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Paciente sem acompanhamento na quarentena pode ter consequência grave

Há doentes que precisam de acompanhamento médico regular

07 Abr 2020 - 20h11Por Agência Brasil
Paciente sem acompanhamento na quarentena pode ter consequência grave - Crédito: Arquivo/Agência Brasil Crédito: Arquivo/Agência Brasil

Apesar do crescente número de suspeitas e confirmações de coronavírus ser a maior parte de casos nos postos de saúde e hospitais do país, pacientes com problemas vasculares e outras doenças também dão entrada nas emergências dos hospitais diariamente.

Doenças como trombose, aneurisma da aorta, doença arterial obstrutiva periférica e pé diabético precisam de acompanhamento médico regular. E, ao menor dos sintomas de piora do quadro, o angiologista ou o cirurgião vascular que acompanha o caso deve ser procurado.

A Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) preocupa-se com os pacientes que não seguem as recomendações de cuidados e acompanhamento das doenças vasculares no período de quarentena, e aconselha que o acompanhamento médico seja feito, ao menos, por telefone ou videoconferência.

O diretor de Publicações da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular Nacional, o cirurgião vascular Marcelo Calil Burihan destaca ainda que tem observado que pacientes com comorbidades podem apresentar quadros mais complexos com a covid-19, como diabéticos, hipertensos, coronariopatas, cardiopatas, tem normalmente uma piora do quadro quando associado ao coronavírus.

“Tem se observado um aumento da trombose nos pacientes com covid-19, sejam elas tromboses venosas ou arteriais de membros superiores ou inferiores, parece haver um processo inflamatório mais acentuado nos pacientes com covid-19, propiciando uma maior trombose arterial e venosa,”

No entanto, é preciso frisar que não significa que pacientes com doenças cardiovasculares são mais propícios à covid-19.

“Em termos de contágio não. Mas as doenças cardiovasculares são um fator de risco para o desenvolvimento das formas mais graves da infecção pelo coronavírus. Normalmente são pacientes fragilizados, na maioria idosos e que tem um sistema imunitário já comprometido. Muitos são hipertensos, diabéticos e tem problemas renais. Essa somatória de problemas ajuda a piorar a resposta do organismo ao ataque pelo coronavírus”, disse o presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular – Regional Minas Gerais, Mateus Alves Borges Cristino.

Quando ir ao pronto socorro
Mesmo com os hospitais cheios, Burihan chama atenção para sintomas que não podem esperar por atendimento médico. “Pacientes que precisam de uma consulta imediata são aqueles portadores de isquemia, que podem ter perda de movimento. Isso pode ser uma isquemia arterial aguda, que tem um caráter emergencial.”

Outro caso emergencial é o de aneurisma de aorta. “Mesmo que saibam ou não, pacientes que tenham uma dor abdominal intensa com suor, que normalmente podem ter rutura ou expansão de aneurisma, também um quadro de urgência médica. Tem também os pacientes com pés diabéticos, que podem ter lesões que podem infeccionar e devem ser tratados com urgência para que esses pacientes não venham a ter uma perda da vida”, destaca.

O especialista alerta que dores agudas ainda merecem atenção. “Alguns pacientes que têm dor no membro inferior ou superior, dores mais aguda, necessitam realmente uma consulta mais rápida para saber se é um quadro circulatório ou não. Quadros com edema abrupto na perna podem ser sintomas proporcionados por uma trombose venosa aguda, que também é quadro emergencial que precisa ser tratado”.

Quem pode esperar
Para evitar contágio ou disseminação do coronavírus, determinadas consultas podem ser adiadas para depois da quarentena, recomenda Burihan. “Pacientes portadores de varizes podem postergar suas consultas para não correrem o risco de serem contaminados em ambulatórios ou consultórios ou mesmo transmitir o covid-19 sendo muitas vezes assintomático”.  

Mas quem já teve ou tem as outras doenças vasculares, deve ficar atento aos sintomas.

Pacientes com problemas mais graves, como os citados acima (trombose, feridas infectadas, erisipela, AVC, isquemia arterial) devem estar atentos aos sinais de alarme e procurar pronta assistência.

O médico Mateus Alves Borges Cristino chama a atenção para outra situação peculiar, que são os pacientes que fazem uso de anticoagulantes e que devem manter contato com seu cirurgião vascular assistente, tanto para controle da anticoagulação ou para reportar sinais de sangramento urinário, nasal, genital, digestivo.

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