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MS pode perder R$ 200 milhões com milho safrinha

05 Jul 2011 - 21h43
Lavouras de milho na região de Dourados foram diretamente afetadas por geadas consecutivas
Fotos: Hedio Fazan
 - Lavouras de milho na região de Dourados foram diretamente afetadas por geadas consecutivas Fotos: Hedio Fazan -
Ana Paula Amaral

DOURADOS – O prejuízo dos produtores de Mato Grosso do Sul com as duas geadas consecutivas, ocorridas na semana passada, pode chegar a R$ 200 milhões. O cálculo, feito pela Fundação MS, leva em conta a área afetada pela gea-da, que gira em torno de 300 a 350 mil hectares que tiveram plantio tardio. Segundo especialistas ouvidos pelo O PRO-GRESSO, a quebra média de produtividade no Estado deve oscilar entre 15% e 30%, dependendo da região. No entanto, em alguns municípios o impacto do clima foi bem mais severo.

De acordo com o pesquisador da Fundação MS, André Luiz Lourenção, especialista em milho e sorgo, as duas geadas causaram prejuízos em grande parte das lavouras de milho safrinha da região centro-sul do Estado. Segundo ele, por causa do plantio tardio (resultado do grande volume de chuva na colheita da soja), pelo menos 50% do milho cultivado estão em estágios suscetíveis aos danos provocados pelas geadas. A estimativa é que pelo menos 300 mil hectares tenham sido afetados, com quebra média de 15% a 20% da produtividade. “As geadas mais severas são esperadas para julho e algu-mas áreas que não sofreram ainda podem ser afetadas”, diz o engenheiro agrônomo, ao salientar que ainda há possibilidade de novas geadas antes da colheita, que inicia na segunda quinzena de julho.

Segundo ele, não apenas as geadas mas as temperaturas muito baixas também comprometem o desenvolvimento das lavouras. “O frio abaixo de 10ºC já dificulta o crescimento do milho, por isto a torcida do produtor é sempre por tempo aberto e temperaturas mais altas”, explica.

De acordo com a avaliação da Fundação MS, a região do conesul foi a mais afetada pelas geadas. Em Aral Moreira, o fenômeno ocorreu em 100% das áreas e com alta intensidade. Nesta região, as perdas podem chegar a R$ 13,6 milhões. Em Naviraí, onde normalmente as geadas não ocorrem ou são muito fracas, 80% das lavouras apresentam danos. Consi-derando que 50% do milho foi semeado fora do período ideal, as perdas neste município podem chegar a R$ 7,7 milhões.

Para o município de Maracaju, maior produtor de milho safrinha do Estado, as perdas podem alcançar R$ 32,8 mi-lhões. Os municípios de Sidrolândia, Rio Brilhante e a região da Grande Dourados também foram bastante afetados. A Fundação MS lembra que o levantamento não considera os prejuízos causados em outras culturas como aveia, trigo, fei-jão, cana-de-açúcar e pastagens, que também apresentaram perdas significativas.
Produção
Em Dourados, segundo o engenheiro agrônomo e consultor Ângelo Ximenes, os quatro dias de chuva com céu nubla-do inibiram os impactos das geadas – que, segundo ele, poderiam ser mais severos se houvesse sol forte em seguida. No entanto, segundo avaliação do especialista, a perda média de produtividade não deve ultrapassar os 30%. A expectativa para o milho safrinha em Dourados era colher 3.600 quilos, ou 60 sacas por hectare – com as geadas, a previsão é que o produtor ainda colha 40 sacas por hectare.

“A produção deve ser um pouco baixa, mas o preço deve subir pela falta do produto no mercado”, explica. “A preo-cupação que resta é quanto à qualidade deste milho, mas esta resposta só teremos mais pra frente”, acrescenta. Segundo Ximenes, a expectativa é que, após a colheita, o preço pago pela saca de 60 quilos chegue aos R$ 22. Hoje, a saca está cotada em torno de R$ 18. “O produtor vai, pelo menos, pagar o custo de produção. Com esta produtividade, não haverá descapitalização e lavoura ficará limpa de pragas e doenças”, esclarece.

Já o assessor técnico da Federação de Agricultura e Pecuária de MS (Famasul), Lucas Galvan, diz que ainda é cedo para falar em números. Segundo ele, uma avaliação mais precisa dos efeitos do clima só poderá ser feito em 10 ou 15 dias e o impacto real poderá ser verificado somente na colheita.
No entanto, ele comenta que dos 950 mil hectares de milho safrinha no Estado, em torno de 350 mil tiveram plantio tardio e estão mais suscetíveis aos efeitos da geada. “Estas plantas estão em um estágio de desenvolvimento muito peri-goso para a geada”, explica.

Segundo ele, a previsão média de produtividade do milho safrinha, segundo estimativa do IBGE, seria de 4.126 quilos por hectare. Somando os efeitos da geada aos estragos provocados pela estiagem em maio, a produtividade deve cair para 3.600 ou 3.500 quilos por hectare, o que não é considerado um número ruim. “É uma produtividade baixa, porém sus-tentável. Com um preço bom, o produtor paga suas contas e não chega a ter prejuízo”, avalia.
Ele ressalta apenas que, na média, pode até ser que o impacto não seja ruim mas lembra que os efeitos das geadas fo-ram bastante severos em alguns municípios como Amambai, Ponta Porã, Aral Moreira, Laguna Caarapã e Maracaju. Nestes locais, em algumas lavouras o prejuízo foi grande.


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