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Empreendedorismo

Investir em empresas de 'modismo' pode ser escolha arriscada

15 Ago 2016 - 07h34
Valdir Pereira da Costa orienta o empreendedor a buscar informações técnicas na hora de montar o próprio negócio
Foto: Hedio Fazan


 - Valdir Pereira da Costa orienta o empreendedor a buscar informações técnicas na hora de montar o próprio negócio Foto: Hedio Fazan -
Uma fachada bonita, móveis novos e se possível um nome estrangeiro. Essa tem sido a receita de uma grande parcela de pequenas e médias empresas que surgem todos os dias. Muitos desses investidores apostam as fichas em negócios já instalados no mercado e acreditam que eles também terão sucesso. É aí que mora o perigo. Passado a onda do modismo, manter-se no mercado é o principal desafio.

Dourados já viveu ciclos de modismos em diferentes setores, entre eles no segmento de sorvete italiano, que se espalhou pela cidade, mas muitos dos investidores não resistiram no mercado. Teve também no ramo de pastelaria. "Isso acontece muito com aquele funcionário que recebe o acerto da empresa e na ânsia de montar o próprio negócio, aposta suas fichas em empresas que estão na moda", diz o administrador e professor Valdir Pereira da Costa.

O maior problema observado por Valdir, também representante do Conselho Regional de Administração de MS, é a falta do despreparo do gestor, seja na hora de abrir o próprio negócio bem como de estratégias para manter-se no mercado. "Essas pessoas acreditam que é tudo muito fácil e arriscam todo o seu capital e quando aparece uma crise elas fecham o empreendimento e voltam a serem funcionários", analisa o especialista, dizendo que esse problema é muito comum em todo o país.

Investir em modismo, a princípio, pode ser lucrativo, pois o público estará interessado na novidade. Porém, a empresa depende de sustentação, para sobreviver, mesmo quando a moda estiver acabando. "Quando chega nessa fase permanece no mercado aqueles que fizeram o investimento com planejamento e zelo", explica o conselheiro.

Não há uma receita de como se dar bem no mercado, porém existem métodos e técnicas que auxiliam o investidor. Quem tem espírito de empreendedorismo, segundo o especialista, aposta todas suas fichas num negócio e isso também pode ser arriscado, principalmente quando se tem um capital limitado. Há ainda muitas pessoas que têm capital, mas encontram dificuldades de escolher o negócio certo. Esse tipo de investidor é bem mais cauteloso e embora não seja empreendedor pode se dar bem nos negócios e construir uma empresa de sucesso.

Buscar informações com um profissional capacitado na hora de montar o próprio negócio é essencial, segundo Valdir Pereira da Costa, seja na hora de abrir o primeiro negócio e até mesmo para as empresas já consolidadas e que buscam um novo posicionamento no mercado. Instituições como o Sebrae, empresas particulares especializadas e profissionais liberais da administração podem ajudar a tomar as melhores escolhas e decisões.

Gestão

A crise e a falta de poder aquisitivo dos consumidores têm sido vilões na economia do país. Tanto é que pesquisa da Junta Comercial de Mato Grosso do Sul (Jucems) aponta que no primeiro semestre deste ano o número de empresas fechadas no Estado chegou a 1603, aumento de 35% em comparação ao mesmo período de 2015, com o fechamento de 1180 estabelecimentos.

Muitos dos problemas na empresa, segundo Valdir, ocorre na tomada de decisão. "O gestor não qualificado toma decisões erradas", afirma. Um exemplo, segundo ele, é o investimento na aquisição de produtos. "Se ele comprar errado irá vender errado", pontua. Um dos grandes erros do investidor é acreditar que consultoria é despesa. "Só no ouvir em falar em consultoria alguns empreendedores chegam a assustar, mas o investimento num profissional qualificado sairá muito mais baixo se comparar a todo o processo de encerrar uma empresa caso ela não tenha continuidade no mercado", finaliza.

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