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Editorial

Inflação e Desemprego

20 Nov 2015 - 08h30



Dois importantes indicadores da economia, divulgados ontem pelo próprio governo federal, revelam que dias piores estão por vir e que dificilmente o país conseguirá superar as dificuldades em 2016: 1 - a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), acumulada em 2015 atingiu a marca de 9,42% e já é a maior desde 1996. 2 – o desemprego atingiu em outubro 7,9% da população economicamente ativa, a maior taxa de desocupação para um mês de outubro desde 2007. Essa é uma mistura que implode qualquer economia e basta analisar o que aconteceu recentemente nos Estados Unidos, por exemplo, onde o índice de desemprego disparou, mas a inflação e os juros foram mantidos sob controle e a economia se recuperou no curto período, tanto que voltou a crescer de forma considerável. No Brasil está ocorrendo o inverso, ou seja, o desemprego está aumentando e tanto a inflação quanto as taxas de juros acompanham esse crescimento, revelando um cenário difícil para o curto período e ainda mais nebuloso para os próximos anos. Infelizmente, o fundo do poço parece ainda distante da realidade brasileira.

A Pesquisa Mensal de Emprego, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta que a taxa de desocupação subiu 3,2 pontos percentuais e que o universo de desempregados chegou a 1,9 milhões de pessoas, volume 67,5% maior que o apurado em outubro de 2014. Significa que apenas no mês passado, foram fechados 230 mil postos de trabalho, a maior variação percentual da população desocupada na série histórica da pesquisa. Somente na Região Metropolitana de São Paulo a taxa de desemprego atingiu 8,1% da população economicamente ativa, com aumento de 0,8 ponto percentual em relação a setembro, quando o índice ficou em 7,3%. A taxa de desemprego cresceu em todas as regiões metropolitanas do Brasil, saltando de 8,5% para 12,8% em Salvador; de 4,4% para 8,1% em São Paulo; de 6,7% para 9,8% em Recife; de 3,5% para 6,6% em Belo Horizonte; de 3,8% para 6% no Rio de Janeiro e 4,6% para 6,8% em Porto Alegre. Em comparação com outubro do ano passado, o índice de desemprego aumentou em todas as regiões do país, com o maior crescimento se concentrando em São Paulo quando onde o percentual de pessoas procurando emprego cresceu 86,2%.

O retrato do desemprego é trágico: a população ocupada, que chegou a 22,5 milhões nas seis regiões metropolitanas em outubro de 2015, já perdeu 825 mil postos de trabalho na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 137 mil demissões em Salvador; 121 mil em Belo Horizonte; 74 mil em Recife; 385 mil em São Paulo; 70 mil demissões em Porto Alegre. Esses números ratificam estudo feito pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) no final de 2014 alertando que o Brasil sofrerá um aumento do desemprego durante três anos e a alta se estabilizará em um novo patamar mais elevado em 2017. Esse cenário é fruto não apenas da desaceleração da economia brasileira, mas, sobretudo, das recentes políticas fiscais anunciadas pelo Palácio do Planalto, como o aumento nos encargos trabalhistas e previdenciários, descontrole da meta inflacionária e elevação de juros para o crédito sustentável. Em 2016 e 2017, alerta a Organização Mundial do Trabalho, a taxa de desemprego subirá para 8,5% e poderá, dependendo do andamento da economia, superar a casa de 10%.

No mesmo ritmo do aumento do desemprego, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que a inflação cresceu 0,86% em outubro e chegou a 9,42% no acumulado do ano, o índice apurado entre janeiro e novembro desde 1996. A situação é tão crítica, que no mesmo período do ano passado, a inflação medida pelo IBGE ficou em 5,63% e, no acumulado dos últimos 12 meses, o índice chegou a 10,28%. As maiores altas foram puxadas pelos preços do combustível, que subiu 5,89% no mês e acumulou alta de 6,48% nos meses de outubro e novembro, e do grupo transporte, influenciado pelas tarifas de ônibus, com alta variação de 5,77% e acumulado de 9,68%. O grupo alimentação registrou alta de 1,05%, impactando também no resultado do índice, de forma que em outubro e novembro alguns alimentos tiveram alta de preços como o tomate, que ficou 15,23% mais caro; o açúcar cristal, com aumento de 9,61% e o açúcar refinado com alta de 7,94%, além do arroz que ficou 4,10% mais caro e a carne de frango com majoração de 3,96%.

O número
7,9% da população economicamente ativa está fora do mercado de trabalho, a maior taxa de desocupação para um mês de outubro desde 2007, segundo o IBGE.

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