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Um pouco sobre a crise política

05 Dez 2015 - 07h00
Wilson Valentim Biasotto


Parece brincadeira, mas é sério, a Câmara está de ponta cabeça e quase que exclusivamente devido ao seu tresloucado presidente Eduardo Cunha, que aquiesceu o pedido de impeachment formulado por Hélio Bicudo e já forma a Comissão para analisar se tem ou não procedência tal pedido. O presidente da Câmara assim procedeu em ato de puro revanchismo, pois somente acatou o pedido de impeachment após os três deputados do PT, que participam da Comissão de Ética, terem votado pela admissibilidade do processo de cassação de Cunha.


Atitude semelhante, só no Paraguai onde o Congresso de nosso vizinho país cassou o presidente Lugo, sem apresentar nada consistente contra ele. A atitude do presidente Cunha, no entanto, é pior pois seu interesse foi de ordem pessoal, tomou uma atitude indecorosa, indigna porque está com o pescoço na forca e age antidemocraticamente para derrubar uma presidente contra a qual não há absolutamente nenhuma denúncia.
A Confederação Nacional dos Bispos brasileiros, CNBB, em nota oficial pergunta: “que fundamento moral fundamenta uma decisão capaz de agravar a situação nacional com consequências imprevisíveis para a vida do povo”.


A crise econômica que enfrentamos não é motivo para impeachment, ela é uma crise do capital, não de governo. Se crise econômica rendesse impeachment, FHC, Itamar Franco, José Sarney, só para citar esses últimos governantes, que viveram verdadeiro inferno com as crises que afetaram os seus respectivos governos, deveriam ter os seus mandatos cassados.


Seria necessária uma ação do Supremo Tribunal para mandar prender o presidente Cunha. O Ministério Público já encaminhou todo o processo a respeito das falcatruas de Cunha para o Supremo pois são contundentes as provas de sua ação corrupta e de sua falta de decoro parlamentar. Por muito menos o senador Delcídio foi para a cadeia. Mas esperar imparcialidade do Supremo está se tornando difícil, o próprio PT resolveu retirar o pedido que havia encaminhado ao Supremo, no sentido de invalidar a atitude de Cunha, mas retirou o pedido quando soube que o relator seria o Ministro Gilmar. Ora, a dedução lógica é que em mãos desse ministro o pedido seria negado, portanto, parece evidente que conforme o ministro, já se sabe a sentença. Sabe-se que no âmbito da operação Lava a Jato as prisões têm sido seletivas. Sabe-se também que o Ministério Público já mandou arquivar o processo contra Aécio Neves em relação ao aeroporto feito em terras de seu tio. Quer dizer, há motivos de sobra para supormos que tucano gordo não vai para a cadeia. Seria isso mesmo ou estou equivocado?


De sua parte a oposição, especialmente o PSDB, que gritava que desejava até mesmo interromper o recesso parlamentar para julgar o impeachment, agora que Eduardo Cunha abriu o processo, quer deixar a votação para fevereiro. Ora, a oposição sabe que não tem votos necessários para o impeachment, por isso quer sangrar Dilma, agoniar o povo brasileiro e abalar a nossa jovem democracia. Quer desconstruir a imagem do governo, do PT e de Lula para então triunfante participar com boas chances de vitória em 2018.


A oposição sabe que as crises econômicas passam, que isso é coisa cíclica e que, portanto, logo o país retoma o seu invejável crescimento, então focam na crise de natureza política. Com que estatura moral FHC, comanda esse processo de sangria? Bom ele é cínico suficiente para dizer que não sabia que o seu governo comprou os votos para que houvesse a (re)eleição e até condenou esse procedimento, então porque não esperar dele e de seu grupo coisas piores?


Tinha razão a presidente Dilma quando das manifestações de julho de 2013 ao afirmar que era necessária uma Assembleia Constituinte, com o objetivo específico de promover uma profunda reforma institucional, especialmente a reforma política.


É verdade que as nossas instituições ainda funcionam, mas estão sob suspeitas.


A maneira como são nomeados os membros dos Tribunais de Contas e mesmo os ministros do Supremo, é viciada. Isso tudo tem que mudar, é preciso com urgência passarmos por um aperfeiçoamento das nossas instituições, sejam elas políticas ou judiciais.


Constituinte sim, impeachment não. A presidente Dilma é uma pessoa honrada, não havendo até o momento nada que justifique o seu impedimento de governar.


Membro da Academia Douradense de Letras. e-mail: [email protected]

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