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Dia dos Pais

Longe dos filhos, mas apaixonados pela vida

12 Ago 2016 - 17h30
Osvaldo, Vicente e Roberto, são três pais que moram no Lar do Idoso - Crédito: Edio FazanOsvaldo, Vicente e Roberto, são três pais que moram no Lar do Idoso - Crédito: Edio Fazan
Três trabalhadores. Três pais de famílias, dividindo com mais 34 pessoas, um espaço no Lar do Idoso, em Dourados. Relatos de esperança e de paixão pela vida. Cada um com muita história pra contar, sem se preocuparem com passar das horas nem do dia.

O baiano Osvaldo da Paixão, natural de um vilarejo chamado Orissanga, tem 77 anos e se confessa um amante declarado da vida. "É claro que tive mulheres e com elas nove filhos. Mas hoje o que importa mesmo é saber que ainda estou vivo. Sou, apesar dos sofrimentos, que passei, um apaixonado pela vida", relata o agricultor baiano. "Meus filhos? Ah!! Estão todos espalhados por aí. Sei que um mora em Campo Grande e quatro aqui em Dourados. Um já morreu. E os outros não sei por onde andam", conta.

Segundo Paixão, onde mora há mais de dois anos, tem tudo que ele precisa...Ou quase. "Não são só os filhos que se foram. Minha vistas também. O que vejo são apenas vultos. O azul do céu já não enxergo mais", diz o baiano, que revela sofrer de glaucoma.

A história de Vicente Pereira Leme, 77 anos segue roteiro parecido. Ele já foi caminhoneiro e agricultor e pai de uma filha. Hoje diz que ajuda os enfermeiros a cuidarem do colegas. "Já vivi muitas coisas desde que vim de Marília (interior de SP), minha terra natal. Fui parar em Amambai e hoje vivo por aqui, há sete anos, sem ter do que reclamar", conta o senhor Vicente, homem de palavras bem articuladas e de humor fácil. "Não sou de ficar triste e nem de ficar reclamando do tempo que se foi. O que importa agora, é como os dias passam por aqui. Dia dos Pais é importante, mas não tem diferença. É tudo igual", comenta Vicente, que sempre mantém contato com a filha. "Me dou bem com ela, que também tem filhos e precisa cuidar da sua sobrevivência".

Apesar de limitado, pelo AVC que o deixou em uma cadeira de rodas, e com a fala um prejudicada Roberto Santos Silva, 64 anos é o caçula do trio. Não só na idade, mas também no Lar do Idoso. "Estou aqui há apenas um mês. La fora era bom, tinha trabalho como pedreiro e levava uma vida de luta, como a maioria dos brasileiros. Mas aqui sou bem cuidado, tenho uma boa alimentação e um monte de amigos", diz. Roberto tem cinco filhos. Segundo ele, sempre um deles aparece para fazer uma visita. "Não me sinto abandonado. Sei cada tem sua vida pra cuidar", diz o ex pedreiro.

Serviço

O Lar do Idoso está localizado na rua Major Capilé, 3467, jardim Caramuru, atrás do colégio Menodora. Informações pelo telefone (67) 3424-5859.

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