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Editorial

Aquecimento Controlado

21 Nov 2015 - 07h00



O Observatório do Clima acaba de divulgar o resultado do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg) no Brasil, onde concluiu que as emissões de gases de efeito estufa do ficaram estáveis em 2014 na comparação com o ano anterior, apesar da queda de 18% na taxa de desmatamento da Amazônia Legal, bioma formado pelo Acre, Amapá, Amazonas, Pará e Roraima, além de parte dos territórios do Maranhão, Mato Grosso, Rondônia e Tocantins. Segundo levantamento do Observatório do Clima, organização não-governamental que reúne 37 entidades da sociedade civil para discutir as mudanças climáticas no Brasil, o país emitiu 1,558 bilhão de toneladas de gás carbônico equivalente em 2014, redução de 0,9% em relação ao patamar de 1,571 bilhão de toneladas emitidas em 2013. Havia uma expectativa em relação ao ano passado porque em 2013 ocorreu aumento de 28% na taxa de desmatamento na Amazônia, provocando elevação de 8,2% nas emissões totais de gases de efeito estufa em relação ao ano anterior.

No ano passado, ocorreu a desaceleração do desmatamento, mas as emissões de carbono pela indústria cresceu 6% e impediu que a queda de 9,7% das emissões pelo desmatamento fizesse diferença na contribuição do Brasil para o aquecimento global. O Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa aponta ainda que o setor de energia emitiu 479,1 milhões de toneladas de CO2e em 2014, enquanto o desmatamento emitiu 486,1 milhões de toneladas de CO2e. O aumento foi puxado pelos setores de transportes, que está emitindo 3% mais do que em 2013; de geração de eletricidade, que teve um aumento de 23%, devido ao acionamento de usinas termelétricas fósseis por causa seca que esgotou os reservatórios das hidrelétricas no Nordeste, no Centro-Oeste e no Sudeste; e de produção de combustíveis, que teve aumento de 6,8% nas emissões em razão da produção e do refino de óleo e gás, que inclui a exploração do pré-sal. Esses dados servem de alerta para as dificuldades de o Brasil cumprir o plano climático que será apresentado pelo país durante a Conferência do Clima de Paris e onde se compromete a realizar reduções absolutas de emissão em toda a sua economia após 2020.

Ao mesmo tempo em que o Brasil não consegue reduzir as emissões de gases de efeito estufa, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente estima que as nações desenvolvidas devem despejar cerca de 59 bilhões de toneladas de gases do efeito estufa até 2020, número que significaria 1 bilhão de toneladas a mais do que previsto. O relatório alerta que o setor agrícola é responsável por 11% das emissões de gases de efeito estufa e cobra medidas capazes de assegurar a redução desse impacto no meio ambiente, mas o fato é que pouca coisa deve mudar já que as 190 nações que reúnem-se na próxima semana vão apenas negociar propostas para um acordo global sobre o clima que deverá ser firmado apenas em 2015 e que entrará em vigor somente em 2020. A sensação é que os país desenvolvidos não levam os alertas da ONU a sério, tanto que até hoje não surtiu um único efeito prático o relatório apresentado na Conferência sobre o Clima, realizada em Cancún, no México, no início de 2010, quando foram divulgados estudos apontando que a partir de 2030 as mudanças climáticas no planeta causariam indiretamente a morte de cerca de um milhão de pessoas por ano.

O aquecimento global poderá causar prejuízos anuais de US$ 157 bilhões aos países desenvolvidos, mas nem mesmo esse alerta serviu para mobilizar os líderes mundiais em torno de metas de redução da produção dos gases tóxicos aos planeta. A ONU prevê que a partir de 2030 as 190 nações do planeta serão afetadas em suas políticas de saúde pública, por desastres climáticos, pela perda do habitat humano devido à desertificação e à elevação do nível do mar, e, principalmente, em virtude do estresse econômico. Entre os 54 países que sofrerão de forma mais aguda os efeitos nefastos do clima, aparecem aqueles classificados como pobres ou muito pobres, incluindo a Índia, mas essa tragédia poderá ser evitada com a adoção de medidas corretivas pelas Nações mais ricas. O fato é que os países desenvolvidos devem assumir a culpa que lhes cabe pela elevação da temperatura no planeta, sob risco de sofrerem perdas anuais de mais de US$ 150 bilhões em suas economias, com o impacto maior ficando para os Estados Unidos, Alemanha e o Japão.

O número

1,558 bilhão de toneladas de gás carbônico foram lançados pelo Brasil na atmosfera em 2014, alerta Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa.

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