A Nação inteira chora a morte de seus filhos ilustres!

Por: Antonio Carlos Siufi Hindo - 05/12/2016 07h56

Toda a tragédia deixa um rastro de sentimentos e de emoções que somente os que são os seus protagonistas diretos podem melhor aquilatar a sua dor. A que vitimou praticamente toda a esquadra da Chapecoense em território colombiano, inclusive seus dirigentes e profissionais da imprensa, alcançou a Nação inteira e causou comoção no mundo futebolístico em todos os quadrantes do nosso planeta tamanho o impacto produzido.

Ser humano nenhum com um pouco de senso crítico não pode ficar insensível a esse momento difícil. As lágrimas brotam naturalmente. Esse sentimento de perda que envolve a todos está a indicar a grandeza do ser humano diante das tragédias. É como se alguém da nossa família estivesse ali envolvida.

O povo colombiano deixou evidenciar fortemente a força dessa proposição. Ele deu um exemplo de magnanimidade de coração e de sentimento indescritível para o mundo inteiro ao prestar tão significativa homenagem aos jogadores mortos. Não pode existir um preito de solidariedade maior do que aquele que o mundo inteiro protagonizou no campo de jogo no mesmo horário em que a disputa futebolística iria acontecer.

A concessão do título de campeão da copa sul-americana à equipe de Chapecó coroou de êxito o espetáculo produzido pela força do sentimento humano. Os nossos jogadores tombaram como heróis. É assim que precisam ser considerados. Seus nomes estarão sempre esculpidos nos anais do seu clube, na história da sua cidade e nos corações entristecidos de seus apaixonados torcedores. São esses os legados que deixam. Da retidão de caráter, do profissionalismo, dos serviços que prestavam àquela laboriosa comunidade, especialmente pelo amor que todos nutriam pela camisa que envergavam, mas, sobretudo, por tudo aquilo que acreditavam como se fosse um verdadeiro ato de fé.

Não interessa aqui ficar debatendo as causas da tragédia, embora seja importante entender o seu motivo, e apontar as responsabilidades. Nada mais vai trazê-los de volta.

As pessoas simples de Chapecó que se acostumaram a conviver e a gozar da amizade pessoal e de companheirismo dos jogadores não poderão mais vivenciar esses momentos de rara felicidade. Ficou um vácuo profundo. Não tem como superá-lo. Nesse rastro de dor e de sofrimento precisamos tirar lições importantes que podem melhorar substancialmente as nossas vidas.

O sentimento de gratidão e de respeito precisa brotar inicialmente no seio das famílias e depois alcançar os nossos relacionamentos sociais e profissionais. A vida é efêmera. Ela se confunde com o próprio sopro e nos remete sempre a uma reflexão profunda sobre esse desiderato.

De outro vértice, a morte aponta inexoravelmente para um entendimento remansoso: ela não escolhe a idade; a cor; a raça; a fé religiosa e as convicções de ordem política do ser humano. Não escolhe também o momento do nosso chamamento.

Todos estão subjugados aos desígnios de Deus que não podem jamais ser interpretados por qualquer ser humano tamanha a força da proposição divina. A vida como um dom precioso que recebemos precisa ser vivida intensamente e sempre com o espírito altruísta. Questões pequenas, insignificantes e passageiras não podem jamais, embrutecer o ser humano a ponto de oferecer às suas famílias momentos tormentosos. Eles ficam também marcados de forma indelével. Não interessa o seu desfecho.

O nosso viver por essas razões precisa ser sempre alegre e descontraída. Não pode haver espaço para mágoas e lamentações. Mágoas e lamentações não guardam nenhuma relação com o caráter e a personalidade do homem de bem que compõe e forma a esmagadora maioria da nossa população. Nesse contexto de dor somente o tempo será o grande conselheiro a mitigar os sofrimentos dos familiares e ajudá-los a encontrar na força divina as condições materiais julgadas necessárias para o enfrentamento da jornada diária.

Promotor de Justiça aposentado. e-mail: dr.hindo@hotmail.com