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Editorial

Grave Insolvência

19 Mai 2011 - 07h04
19.05.2011 - Grave Insolvência

A Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e divulgada ontem, em Brasília, revela que o número de famílias que declarou ter dívidas aumentou em maio na comparação com maio do ano passado. Mais grave: 64,2% da população brasileira está com alguma dívida vencida, contra 58,7% que se declararam endividados no mesmo mês do ano passado.

Em meio a esse universo, exatas 8,6% dos entrevistados não tem qualquer condições de pagar as contas ou dívidas, de forma que, em linhas gerais, quase 20 milhões de brasileiros vivem nessa situação atualmente. Culpa do crescimento dos em-préstimos em ritmo mais rápido do que o da renda, bem como do aumento do custo do crédito e, principalmente, do espa-ço reduzido para elevações nos prazos de financiamento, de forma que cada vez mais pessoas estão contraindo dívidas que não têm condições de pagar, o que pode levar a uma grave recessão num curto espaço de tempo.

A verdade é que pouca coisa retrata tanto a crise financeira de uma sociedade quanto o calote. Quando pessoas e em-presas não conseguem pagar as contas assumidas é sinal que a insolvência está se aproximando e, mais grave, gerando um efeito cascata que acaba influenciando todos os setores produtivos de uma Nação. Quando não consegue cobrir um cheque emitido, o consumidor, imediatamente, deixar de comprar até que a dívida seja honrada e, sem consumo, o co-mércio é o primeiro a sentir o impacto.

Se o comércio vende menos, a indústria fabrica menos e, consequentemente, me-nos dinheiro fica em circulação. Com isso, mais pessoas deixam de pagar as contas e mais grave fica a crise financeira de uma nação. O governo, que poderia facilitar o crédito, anda na contramão e mantém as taxas de juros brasileiras entre as mais altas do mundo, superando até mesmo a Argentina, Rússia e países africanos. Resultado: 64,2% da população bra-sileira acaba ficando com alguma dívida vencida e a situação tende a piorar.

A inadimplência maior, que também é confirmada pelos números dos Serviços de Proteção ao Crédito (SPC), deveria servir de alerta para o governo. Parece que todos estão caminhando para a bancarrota, fator que pode ser facilmente com-provado com o aumento de inclusão de nomes no Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) de quase todas, senão todas, as cidades brasileiras. Pela ordem, os cheques sem fundo lideram a corrida da inadimplência no Brasil, responden-do por 34% do volume de calotes, seguidos pelo cartão de crédito e financeiras, que representaram 32% das contas não pagas.

Outro agravante: parte das empresas estão encontrando dificuldades para pagar em dia seus compromissos finan-ceiros e acabam puxando a inadimplência para cima. Enquanto as pessoas jurídicas ainda podem recorrer às linhas de crédito para capital de giro, as pessoas físicas aparecem em situação de desespero em virtude do crescimento do desem-prego, redução da renda, elevação dos juros, tarifas públicas e impostos. Ou seja: a corda continua arrebentando do lado mais fraco, que é o povo.

A Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor sugerem que o calote poderá aumentar nos próximos meses, uma vez que, por faixa de renda, os números mostram que o crescimento do endividamento foi mais expressivo nas famílias com ganhos acima de dez salários mínimos, faixa que concentra 57,7% do endividados. Já as famílias com renda inferior a dez salários mínimos, o percentual que declarou estar endividado passou de 64,4% em abril para 65,2% em maio, com o uso do cartão de crédito aparecendo como o principal vilão: nada menos que 71,8% das famílias pesquisadas nessa faixa salarial estão com dívidas nas operadoras de cartões.

Na sequencia aparecem as dívidas com carnês ou crediários próprios de lojas de departamento, com 20,7% do total da dívida, seguidos pelo do crédito pes-soal, aquela modalidade de empréstimo contraída diretamente nas agências bancárias ou nas financeiras, com 12,4%. A população está mais endividada e, lamentavelmente, o governo federal não faz nada para, pelo menos, reduzir os juros que incidem sobre as dívidas vencidas.

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