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Segurança e Saúde JBS
Editorial

Ranking da Segurança

10 Jun 2016 - 06h00
O instituto Global Peace Index divulgou ontem o resultado do estudo realizado pelo Institute of Economics and Peace (IEP) onde revela que o Brasil aparece na 105ª posição no ranking que avaliou a tranquilidade para se viver em 163 países. E nem poderia ser diferente, já que no Brasil mais de 45 mil pessoas são mortas de forma violenta todos os anos, a maioria com emprego de armas de fogo, enquanto outras 45 mil, em média, perdem a vida no trânsito todos os anos. A Islândia foi classificada como a nação mais pacífica do mundo, ou seja, onde a sociedade vive em maior segurança, longe de assaltos, furtos, roubos, atentados terroristas, guerra, homicídios, latrocínios, estupros ou qualquer outra forma de violência. Em segundo lugar no ranking da tranquilidade aparece a Dinamarca, seguida pela Áustria em terceiro, pela Nova Zelândia, em quarto, e por Portugal, que aparece como a 5ª nação mais segura do mundo para se viver. No oposto no ranking aparecem a Síria como o país menos pacífico do planeta na atualidade, seguido do Sudão do Sul, Iraque, Afeganistão e Somália, onde os índices de violência foram classificados como absurdos pelo Institute of Economics and Peace.


O estudo avaliou 163 países em 23 indicadores diferentes, entre eles os conflitos nacionais e internacionais; a segurança e a proteção na sociedade, além do nível de militarização dos países. A Europa é o continente mais pacífico do mundo com seis nações classificadas entre os sete primeiras do ranking global da tranquilidade. Por outro lado, a corrupção e a instabilidade política, associado à deterioração tanto da taxa de encarceramentos quanto do número de policiais, provocaram o aumento de 15% na percepção da violência. Na América do Sul, o Brasil fica atrás no ranking da tranquilidade até mesmo do Paraguai, da Bolívia e do Peru, ficando a frente apenas da Venezuela, que aparece na 143ª posição, e da Colômbia, que está na 147ª colocação. O estudo revela ainda que 77 países tornaram-se mais pacíficos desde o último estudo, realizado em 2014, enquanto 85 apresentaram piora no indicador da tranquilidade de vida da população. Esse aumento na percepção da instabilidade é atribuído, sobretudo, ao elevado número de refugiados e pessoas desalojadas nos últimos dez anos, com aproximadamente 60 milhões de pessoas entre 2007 e 2016, fugindo da guerra ou da violência.


Na Síria, por exemplo, mais de 60% da população está desalojada, mas o que tem agravado muito a sensação de insegurança é o terrorismo, tanto que o número de mortes por atos terroristas subiu de menos de dez mil ao ano em 2008 para mais de 30 mil ao ano em 2014. O Brasil não vive nenhuma guerra ou onde de terror, mas a violência mata mais que na Síria, no Iraque ou no Afeganistão. A impunidade é outro combustível para a violência, tanto que levantamento realizado pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) revela que dos mais de 140 mil inquéritos que investigam homicídios dolosos instaurados no Brasil nos últimos anos, apenas 43 mil foram concluídos e, desses, pouco mais de 8 mil se transformaram em denúncias, de forma que somente 19% dos responsáveis pelos assassinatos foram ou serão julgados pela Justiça. O fato é que o Brasil arquiva mais de 80% dos inquéritos de homicídio doloso, que é aquele em que há a intenção de matar, o que acaba servindo de incentivo para crimes de pistolagem.


O mais grave é que toda essa violência tem um peso gigante na economia global, tanto que em 2015 foram perdidos US$ 13,6 trilhões com a instabilidade mundial, valor que representa 13,3% Produto Mundial Bruto. Apenas o Brasil gasta 14% do seu Produto Interno Bruto (PIB) para arcar com os custos da violência e está entre os 32 países piores colocados nesse indicador, enquanto Portugal, por exemplo, gasta 5% e está na 121ª posição. A Síria gasta 54% do seu PIB com os custos da violência, enquanto os melhores colocados como a Indonésia, o Canadá e a Islândia gastam apenas 2% do PIB com a violência. Mesmo gastando 14% do PIB com a violência, o Brasil sofre com o baixo efetivo da Polícia Civil; com a falta de equipamentos periciais; com a péssima estrutura de trabalho para os agentes da polícia judiciária e com a escassez de efetivo da Polícia Militar. Tudo isso faz com que o Brasil sofra com o quadro de violência endêmica, com média de 26 homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes enquanto nos países menos violentos esse número não chega a uma morte por cada grupo de 100 mil habitantes.

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