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Clube Nipônico celebra 112 anos de imigração japonesa com ação social

18 Jun 2020 - 22h00Por Valéria Araújo
Clube Nipônico celebra 112 anos de imigração japonesa com ação social -

O Clube Nipo Brasileiro de Dourados celebra os 112 anos de Imigração Japonesa no Brasil, comemorado em 18 de junho, com atos de solidariedade e amor ao próximo. Devido ao momento da pandemia os associados a campanha de Confecção de máscaras de tecido e campanha do agasalho. Foram produzidas mais de 3.700 máscaras de proteção que foram doadas a entidades filantrópicas, comunidade indígena, setores da saúde pública do município e para a comunidade nipônica do clube. Toda a ação conta com a participação dos associados do clube, que doaram tecidos e ornamentos, além da dedicação das costureiras do departamento de Senhoras do Clube (Fujinkai).


De acordo com o presidente do Clube Nipônico, Nélio Kurimori, por causa das recomendações de isolamento social, as tradicionais atividades presenciais do Clube estão suspensas, porém a data não poderia “passar em branco”. Por isso, como a entidade já tem como tradição a realização de atos beneficentes, a celebração esse ano será um ato de amor ao próximo.  Ele explica que boa parte das máscaras já foram entregues a lideranças indígenas e que outra parte que está sendo confeccionada pelas mulheres do clube será distribuída em breve.    
A imigração japonesa no Brasil, é um marco de trocas de culturas, cada vez mais presentes nos dias atuais. Hoje, no país do Carnaval, os brasileiros aprendem a comer sushy enquanto os japoneses dançam samba, numa integração de costumes.


Em Dourados, o clube oferece a população em geral uma série de atividades, voltadas para a cultura e esporte, como as danças (odori), karaokê, beisebol, gueitebol, tênis de campo, Voleibol, além de ensinamentos da culinária tradicional com o departamento das idosas e das senhoras.
O clube  conta com 120 famílias associadas que participam das atividades culturais promocionais e festividades gincana poliesportiva  (undokai), festa Junina, Dia da família, Japão Fest, a Festa Junina e campeonatos esportivos, que reúnem milhares de participantes.

Clube Social uniu os Nipônicos de Dourados e região 

De acordo com o livro Centenário da Imigração japonesa em Dourados”, da Associação Cultural Nipo-Brasileira Sul-mato-grossense,  a Associação Cultural e Esportiva Nipo-Brasileira de Dourados foi fundada em 31 de julho de 1953, para organizar a acolhida das 60 famílias de imigrantes japoneses, do pós-guerra, que se estabeleceram na recém implantada Colônia Agrícola Nacional de Dourados (CAND),  na região que passou a ser conhecida como Colônia Matsubara.


 A Associação foi constituída por 36 sócios fundadores e teve como primeiro presidente  Kiheiji Nishimura.  O objetivo inicial seria recepcionar o grupo de imigrantes que estaria chegando. Até então as famílias que residiam em Dourados viviam em  isolamento. Os preparativos foram programados, em uma reunião, na residência de Kiheiji Nishimura, na atual Rua João Cândido Câmara, esquina com a Rua Oliveira Marques, quando, por aclamação foi eleito presidente da comissão de recepção e, também, presidente provisório do Clube Nipônico de Dourados, entidade social, recreativa e esportiva, que desempenharia papel fundamental na integração  das famílias japonesas radicadas na região e que, posteriormente no intercâmbio com outras entidades congêneres.


A organização da recepção aos  imigrantes foi um marco inicial para a integração social das famílias nipônicas e, ao mesmo tempo, para a instituição oficial da associação. Na época Dourados  estava com 18 anos de emancipação, um município até então rico em erva-mate, e, iniciava na plantação do café - produtos que hoje foram substituídos pela soja, arroz, milho, trigo, sorgo, além de outros cereais. 
Fundado o Clube Social Nipônico, em 1953, ele passou a contar com uma sede provisória de madeira, erguida na gestão do presidente Massaichi Igumal. Utilizando essa sede, a colônia Japonesa organizava festas de casamento, formaturas e festividades do ano novo. “Atualmente a sede de campo é constituída por um salão de festas, piscinas, quadras e campos para a prática de basebol, natação futebol, gatebol, voleibol, tênis de campo e de mesa”, diz trecho do livro Centenário da Imigração japonesa em 2008.

