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Rebeldes rejeitam oferta de filho de Gaddafi para eleições

16 Jun 2011 - 18h06


Por Nick Carey

TRÍPOLI (Reuters) - O líder da Líbia, Muammar Gaddafi, está disposto a realizar eleições e abandonar o poder se perder a disputa, disse o seu filho, uma oferta rapidamente rejeitada na quinta-feira pelos rebeldes e pelos Estados Unidos.

O filho de Gaddafi, Saif Al-Islam, disse ao jornal italiano Corriere della Sera: \'Elas (as eleições) podem acontecer em três meses. No máximo, até o fim do ano, e a garantia de transparência pode ser a presença de observadores internacionais.\'

Ele acrescentou que o seu pai está disposto a deixar o poder se perder a eleição, ainda que ele não pretenda ir para o exílio.

O primeiro-ministro líbio, Al-Baghdadi Ali Al-Mahmoudi, apareceu momentos depois para, aparentemente, colocar a potencial concessão em dúvida ao dizer a repórteres: \'Gostaria de corrigir (o que foi dito) dizendo que o líder da revolução não está preocupado com qualquer referendo.\'

Ele acrescentou que não havia razão para o líder líbio renunciar, já que ele não tem nenhuma posição formal política ou administrativa desde 1977. Um enviado da Rússia disse que Al-Mahmoudi garantiu que Gaddafi não abandonaria o poder.

As autoridades do regime de Gaddafi disseram no passado que uma eleição eventual poderia ser parte do acordo para acabar com a crise, ao mesmo tempo em que ressaltavam que o país apoiaria Gaddafi em qualquer votação.

Os rebeldes, que realizaram um levante quatro meses atrás, disseram que não confiam em um processo político organizado com Gaddafi no poder.

A liderança rebelde na base de Benghazi rejeitou a oferta do filho de Gaddafi dizendo que ele estava \'desperdiçando o nosso tempo.\'

\'Saif Al-Islam não está em posição para oferecer eleições. A Líbia terá eleições livres e democráticas, mas a família de Gaddafi não terá nenhum papel neste processo\', disse Jalal el-Gallal, um porta-voz rebelde à Reuters.

\'Estas pessoas são criminosas com enorme desrespeito pela vida humana. Eles precisam retirar as tropas das nossas cidades, permitir que a ajuda humanitária chegue e eles vão enfrentar a Justiça pelos crimes que cometeram. Só aí é que podemos falar sobre eleições.\'

Um porta-voz do Departamento de Estado norte-americano também rejeitou a proposta, dizendo que \'é um pouco tarde para isso.\'

Estados Unidos, Grã-Bretanha e França, que lideram os ataques aéreos contra as forças de Gaddafi, confirmaram que não vão parar os bombardeios até que o líder líbio renuncie.

A proposta de eleição, mais uma em uma série de movimentações que as autoridades líbias retratam como concessões e que são rejeitadas pelas potências ocidentais como manobras, chega no momento em que a frustração cresce em alguns membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) por conta do lento progresso militar.

Com quatro meses de conflito, os avanços dos rebeldes sobre Trípoli foram lentos, e semanas de ataques aéreos da Otan sobre a base de Gaddafi e outros alvos não conseguiram acabar com o seu regime de 41 anos.

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