representantes dos governos estadual e federal estiveram em Tabatinga para analisar a situação dos haitianos.

De acordo com Ferreira, as autoridades concluíram que o problema é social, mas prometeram enviar remédios – que ainda não chegaram.

“Se adoecem, é por fome ou pelo consumo de alimentos inadequados, o que provoca também febre, vômito e diarréia. Os imigrantes precisam de comida, roupa, alojamento e emprego”, afirma.

O secretário afirma que não foi feita nenhuma triagem para detectar doenças nos haitianos, porque a ação poderia ser interpretada como preconceito. “Nós oferecemos o sistema de saúde para todos. Se tivéssemos um atendimento diferenciado para eles, muita gente veria essa atitude como discriminação.”

#####Terra de imigrantes
O secretário considera o número de imigrantes até baixo perto dos problemas que a cidade tem de enfrentar. Ele conta que moradores da Colômbia, do Peru e de cidades brasileiras próximas viajam a Tabatinga para receber atendimento médico.

A estrutura da cidade, que é feita para atender cerca de 50 mil habitantes, acaba sendo usada no atendimento de mais 20 mil pessoas, que corresponde ao número da população flutuante.

“É pequeno o número de haitianos perto dos outros estrangeiros que atendemos aqui. O número é, sem dúvida, quase 30 vezes maior. O Sistema Único de Saúde não nega atendimento a ninguém, então é comum encontrarmos gestantes peruanas que chegam aqui para ter o bebê e fazem todo o atendimento posterior aqui também, já que a criança é brasileira. Isso acarreta um custo enorme para o município, muito mais do que todo o grupo de haitiano poderia dar”, diz.

O secretário ainda lembra que a epidemia do cólera da década de 1990, que teve início em Tabatinga, começou com a entrada de peruanos.

Para Ferreira, o povo de Tabatinga recebe bem os haitianos justamente por estar em uma zona de fronteira, onde convivem diferentes nacionalidades, e já se acostumou com a miscigenação. “Ninguém tira o emprego de ninguém. Quem quiser trabalhar, encontra oportunidade em qualquer lugar.”


(G1)

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