 

Os pioneiros 

Alguns testemunhos registram que o primeiro japonês a se estabelecer em Dourados foi Koki Oshiro. Ele adquiriu em 1927 uma posse na periferia do povoado de Dourados, então distrito de Ponta Porã. Ele teria sido o primeiro a comprar terras no município (segundo Yoshiharu Guenka, citado em Inagaki). Ele veio no Navio Kasato Maru, morou um tempo em Campo Grande, depois adquiriu as terras na região de Dourados.
Começa em 1946 a volumosa e progressista migração japonesa com a chegada em Dourados de quatro a cinco famílias de agricultores. Nesse ano vieram do Estado de São Paulo: Mineji Saito e Jooji Eguti e ainda no mesmo ano, Benkiti Kakuda e Hidekiti Dokko. Atravessando o Porto XV, aqui chegaram após uma semana de viagem, através de estradas boiadeiras, enfrentando as intempéries, montados em caminhões “pau de Arara”. 
Em 1951 vieram de Araçatuba Satoshi Nakao. De Cafelândia partiram Kotaro Eto, Tatsuji Fukushima e Takemiti Shiruzu. Também veio nesse ano, da região de Lavinia, Takeo Takimoto para trabalhar na Serraria Continental. 


Eram os anos de pós guerra (que havia terminado em 1945), e, além dos problemas que algumas famílias estavam encontrando em suas regiões (a Shindo Renmei – grupo que não aceitava a derrota do Japão na Segunda Guerra),  promissoras terras da região de Dourados ainda não tinham sido desbravadas, e, seu preço era bom. 


Esses pioneiros vieram em busca de novos horizontes e a maioria vinha para  lavoura com o objetivo de fazer fortuna com o café. No entanto alguns já vieram para se dedicar ao comércio ou prestação de serviços como a família Dokko em posto de gasolina e mecânica; Katayama e os irmãos Fujinaka iniciaram com sapataria, máquina de arroz, passando para secos e molhados e beneficiamento de café; Shiruzu dedicou-se ao transporte de carga; Iguma e Takimoto a indústria madeireira; Massago ao comércio de móveis e Kawamoto a fábrica de bebidas.

 

Japão Fest preserva a cultura nipônica em Dourados 

O Japão Fest, comemorado tradicionalmente em novembro, também mantém vida a cultura nipônica em Dourados. No ano passado o evento contou com a presença do cônsul geral do Japão em São Paulo, Yasuchi Noguti  e o presidente Wakayama Kenjin Kai, presidente do Festival do Japão de São Paulo, José Taniguti. Esse ano, a diretoria do Clube aguarda as orientações de saúde com relação a pandemia para confirmar se haverá ou não a festa. 

Japão fest

Focada na gastronomia típica e em danças tradicionais, a festa é uma celebração do povo japonês, cujos primeiros imigrantes chegaram ao Brasil em 1908, fixando-se em diversas regiões, contribuindo para o desenvolvimento do país. 

Durante os 3 dias de evento, essas memórias ganham vida nas apresentações e os brasileiros podem sentir a força desse povo que partiu do outro lado do mundo para aqui chegar. Com danças e comidas absolutamente típicas e tradição seculares, a festa tem de tudo um pouco. Por isso mesmo, costuma atrair milhares de pessoas, de diferentes raças.

Para a colônia nipo-brasileira, o acontecimento se constitui num momento especial e gastronômico e já faz parte do calendário turístico e cultural da cidade, uma vez que desde a sua criação, milhares de pessoas marcaram presença em todas as edições.

O evento reúne atrações para todas as idades, como apresentações musicais e de dança. Também ocorrem exposições culturais e comerciais.  Em edições anteriores houve oficinas de origami, arte tradicional e secular japonesa de dobrar o papel, criando representações de determinados seres ou objetos com as dobras geométricas de uma peça de papel, sem cortá-la ou colá-la. O curso foi ministrado pela Escola Modelo de Língua Japonesa de Dourados.


A diversidade gastronômica e as apresentações culturais são os destaques do Japão Fest. Pratos típicos da culinária japonesa como yakissoba (macarrão frito com carnes e verduras), temaki (verduras enroladas em arroz e recoberta de alga), sushi (peixe e arroz), sashimi (peixe), sobá e tempurá (fritura de verduras) ficam à venda na Praça da Alimentação. 


