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Intervenção na Funsaud é prorrogada, mas servidores questionam efetividade

18 Mai 2020 - 08h30Por O PROGRESSO
(Foto: Divulgação) - (Foto: Divulgação) -

Na semana passada a Prefeitura de Dourados, através da Secretaria Municipal de Saúde, ampliou para mais 60 dias o período de intervenção sobre a Fundação de Serviços de Saúde de Dourados (Funsaud). A medida foi tomada em 13 de junho de 2019 e deve superar mais de um ano, conforme novo decreto. Inicialmente a proposta era de intervenção durante o período de seis meses apenas. 

Visando a ‘organização da casa’, após a Funsaud, responsável pela gestão do Hospital da Vida e UPA (Unidade de Pronto Atendimento 24h), contrair um rombo financeiro milionário, a gestão de Délia Razuk (PTB) viu na intervenção a saída para o controle da crise. Na época a fundação tinha dificuldades de pagamento de salários, de valorização funcional, de aquisição de insumos e outros prejuízos ligados à gestão. 

Somado a isso, operações policiais descobriram desvio de verbas federais para beneficiar o então secretário de saúde Renato Vidigal, hoje investigado pela Justiça no âmbito da Operação Purificação. 

Sem apresentar dados concretos alegando estar em agenda externa, a atual secretária Berenice Machado, garante que a intervenção foi sim eficaz. Ao O PROGRESSO, a chefe da pasta assegura que as contas foram colocadas em dia, os pagamentos estão sendo efetuados e as dívidas, que já atigiam mais de R$ 21 milhões, foram equilibradas.

Só que para servidores da Funsaud, a medida serve apenas para passar “ar de legalidade”. Fontes ouvidas pela reportagem dizem que a intervenção é questionável, considerando que é a própria administração que assumiu “as rédeas” da fundação, ou seja, sem qualquer papel fiscalizador e administrativo além do que já existia anteriormente. 

“Essa intervenção é coisa para inglês ver. Como que só um órgão, que é o que sempre gerenciou, sempre nomeou diretores na Funsaud, vai fazer intervenção? Isso é coisa para inglês ver, porque não está sendo feito nada, a gente não observa nada”, afirma servidor cujo relato foi feito em condição de anonimato.

Ele reclama que mesmo com a gestão estratégica das contas da Funsaud, pouco se vê sendo concretizado em favor da qualidade de serviço e valorização funcional. Sem reajustes há quatro anos, os profissionais acusam a administração de Délia Razuk por indiferença com a categoria. 

Segundo outro agente público ouvido pela reportagem, em tempos de pandemia os servidores da UPA e HV foram impossibilitados de acessar o setor administrativo da Saúde. Ele relata que isso prejudica as reivindicações levadas até o departamento. “Até o RH [Recursos Humanos] está trancado”, conta.

Para os funcionários da UPA e HV, a crise da gestão não se resume apenas na remuneração dos servidores, mas também na segurança de trabalho. Equipamento de proteção individual são escassos, ainda há falta de insumos e medicamentos, e com a chegada da pandemia a situação se agravou.

“Não faz sentido. Como que só um órgão intervém alegando melhorias? Sempre quem nomeou os diretores foi a prefeita, então se tem erros de gestão a culpa é somente dela”, afirma servidor. 

Délia Razuk encerra o mandato como prefeita de Dourados neste ano e deixará entre as marcas da gestão, a numerosa troca de secretários, o que para analistas políticos já ouvidos por O PROGRESSO em reportagem que tratou do assunto, é sinal de uma gestão pouco estratégica. 

Na Funsaud, a diretoria da autarquia já sofreu sete trocas. Em 2017, no início da gestão, Albino Mendes assumiu o comando da fundação até que foi acusado de nepotismo após o filho ser designado para chefiar a UPA. No lugar do radialista assumiu Américo Salgado Júnior, exonerado a pedido meses depois. Para ocupar o cargo, Délia convocou o jornalista Luiz Carlos Fernandes de Mattos, que tão pouco ficou à frente da Funsaud sendo já substituído por Daniel Fernandes Rosa. 

Todo esse ‘troca-troca’ ocorreu num intervalo de um ano e meio de gestão, até que então Délia decretou intervenção na Funsaud em 2019 colocando à frente da coordenação geral da autarquia a ex-administradora do Hospital Santa Rita, Maria Izabel de Aguiar. A passagem dela foi conturbada e não durou muito tempo. Dois meses depois Délia revogou o decreto que a nomeava ao cargo. 

A partir de então, a secretária de saúde assumiu como interventora sem acúmulo remuneratório, até que no dia 1° de abril já deste ano, Renato Nasser, então secretário adjunto, assumiu a coordenação da intervenção. 

A reportagem tentou contato com Nasser, mas nenhuma das ligações foi atendida. A intenção era questioná-lo sobre a eficácia da intervenção e buscar os contrapontos aos relatos apresentados pelos servidores ouvidos.

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