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'The Cape' pega carona na moda dos super-heróis sem superpoderes

09 Fev 2011 - 17h20
James Frain vive o bilionário Peter Flemming e o
vilão Chess - Crédito: Foto: DivulgaçãoJames Frain vive o bilionário Peter Flemming e o vilão Chess - Crédito: Foto: Divulgação
Homem-Aranha, Capitão América, Thor, Lanterna Verde... No meio de tantos super-heróis renomados na fila de espera para chegar aos cinemas, fica difícil reparar em um paladino desconhecido que estreia nesta sexta (11) na TV brasileira com o simplório nome de O Capa. Seu principal desafio: mostrar aos espectadores que (ainda) é possível criar novas histórias de super-heróis que não sejam meras adaptações das HQs de Stan Lee de décadas atrás.

\"The Cape\", a série, é a grande aposta do canal americano NBC para substituir “Heroes”, cancelada no ano passado. Com duas horas de duração, o primeiro episódio vai ao ar no Brasil, às 22h de sexta, no Universal Channel.

“Não há hoje nada igual a ’The Cape’ na TV\'\", adianta o ator James Frain, em entrevista por telefone ao G1. \"É uma combinação de elementos de diferentes histórias que já vimos, mas colocadas juntas de uma forma única. Diria que é ótimo entretenimento, divertido de fazer e divertido de se assistir. Cada episódio tem a sua identidade, como se fosse o filme da semana.”

O seriado segue a tendência de HQs do momento como “Kick-ass” e mostra um herói sem superpoderes ou traquitanas tecnológicas no papel de vigilante. O protagonista da vez é o ex- policial Vince Faraday (David Lyons), que após ser acusado injustamente de homicídio encarna o super-herói do quadrinho predileto de seu filho para lutar contra o crime e a corrupção.

Frain, que recentemente esteve em “True blood” e “Tron: o legado”, é o vilão de “The Cape”. Ao mesmo tempo em que vive o bilionário e manipulador Peter Flemming, dono de uma empresa de segurança privada que toma controle da corrupta polícia de Palm City, ele também é o mascarado Chess, um justiceiro político que serve de alterego para pôr em prática seus anseios profissionais e políticos.

“O que eu gosto na ideia de um super-herói sem superpoderes é que ele é um cara comum. Ele pode ser qualquer um de nós em uma situação de tremenda injustiça. Tudo o que ele tem é a consciência de que suas habilidades irão se desenvolver com o tempo”, acredita Frain. “E há esse lado fofo de O Capa ser o personagem favorito do filho dele, o que não deixa de ser uma maneira de ele se comunicar com o filho e com si próprio. Por isso a minha esperança é que a audiência se sinta conectada com o personagem e também com suas lutas internas”, continua.

Mas, a julgar pelo mês de janeiro, tal conexão não existiu. “The Cape” não teve a estreia desejada pela NBC, que reduziu a 1ª temporada de 13 para apenas dez episódios, número baixo até para os padrões das séries que passam na TV paga americana.

Críticos e fãs elogiaram os efeitos visuais cinematográficos de Hollywood que a série tem, mas foram praticamente unânimes em condenar a falta de carisma dos personagens principais e a falta de originalidade da trama, que utiliza os principais elementos de \"Batman” e \"Watchmen\", inclusive com referências ao livro \"1984\", de George Orwell.

“Batman tem mais problemas e conflitos internos que o Capa, que está mais relacionado ao arquétipo do super-herói do que a alguém que realmente tenha poderes. O Capa é quase um \'conceito-sombra\' de como ser um super-herói: você pode simplesmente jogar uma toalha ao redor de seu pescoço e chamá-la de capa”, brinca Frain.

#####Saudades dos tempos de vampiro
Nos últimos anos, Frain tem se destacado em papéis de vilão, como na série de época “The Tudors” e no filme de ficção científica “Tron: o legado”. O ator britânico disse que aprendeu a gostar de interpretar tipos de personagens que exigem vestimentas ou maquiagens especiais, apesar de sofrer com as lentes coloridas de contato que Chess usa.

“É a parte mais difícil da série, pois elas são pintadas a mão. De longe meus olhos parecem bem reptilianos e assustadores”, diverte-se. “É bem interessante quando outros departamentos contribuem com a sua interpretação, é um bônus fantástico”, continua ele, que confessa, durante a entrevista, sentir saudades de Franklin Mott, o vampiro junkie e ciumento responsável pelos momentos mais divertidos da terceira temporada de “True blood”.

“Sinto muito a falta dele, foi uma experiência muito especial e um ótimo papel. É raro encontrar um personagem com tantos elementos diferentes. Adorava como a louca aventura dele e de Tara (Rutina Wesley) parecia com um pequeno filme deles mesmos”, elogia. “Definitivamente Franklin Mott foi o meu papel favorito. Mas eu nunca estaria no mesmo quarto que esse cara.”

(G1)

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