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Colônia dos Dourados e a invasão dos paraguaios

05 Dez 2015 - 07h00
Esboço do local da batalha entre soldados brasileiros e paraguaios. - Crédito: Foto: Acervo IHGMSEsboço do local da batalha entre soldados brasileiros e paraguaios. - Crédito: Foto: Acervo IHGMS
Os autores que trataram da Colônia Militar dos Dourados e do episódio de 29 de dezembro de 1864, não se deram às pesquisas e estudos meticulosos a respeito desses palpitantes assuntos. Por isso mesmo, os fatos desenrolados naquele longínquo rincão do país ficaram por tantos anos até agora – um longo século – desconhecidos em suas verdadeiras dimensões, ou mal conhecidos, ou desfigurados, como a supor que os anais da ditosa colônia houvessem passado em branco, sem registro, nos arquivos daqueles tempos.


Foi daí que inúmeros autores narram, a seu modo e com várias tintas, os fatos da velha colônia. Reeditam uns, variando apenas os tons, o que outros disseram antes, mas sem apreciar-lhes a autenticidade, as fontes onde os primeiros foram buscá-las. Outros, na falta de documentos, descrevem os fatos como lhe parecem mais plausíveis. Outros vão mais longe. Ignorando as particularidades que ilustram as ocorrências, tecem novelas magníficas, mas puras novelas, em torno delas. Nada disso, porém, é história.


O general Benício, ardente divulgador da proeza de Antônio João, manifestou desejo de sondar a fundo a verdade dos acontecimentos. Esforçou-se, de fato, em fazê-lo mas, por fim, declarou-se desolado com as narrativas discordantes dos autores. Diz ele em seu livro Antônio João: “Procuramos nos arquivos os documentos autênticos que nos confirmassem as narrativas um tanto discordantes, ao sabor dos autores... E a mudez os alfarrábios foi desconcertante”


Decidido, pois, como estava a engajar-me neste trabalho, verifiquei desde logo que, para ir a fundo no empolgante assunto, teria de descer às fontes e conhecer por miúdo o que dizia respeito à Colônia dos Dourados, cenário do insigne episódio.

Ataque rápido, poucos tiros e a vitória fácil


O ataque à Colônia dos Dourados, em 29 de dezembro de 1864, foi rápido. O comandante brasileiro, tenente Antônio João Ribeiro, intimado verbalmente pelo capitão paraguaio Martim Urbieta a render-se, saiu à fala e replicou negativamente, declarando que só o faria se lhe trouxessem uma ordem do governo Imperial. Sem mais detença, nem palavras, rompe ligeiro tiroteio: uma rajada de balas do lado paraguaio e três a quatro disparos, em resposta, do lado brasileiro. Nessa rápida refrega, que, apenas começada, cessa logo, por falta de opositores, caem mortos o comandante da colônia e dois soldados brasileiros. Os restantes, doze ao todo, inclusive um ferido, escapam para o mato, mas são perseguidos e capturados. De parte dos paraguaios, houve um oficial e um soldado levemente feridos. No mesmo dia, a frota paraguaia e a divisão de cavalaria se apoderam, respectivamente, do Forte de Coimbra e da Colônia Militar de Miranda.


Urbieta, em sua parte do ataque, é muito lacônico, mas incisivo. Diz que chegou à colônia “sin ser sentido por ninguna persona”; sendo visto, porém, a curta distância e, ouvindo tocar uma curta chamada viu que o comandante e alguns, armados, saíram ao encontro da força. Tão perto se aproximou então o Martinez, encarregado do ataque, que pôde intimar de viva voz Antônio João que se rendesse. É difícil ajuizar o que teria passado com Antônio João momentos antes daquele ligeiro toque de corneta. A surpresa, parece, foi evidente. É de estranhar essa surpresa, porque se veio a saber, por colonos dali escapes, que Antônio João fora informado na véspera, dia 28, da aproximação de uma tropa paraguaia.).

A origem da discutida frase “Sei que morro...”


Nenhum cronista, nenhum historiador se deu ao luxo de levantar uma dúvida sobre a veracidade da frase “Sei que morro, mas o meu sangue e o dos meus companheiros servirá de protesto solene contra a invasão do solo de minha pátria”. Pelo sim pelo não, por todos os motivos, não cabe consertar o que foi dito no original. Se é um dito expressivo, compreensivo, espetacular, nada há nele que consertar porque nasceu feito. A origem de tudo seria um bilhete escrito por Antônio João e entregue a Dias da Silva. O primeiro registro da frase foi de Visconde de Taunay, no livro Histórias Brasileiras, editado em 1874.

Autor do livro A epopeia de Antônio João, que faz parte da coletânea Obras Completas de Raul Silveira de Mello, edição do IHGMS

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