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Irlanda convoca embaixador do Vaticano para explicar orientação sobre pedofilia

14 Jul 2011 - 19h15
Arcebispo Giuseppe Leanza se reuniu com
ministro do Exterior irlandês - Crédito: Foto: PAArcebispo Giuseppe Leanza se reuniu com ministro do Exterior irlandês - Crédito: Foto: PA
O governo da Irlanda convocou nesta quinta-feira o embaixador do Vaticano no país, para dar explicações sobre um relatório que indica que a Igreja Católica aconselhou os bispos irlandeses a não denunciar padres suspeitos de pedofilia, em 1997.

O vice-premiê e ministro do Exterior irlandês, Eamon Gilmore, disse ter pedido que o Vaticano explique formalmente o que ele chamou de 'intervenção inapropriada' nas leis da Irlanda.

Gilmore deu a declaração a jornalistas depois de uma reunião com o núncio apostólico da Irlanda, arcebispo Giuseppe Leanza, para discutir as conclusões do quarto relatório a respeito do acobertamento de casos de pedofilia pelo clero irlandês, divulgado nesta quarta-feira.

O relatório aponta que o Vaticano apoiou a diocese do condado irlandês de Cork, ao ignorar as próprias orientações da Igreja da Irlanda a respeito de proteção à criança, e que muitos casos de abuso infantil não foram denunciados à polícia.

Carta

Uma carta divulgada pela rede de TV irlandesa RTE aponta que um departamento interno do Vaticano, a Congregação para o Clero, aconselhou os bispos irlandeses.

A carta mostrou que as autoridades do Vaticano rejeitaram, em 1997, a ideia de iniciar um processo de 'denúncias obrigatórias' a partir de queixas de abusos contra menores.

Datada de janeiro de 1997, a carta é assinada pelo arcebispo Luciano Storero, já morto, que era representante-chefe do então papa João Paulo 2º para a Irlanda.

O documento foi escrito um ano depois que um comitê de bispos irlandeses elaborou novas políticas que sugeriam que fossem 'obrigatórias' as denúncias à polícia caso houvesse suspeitas de abusos.

O documento, redigido pela Congregação para o Clero, diz que o órgão do Vaticano havia estudado as novas políticas irlandesas, mas enfatizava que essas políticas 'necessitam estar em conformidade com as normas canônicas em vigor'.

'A (política de) 'denúncias obrigatórias' dá margem a ressalvas sérias de natureza moral e canônica', escreveu Storero.

Na época da divulgação da carta, a emissora irlandesa afirmou ter recebido o documento de um bispo.

O Vaticano alegou que o documento dizia respeito a uma abordagem específica e já ultrapassada da Congregação para o Clero.

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