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Primeiro semestre tem média de 6 milhões de empresas inadimplentes, diz Serasa

De acordo com a pesquisa da Serasa Experian, a maioria das dívidas este ano foi contraída pelos empreendedores no setor de Serviços, com 27,4%

03 Ago 2022 - 12h15Por CNN
Em relação a 2021, houve um crescimento de 3,45% - Crédito: Peter Dazeley/Getty ImagesEm relação a 2021, houve um crescimento de 3,45% - Crédito: Peter Dazeley/Getty Images

Dados do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian, obtidos com exclusividade pela CNN, mostram que, no primeiro semestre de 2022, a média de empresas que estavam com contas negativadas no país era de seis milhões.

Em relação a 2021, houve um crescimento de 3,45%.

Segundo o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, o aumento se deu por conta da alta da inflação no período.

O levantamento mostra que o número de negócios inadimplentes cresceu nos primeiros semestres entre 2016, início da série histórica, e 2020.

Nestes cinco anos, o número de empresas com contas negativadas passou de 2,83 milhões para 6,1 milhões. Em 2021, houve queda para 5,8 milhões.

De acordo com a pesquisa, a maioria das dívidas em 2022 foi contraída pelos empreendedores no setor de Serviços (27,4%).

São Paulo lidera o ranking entre os estados com mais empresas inadimplentes (2.008.526), em seguida, vêm Minas Gerais (608.663) e o Rio de Janeiro (543.961).

O economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, explica que o aumento da inadimplência nos negócios foi ocasionado pela alta inflação, que fez com que o número de consumidores inadimplentes aumentasse e, consequentemente, afetasse diretamente o fluxo de caixa das empresas.

"A raiz do problema é a inflação. Desde setembro do ano passado, o índice foi para a casa dos dois dígitos. Essa inflação, persistentemente mais alta, acaba fazendo um estrago no bolso do consumidor e eles ficam inadimplentes, o que reflete no desempenho das empresas", destaca.

"O dinheiro não entra, o caixa não aumenta e elas ficam com dificuldades financeiras porque houve uma queda no fluxo dos pagamentos. Ou seja, bate primeiro no consumidor e rebate nas empresas, é uma cadeia. Todo o sistema fica com inadimplência."

O levantamento também indica que, no primeiro semestre dos anos entre 2016 e 2020 houve alta na quantidade de empresas com dívidas.

Nos primeiros seis meses de 2016, era de 30,7 milhões. Este número cresceu até 2020 e atingiu 63 milhões. A partir de 2021 a dívida de empresas no primeiro semestre começou a diminuir e foi para 46 milhões. Em 2022, foram 43 milhões.

No entanto, apesar do número das dívidas terem diminuído, o valor delas têm aumentado, chegando a uma média de R$ 105 bilhões no primeiro semestre do ano passado, com a média de cerca de R$ 99 bilhões no primeiro semestre deste ano.

"O número de empresas inadimplentes deve diminuir só quando a inflação cair de forma consistente, e não pontualmente. Quando o IPCA estiver em um patamar menor e a economia em um processo desacelerado, o cenário pode ser mais positivo", diz o economista da Serasa Experian.

"Mas não depende apenas desses fatores, também precisamos de juros mais baixos, já que eles são um dos principais fatores que encarecem os valores para as empresas. Há uma tríplice convergência: os juros e a inflação precisam cair e, a economia, crescer. Quando a inflação melhorar, ela vai parar de corroer o poder de compra dos consumidores"

Confira a série histórica das empresas inadimplentes, com base no primeiro semestre de cada ano:

  • 2016: 2,83 milhões
  • 2017: 4,8 milhões
  • 2018: 5,2 milhões
  • 2019: 5,7 milhões
  • 2020: 6,1 milhões
  • 2021: 5,8 milhões
  • 2022: 6 milhões

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