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Campanha eleitoral contribuiu para ‘segunda onda’ da Covid

Secretário Estadual de Saúde Geraldo Resende diz que não há como dissociar a aglomeração ao aumento da doença

23 Nov 2020 - 11h42Por Gracindo Ramos
Campanha eleitoral contribuiu para ‘segunda onda’ da Covid - Crédito: Divulgação Crédito: Divulgação

Em Dourados, entre os dias 9 e 18 de novembro, foram confirmados pela Secretaria Municipal de Saúde, 528 novos casos de Covid-19. Com isso, o município totalizou 9.321 contaminados pela doença. Mortes em decorrência do Novo Coronavírus eram 116 até a produção deste texto. Pacientes internados totalizam 26 – 12 em leitos de enfermarias, sendo três de hospitais públicos e um particular. Já os douradenses hospitalizados na Unidade de Terapia Intensiva somavam, até então, 14 – dois em unidades públicas e um no privado.

Em entrevista ao jornal O PROGRESSO, o secretário estadual de saúde, Geraldo Resende, falou sobre esse aumento do número de novos casos no Estado e explicou que é possível falar em uma nova onda da pandemia, já que os registros de infecções vinham caindo e, agora, estão voltando aos patamares de julho e agosto. Nos próximos dias, a SES realiza uma reunião com todos os secretários municipais de saúde para discutir a reativação de leitos para pacientes de Covid. Veja a entrevista na íntegra:

Como a Secretaria de Estado de Saúde analisa esse aumento do número de novos casos de Covid no Estado?

Vemos com preocupação, pois desde o começo da pandemia colocamos todas as nossas energias e trabalhamos firmes, junto com os prefeitos e secretários de saúde dos 79 municípios do Estado, a fim de evitarmos o aumento do contágio. No entanto, sabemos que houve um aumento expressivo de casos nessa última semana.

O sistema público de saúde está pressionado ou pode ser comprometido com possíveis novas hospitalizações em decorrência da doença?

Nos próximos dias, teremos uma reunião entre todos os secretários municipais de saúde e a Secretaria de Estado de Saúde para discutirmos a eventual necessidade de reativar alguns leitos de UTI e leitos clínicos para pacientes da Covid-19. Posso dizer que estamos preparados, mas se necessário, vamos nos reestruturar. Muito embora eu acredite que não será necessário reativar os chamados “hospitais de campanha”. Estamos atentos, mas vamos continuar apelando para a população também fazer a sua parte.

Quais as principais causas do novo avanço do vírus?

A principal causa é o afrouxamento por parte significativa da população, acreditando erroneamente que a doença já acabou. Os jovens, principalmente, promovem aglomerações, onde não há o uso de máscaras e nem o distanciamento social. Há uma espécie de rebeldia, uma cultura do brasileiro e do sul-mato-grossense em achar que a Covid-19 não vai acontecer com ele. Alguns se contaminam sem apresentar sintomas. O problema é que podem levar a doença para dentro de suas casas e contaminar os idosos, pessoas muito mais suscetíveis a apresentar a forma grave da Covid-19.

Podemos falar em segunda onda?

É possível falar em segunda onda, porque vínhamos de uma tendência de diminuição dos casos, porém estamos voltando aos patamares de julho e agosto, onde a média móvel no Estado chegou a quase 900 casos por dia. Mas vamos continuar alertando a população para que tome os devidos cuidados, a fim de que isso não aconteça.

Quais medidas os municípios devem adotar para conter esse crescimento?

Em MS, temos um programa governamental denominado “Prosseguir”, que é o Programa de Saúde e Segurança na Economia, que tem o objetivo de estruturar um método baseado em dados, informações e indicadores para nortear os gestores municipais a tomarem suas decisões com base em dados técnicos e científicos, direcionados a cada Município especificamente. Desta forma, eles podem tornar mais eficientes as ações de combate à Covid-19.

Existe alguma relação do período de campanhas políticas com o aumento do número de casos? O período eleitoral, com mais pessoas circulando e aglomerações, pode ter influenciado?

Acreditamos que sim. E isso ocorreu em todo o país. Não há como dissociar a aglomeração, seja pelo motivo que for - o ajuntamento de pessoas, na maioria dos casos sem máscaras e o descuido das regras de higiene -, do recrudescimento da doença. O processo democrático é algo muito bonito e necessário, mas infelizmente, a população aglomerou-se em reuniões, carreatas e outros eventos políticos sem o cuidado necessário. É verdade que o processo eleitoral fez com que tivesse concentrações de pessoas. Mas observamos que, antes disso, a população já estava 'rebelde'. A eleição contribuiu sim, mesmo não sendo o fator determinante".

Há risco da necessidade de volta de medidas mais severas de isolamento?

Estamos conversando com os técnicos da área de saúde, prefeitos e demais gestores envolvidos com a saúde pública, para encontrarmos o equilíbrio nas decisões que são tomadas. Mas lembro que ao Estado cabe apenas orientar e auxiliar os municípios na tomada de decisões, bem como dar todo o suporte técnico e financeiro possível para que os prefeitos e prefeitas adotem as medidas necessárias.

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