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Editorial

Cabeça quente

12 Jan 2016 - 10h41
O brasileiro tem sido acometido cada vez mais pela impaciência, quer seja no trabalho, na escola, e principalmente no trânsito. Os pequenos acidentes causam grandes discussões e muitas vezes termina em tragédia. O caso de um policial civil da Delegacia Estadual de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP) e o filho dele que morreram após uma briga de trânsito no domingo (10) em São Paulo é passível de acontecer com qualquer família e o pior é que tem acontecido principalmente nas grandes cidades e em épocas de festas de final e começo de ano.


Quanto mais tumultuado o trânsito mais intolerante estão as pessoas que não conseguem se conter diante da fúria da razão. Cada envolvido em acidente diz estar com a razão sem ao menos aguardar o resultado da perícia que existe justamente para apontar os culpados.


Muitas pessoas tem perdido a vida ou adquirido sequelas para o resto da vida após um simples bate boca no trânsito que se transforma em tragédia, o que é lamentável. As discussões servem somente para piorar as coisas e nunca para contribuir com as regras da boa convivência.


O trânsito está sempre tumultuado. As cidades, as rodovias, não foram preparadas para tanta agitação, tantos carros e tantas motos. O grande sonho dos jovens é adquirir maioridade para tirar a primeira CNH e sair por aí montado em uma motocicleta ou dirigindo um automóvel, mas estas pessoas devem se conscientizar que as vezes o trânsito é lento. Devem estar preparadas tanto para chegar ao destino final quanto para esperar por alguns minutos e quem sabe algumas horas.


Estamos na chamada época de “temporada” onde o litoral do Brasil está superlotado de pessoas. Milhares de veículos circulando ao mesmo tempo nas rodovias e também nas cidades e nestes passeios a pressa de chegar deve ser deixada de lado porque em nada compensa dirigir agoniado para chegar.


Certas misturas nunca terminam bem no trânsito ou em qualquer outro lugar. Cachaça, pressa, falta de paciência, com altas doses de intolerância. Dizem que a pessoa tem que contar até dez quando se envolve em algo desfavorável na vida. Com certeza este numero já aumentou para 1000. É melhor contar até 1000 do que morrer ou matar em uma discussão banal de trânsito, conflito que muitas vezes não tem sentido e poderia até mesmo terminar em um bom acordo.


Conforme relatos da Polícia no caso em comento, o jovem se envolveu em um acidente de trânsito na Rua Manuel Rodrigues, altura do número 150, travessa da Córrego do Limoeiro, em São Miguel Paulista. Após a batida, houve uma confusão e o jovem ligou para o pai.


O policial foi ao local junto com a irmã, que também é agente carcerária do 62º DP (Ermelino Matarazzo). Os dois se identificaram como agentes policiais. Em seguida, um outro veículo apareceu e pelo menos quatro homens atiraram nos policiais civis.


O policial e o filho dele morreram no local, e a agente carcerária sobreviveu. Pouco depois, um jovem de 21 anos, Lucas Pinheiro de Carvalho, deu entrada no Hospital Ermelino Matarazzo baleado. Ele é suspeito de ter participado da troca de tiros.


Nota-se que hoje em dia este tipo de discussão se agrava mais ainda porque não só a Polícia, mas muita gente está andando armado e a mistura ira com arma nunca vai acabar bem.


É preciso mais observação ao Código Brasileiro de Trânsito, instituído pela lei: 9503, em, 23 de setembro de 1997, não somente nas provas teóricas dos exames do Detran. Se todos respeitassem as normas contidas no Código não haveria nem mesmo a necessidade de buzinar.


Ora, se o condutor de veículo é daqueles que resolve se importar com todas as “fechadas” e batidas que leva no trânsito, com todos os abusos, insultos, sinal que deve refletir um pouco mais antes de pegar o carro e passar a andar de ônibus por um tempo, taxi ou metrô. Ao sair de casa o condutor deve estar preparado para qualquer tipo de provocação e se houver envolvimento em acidente fazer o possível para suportar calado as provocações.


Não se trata de covardia e sim de ser consciente de que não vale a pena entrar nas provocações do agressor. Não vale a pena perder a cabeça e o recomendável é aguardar as autoridades de trânsito para fazer os encaminhamentos necessários. Aquele que está certo ou está errado quem determina é a justiça. Somente assim teremos a tão sonhada paz no trânsito.

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