Entre os destaques do Japão Fest é a apresentação do Bon Odori, evento milenar da tradição japonesa, com danças e músicas, com participação de comunidades de outras cidades do Estado e da região. Ainda participam do Japão Fest, academias e instituições artísticas que proporcionam uma integração com a comunidade nipo-brasileira.


Estádio Cesar Lucchesi


De acordo com o livro “Centenário da Imigração Japonesa da Grande Dourados”, o início das obras de construção do Estádio “Cesar Luchesi” foi em 1970, quando presidia o clube Toshinobu Katayama e foi concluído no ano seguinte na gestão do presidente Teruki Dokko, em 1971. Em 1975 o campo do Estádio Nipônicob Brasileiro passou a ser denominado “Estádio Cesar Lucchesi”. 
Ainda em 1975, em fevereiro , foi aprovada a idéia de construção da Escola da Língua Japonesa para crianças e jovens. Em setembro, foi dado o início da construção do campo de futebol de salão, handboll, vôlei e basquetebol. Também foi fundado o departamento de Pingue e Pongue.
Em 1976 foram feitas reformas no prédio do Kaikan, no campo “Estádio César Lucchesi” e inaugurado o prédio para funcionamento esportivo e escola da língua japonesa. Em 1977 aconteceu a construção das arquibancadas de concreto, vestuários e nova cobertura, proteção de grades e novas cercas. Preparação para a realização do XV Campeonato Brasileiro de Beisebol Juvenil Inter-Seleções, realizado em 1978.

Beisebol  e softbol


A história do beisebol na cidade está ligada ao nascimento do Clube Nipônico (hoje Nipo-Brasileiro), em 1953. Apesar da sede surgir nesse ano, os descendentes japoneses já praticavam essa modalidade. 
O beisebol começou como uma diversão para novos imigrantes mas, ao longo do tempo se viu a necessidade de incentivar este esporte. Criou-se comissão e hoje departamento para cuidar dessa modalidade. O primeiro jogo amistoso realizado em Dourados foi com o Matsubara, justamente para receber os novos imigrantes. Depois, competições anuais foram realizadas com o então Estado de Mato Grosso e, com o Divisão do Estado, também aconteceram mudanças. Foi o auge do esporte.


Segundo o livro da “Imigração Japonesa da Grande Dourados”, o beisebol de Dourados tem sido destacado através dos amantes do esporte com a ajuda de Toshinobu Katayama e Eikiti Sakaguti, que construíram o campo de beisebol, depois o senhor Shohei Fuginaka, que treinava a categoria adulta. As categorias de base que são as crianças de 06 a 12 anos pelos treinadores Yasuo Arai, Satoru Naya e Luiz Noda que por mais de três décadas dedicaram e transmitiram os seus conhecimentos às crianças. Mais tarde vieram Yasuo Tanado que incansavelmente levavam e traziam as crianças para os treinos e tiveram participação intensa também nessa categoria: Kesayoshi Anze, Tomotaka Noda, Mantaro Fugihara, Juniti Ishikawa, além de mais recentes Slvio Nasu, Airton Mnakamura, Kemdi Jitsumori, entre outros. 


“Graças a essa continuidade ininterrupta de treinamentos é que hoje temos vários atletas despontando a nível nacional: Marcelo Arai, Leandro Hasegawa, Rodrigo Hirota, Márcio Sakane, Adriano Nozu e outros que estão defendendo equipes de Dourados, São Paulo e Mato Grosso”, diz trecho do livro. 
Conforme ainda o livro, “na modalidade de sofbol, Dourados também esta bastante animado, onde temos as categorias feminino infantil e adulta. No masculino as categorias: adulto , senhor (33 anos) veterano (40 anos), super veterano (50 anos) e diamante (60 anos). Conseguimos montar todas essas categorias, graças a integração dos atletas aqui da região, tais como: Dourados, Laranja Lima, Kyoi, Fátima do Sul e Matsubara. 
Consagramos campeão brasileiro de softol nas categorias sênior, duas vezes, uma vez na categoria super veterano e uma vez na categoria diamante. Por intermédio de Nobuo Yamashita que é diretor do Departamento de Beisebol e Softbol, através de ajuda da classe empresarial, patricínios, cobrança de mensalidade e promoções”, diz trecho do livro. 

 

 

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