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Indígenas vão à Câmara e pedem "socorro" pela falta de água

14 Ago 2020 - 16h05
Indígenas vão à Câmara e pedem "socorro" pela falta de água - Crédito: Thiago Morais Crédito: Thiago Morais

Representantes de cerca de 17 mil pessoas que vivem nas aldeias indígenas Bororó e Jaguapiru estiveram com o presidente da Câmara de Dourados, vereador Alan Guedes (Progressistas), na manhã desta quinta-feira, 13, quando pediram "socorro" devido à falta de água e saneamento básico, principalmente por conta da baixa na vazão de cerca de 70% da água dos poços e com a necessidade do enfrentamento à Covid-19. A falta de abastecimento de água nas aldeias é "problema antigo", mas, de acordo com o cacique da aldeia Bororó, Gaudêncio Benites, a situação piorou e se tornou um "problema crônico" depois que houve a construção de um poço artesiano às margens do Anel Viário e próximo às nascentes dos rios que permeiam a região.

"A Sanesul construiu um grande poço artesiano para abastecer a aldeia Bororó, mas a Jaguapiru ficou prejudicada. É preciso fazer a distribuição dessa água, que não é suficiente para toda aldeia. Hoje, temos um caminhão que distribui 5 mil litros, mas não está dando conta. Temos que fazer o trabalho braçal, com galões, carrinhos de mão e carroça, indo buscar água da escola e do Cras para atender as residências", relatou ao presidente da Câmara.

O cacique ressaltou que "o problema que já existia e se tornou escancarado com a pandemia do coronavírus". As aldeias de Dourados já registram 233 casos positivos de contaminação do vírus. "É uma situação preocupante, a Vigilância Epidemiológica já foi acionada. A nossa principal orientação para o combate à Covid-19 é para lavar as mãos e, como fazer isso se não temos o mínimo de água para beber?", questionou Benites.

Outras reclamações dos indígenas são o número reduzido de Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s), como aventais, luvas, tocas, e a falta de barreira sanitária para o enfrentamento à Covid-19, além da ausência de incentivo aos sete agentes de saúde que atendem mais de 120 famílias cada um e a falta da manutenção do saneamento básico. "Nós somos cidadãos douradenses, pagamos nossos impostos e não temos retorno. Somos um povo esquecido. Precisamos de uma solução o mais rápido possível, essa é uma questão social", ressaltou o cacique Gaudêncio.

Alan Guedes disse ao grupo que vai intermediar o diálogo com a Sanesul e Sesai para uma solução desses problemas "muito sérios e que precisam ser sanados o quanto antes". Ele afirmou ainda que sua "percepção de vida é de que a aldeia é de responsabilidade da administração municipal, os indígenas são munícipes e têm seus direitos assim como qualquer outro cidadão. Vamos oficializar os órgãos competentes, requerer um estudo sobre as denúncias e verificar a possibilidade de um convênio para tratar o sistema de abastecimento e saneamento nas aldeias".

O chefe do Legislativo enfatizou que vai oficiar o Executivo para dar mais suporte aos indígenas no combate e enfrentamento à Covid-19. "São pautas importantes, que merecem atenção e são questões que podemos buscar as resoluções. Com relação às questões estruturais, vamos buscar mais informações para tomar as devidas providências", garantiu Alan Guedes.

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