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Editorial

Inadimplência Maior

12 Jul 2011 - 06h25


O Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor, divulgado ontem, revela que as pessoas estão encon-trando dificuldades para honrar os pagamentos das compras feitas no primeiro semestre deste ano, tanto que a inadim-plência subiu 22,3% entre janeiro e junho na comparação com o mesmo período do ano passado.

Em números reais, foi a maior alta desde 2002 e, para variar, as dívidas contraídas com os bancos lideraram o ranking da inadimplência com au-mentou 8,1% no primeiro semestre, ou seja, quem tomou dinheiro emprestado não está conseguindo pagar as parcelas e essa situação deve gerar um efeito cascata que acabará contaminando todo o sistema financeiro.

Num primeiro momento, os bancos ficarão mais cuidadosos na hora de aprovar qualquer pedido de empréstimo, sobretudo na modalidade Crédito Direto ao Consumidor (CDC) e, num segundo momento, os juros devem ficar ainda maiores para compensar os riscos desse tipo de operação financeira, de forma que a conta acabará sendo paga justamente pelo consumidor.

Além dos empréstimos bancários, as operações com cartões de crédito, com financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços como telefonia e fornecimento de energia elétrica e água também estão sofrendo com o calote, tanto que a inadimplência aumentou 5,4% no semestre em comparação com o mesmo período do ano passado. Por outro lado, o índice de cheques sem fundo aumentou 18,9%, significando que para cada 100 cheques emitidos, cerca de 19 foram devolvi-dos por falta de provimento em conta.

A situação só não é mais grave porque o volume de títulos protestados recuou 11,7%, fator que ajudou a segurar o índice médio de inadimplência. O sinal de alerta foi ligado, mesmo porque nada retrata mais a crise financeira de uma sociedade que o calote, ou seja, quando pessoas e empresas não conseguem pagar as contas assumidas é sinal que a insolvência está se aproximando e, mais grave, gerando um círculo vicioso que acaba influenciando todos os setores produtivos de uma Nação.

Quando não consegue cobrir um cheque emitido, o consumidor, imediatamente, deixar de comprar até que a dívida seja honrada e, sem consumo, o comércio é o primeiro a sentir o impacto. Se o comércio vende menos, a indústria fabrica menos e, consequentemente, menos dinheiro fica em circulação. Com isso, mais pessoas deixam de pagar as contas e mais grave fica a crise financeira de uma nação.

O governo, que poderia facilitar o crédito, anda na contramão e mantém as taxas de juros brasileiras entre as mais altas do mundo, superando até mesmo a Argentina, Rússia e países africanos. Parece que todos – empresas e pessoas físicas – estão caminhando para a bancarrota, fator que pode ser facilmente com-provado com o aumento de inclusão de nomes no Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) de quase todas, senão todas, as cidades brasileiras. As empresas estão encontrando dificuldades para pagar em dia seus compromissos financeiros e acabam puxando a inadimplência para cima, fator que pode interromper até mesmo os índices positivos de geração de emprego em todos os Estados brasileiros.

Enquanto as pessoas jurídicas ainda podem recorrer às linhas de crédito para capital de giro, as pessoas físicas apare-cem em situação de desespero em virtude da elevação dos juros, das tarifas públicas e, principalmente dos impostos, já que o Brasil tem a maior carga tributária do planeta. Ou seja: a corda continua arrebentando do lado mais fraco, que é o povo.

O governo tenta mascarar a crise vendendo a falsa imagem que o país está em franco desenvolvimento. Ao invés de enfrentar o problema, a equipe econômica do governo federal recorre a subterfúgios, tanto que as medidas paliativas adotadas pelo Palácio do Planalto foram suficientes apenas para segurar a inflação que estava em crescimento e já assombrava as pessoas. Diante desse quadro de aumento de inadimplência, o consumidor deve pensar duas vezes antes de fazer uma nova compra e caberá aos tecnocratas do Ministério da Fazenda e do Banco Central a missão de enquadrar os banqueiros para que eles cobrem juros menores nas renegociações das dívidas, pois somente dessa forma as pessoas po-derão recuperar o crédito para, com isso, voltar a consumir.

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