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Conselho Municipal fiscaliza Hospital Universitário

30 Mar 2011 - 22h02
Apesar da anunciada superlotação leitos no Hospital Universitário estão vazios. - Crédito: Foto : Hédio Fazan/PROGRESSOApesar da anunciada superlotação leitos no Hospital Universitário estão vazios. - Crédito: Foto : Hédio Fazan/PROGRESSO
DOURADOS – Uma devassa realizada na manhã de ontem em todos os setores do Hospital Universitário revelou problemas crônicos de atendimento. A operação do Conselho Municipal de Saúde constatou aparelhos quebrados, leitos desativados, cirurgias paralisadas e superlotação em alguns setores do hospital, como a pediatria. Com cerca de 95% de ocupação e sem estrutura para ampliação cirurgias estão sendo canceladas por falta de vagas nos leitos. De acordo com informações da administração do Hospital, repassadas ao Conselho, o problema neste setor é que a taxa de permanência vem sendo alta, ou seja, as crianças demoram mais para desocupar os leitos.

Se por um lado existe superlotação, por outro, leitos do hospital teriam sido desativados, segundo o conselho, para abrigar salas de estudos para os estudantes de medicina. “Cada sala desta representa três leitos a menos no hospital. É um absurdo”, disse o conselheiro Nelson Salazar. A administração do Hospital disse ao Conselho que as salas no hospital atendem a uma determinação do Ministério da Educação e que o número de leitos continuaria o mesmo, sendo que estes teriam apenas sido transferidos para outras salas do Hospital.


Conforme o presidente do Conselho, João Alves de Souza, o problema está no fato do hospital informar que não há vagas para internação, enquanto as salas de estudos poderiam ser levadas para o auditório do HU, disponibilizando área para leitos. A sala de repouso para profissionais de enfermagem está vazia. Profissionais descansam em colchonetes.

Apesar da suposta superlotação nas internações, o Conselho verificou 5 salas vazias, que gerariam 15 leitos e outros 38 leitos sem nenhum paciente. A administração informou que ontem foi um caso atípico, quando vários pacientes receberam alta. “Fica um jogo de empurra onde é o paciente que perde. Ele fica batendo as portas dos hospitais para receber atendimento”, destaca.

Durante vistoria, o conselho detectou falta de plantonistas e uma série de medicamentos (água para injeção) que estavam armazenados no corredor do Hospital, correndo risco de contaminação hospitalar. A administração do HU informou que os materiais já seriam recolhidos e guardados em área própria. Eles estavam lá há uma semana.

#####APARELHOS

O Conselho de Saúde constatou a defasagem em aparelhos oferecidos no Hospital. Por causa disso cirurgias como as de catarata estão paradas há um ano. Segundo a administração, o aparelho está sem funcionar por falta da atualização de um programa de computador.

Dos seis aparelhos de eletrocardiograma, quatro estão quebrados. Segundo a administração, dois deles que estão na manutenção ficam prontos no próximo dia 1º. Outros dois, antigos, estão em análise de recursos. É que, segundo a administração, o orçamento apresentado para os reparos não é permitido.
O Raio-X não está funcionando há 20 dias. Com isto, todas os exames externos estão sendo cancelados. Com isto, uma demanda de 40 pacientes estão deixando de ser atendidos diariamente. Segundo a administração o trabalho interno vem sendo feito com um aparelho de raio-x móvel.

A previsão é de que em sete dias o aparelho volte a funcionar.
O equipamento para procedimentos na ala de Urologia também está
quebrado desde dezembro do ano passado, o que paralisa o atendimento.
#####CIRURGIAS

Além da defasagem nos aparelhos, o Conselho de Saúde constatou a paralisação das cirurgias vasculares. Enquanto 83 pacientes estão na fila de espera, o Hospital tenta um acordo com os três cirurgiões. A administração informou que eles querem melhores salários e que por isto estariam se negando a fazer as cirurgias.

A administração já teria resolvido o caso, informando aos médicos que eles deveriam obedecer os agendamentos, caso contrário seriam denunciados no Ministério Público. O PROGRESSO tentou ouvir estes profissionais por três dias, mas sem sucesso.
#####ORTOPEDIA
Outro problema crônico está no setor de Ortopedia. O contrato do município com o HU é para um atendimento de 360 pacientes por mês com quatro médicos ortopedistas. O HU estaria com com apenas dois. Um terceiro seria disponibilizado apenas para aulas aos acadêmicos. Conforme apurou o conselho, cerca de 120 pacientes estariam deixando de ser atendidos por mês. Isto porque o contrato com a prefeitura prevê 360 atendimentos mensais.

O PROGRESSO apurou que cada um dos dois médicos atendem por dia seis pacientes, o que totaliza 60 por semana e 240 por mês. O restante dos 360 exigidos no contrato com o município estariam sem atendimento. “A dúvida é saber se a prefeitura vem pagando o hospital, mesmo sem ele cumprir as metas”, disse o presidente, informando que o Hospital ficou de disponibilizar estes dados de forma oficial ainda esta semana.
#####MATERNIDADE
Por outro lado, a ida da maternidade para o HU, também estaria causando um “inchaço” nos atendimentos. Segundo informações apuradas pelo conselho, o número de exames e procedimentos neste setor vem obrigando o HU a atender muito além do que está previsto em contrato. A demanda a mais estaria prejudicando outros serviços, segundo o conselho.
#####SISREG
Problemas, de toda a ordem, também chegam a administração municipal. O Conselho detectou que 30% dos pacientes que estão agendados para consultas ou cirurgias no HU faltam ao procedimento no dia marcado. Para se ter uma idéia, em fevereiro, dos 2,604 agendamentos, somente 1,892 pacientes compareceram.

De acordo com o Conselho, o Sistema de Regulação de Consultas estaria com falhas de comunicação. “Alguns postos esquecem de avisar o paciente sobre a data marcada pelo hospital. Um problema no município que será levado para a secretaria na tentativa de se resolver o problema”, destacou João Alves.


Ele diz que vai requerer uma série de documentos administrativos ao Hospital, e que todas as informações depois de analisadas serão levadas ao conhecimento dos órgãos competentes fiscalizadores, como o Ministério Público Estadual.

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